Brasão da Paróquia São SebastiãoParóquia São SebastiãoMococa-SP

1 Macabeus 1

Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.

1E aconteceu que depois que Alexandre, rei de Macedônia, filho de Filipe, que reinou primeiramente na Grécia, saiu do país de Cetim, derrotou a Dario, rei dos persas e dos medos:

2Deu ele muitas batalhas, e tomou as mais fortes cidades de todas as nações, e matou os reis da terra.

3E passou até às extremidades do mundo: Lançou mão dos despojos de muitas gentes: e toda a terra emudeceu diante dele.

4Então ajuntou Alexandre grandes tropas, e um exército em extremo forte: E o seu coração se elevou, e ficou todo inchado:

5E se fez Senhor das províncias, e dos reis das gentes: E lhe ficaram sendo tributários.

6E depois disto caiu enfermo, e conheceu que era chegada a sua morte.

7E chamou os grandes da sua corte, que se tinham criado com ele desde a sua mocidade: E repartiu por eles o seu reino, estando ainda vivo.

8Reinou pois Alexandre doze anos, e morreu.

9E os grandes da sua corte se fizeram reis, cada um com o seu governo:

10E depois da morte de Alexandre puseram todos o diadema, e assim mesmo seus filhos depois deles por muitos anos, e os males se multiplicaram sobre a terra.

11E destes é que saiu aquela raiz do pecado, Antioco o ilustre, filho do rei Antioco, o qual em Roma tinha já estado em reféns: E reinou no ano cento e trinta e sete do reino dos gregos.

12Naqueles dias sairam de Israel uns filhos iníquos, e deram a muitos este conselho dizendo: Vamos, e façamos aliança com as gentes, que se acham em torno de nós: Porque desde o ponto em que nós nos apartamos delas, vieram sobre nós muitos males.

13E pareceu bem este conselho a seus olhos.

14E alguns do povo se resolveram, e foram ter com o rei: E este lhes deu poder de viverem segundo os costumes dos gentios.

15E eles edificaram em Jerusalém um colégio conforme os ritos das nações:

16E tiraram de cima de si os sinais da sua circuncisão, e separaram-se da santa aliança, e ajuntaram-se com as nações, e deram-se em venda para fazerem o mal.

17E Antioco se estabeleceu no seu reino e começou a querer reinar na terra do Egito para ficar sendo rei de dois reinos.

18Com este desígnio entrou no leito à testa de um poderoso exército, com carroças, e elefantes, e cavalaria, e grande número de naus:

19E fez guerra a Ptolomeu, rei do Egito, e Ptolomeu teve medo diante dele, e fugiu, e caíram feridos muitos dos seus.

20E Antioco tomou as cidades mais fortes da terra do Egito: E pôs a saco a terra do Egito.

21E depois que assolou o Egito no ano cento e quarenta e três, deu volta Antíoco: E marchou contra Israel.

22E chegou a Jerusalém com um formidável exército.

23E entrou cheio de soberba no santuário, e tomou o altar de ouro, e o candeeiro dos lumes, e todos os seus vasos, e a mesa da proposição, e as bacias, e os copos, e os grais de ouro, e o véu, e as coroas, e o ornamento de ouro, que estava na fachada do Templo: E quebrou tudo.

24E tomou a prata e o ouro, e os vasos de apetite: E tomou os tesouros escondidos, com que ele foi dar: E tendo levado tudo, foi-se para o seu país.

25E fez grande matança de homens, e falou com grande soberba.

26Então houve um grande pranto em Israel, e em todos os lugares deles,

27E os príncipes, e os anciãos gemeram: As virgens, e os mancebos ficaram sem forças: E a formosura das mulheres toda se mudou.

28Todos os maridos se entregaram ao choro: E as mulheres que estavam assentadas sobre o seu leito nupcial, derramavam lágrimas:

29E a terra se comoveu com a desolação dos seus habitantes, e toda a casa de Jacó se cobriu de confusão.

30E depois no fim de dois anos completos enviou o rei por todas as cidades de Judá um superintendente dos tributos, que veio a Jerusalém com grande comitiva.

31E ele lhes falou palavras de paz com artifício: Assim os homens lhe deram crédito.

32Mas ele deu de repente sobre a cidade, e fez nela grande estrago, e matou grande número do povo de Israel.

33E tomou os despojos da cidade: E depois lhe pôs fogo, e destruiu as suas casas, e os seus muros que a cercavam:

34E levaram cativas as mulheres: E se fizeram senhores de seus filhos, e de seus gados.

35E fortificaram a cidade de Davi com um grande, e forte muro, e com boas torres, e fizeram dela fortaleza.

36E puseram ali uma raça de pecado, uns homens corrompidos que nela se fizeram fortes: E para ali trouxeram armas e vitualhas, e ali os despojos de Jerusalém:

37E os puseram ali de reserva: E deste modo vieram a ser um pernicioso laço.

38E isto serviu para armarem traições a todos aqueles que vinham santificar-se, e foram como o mau demo de Israel:

39E derramaram o sangue inocente ao redor do santuário, e profanaram o santuário.

40E os habitantes de Jerusalém fugiram por causa deles, e a cidade ficou sendo morada dos estrangeiros, e ela se tornou estranha aos seus naturais, e seus próprios filhos a deixaram.

41O seu santuário ficou desolado como um ermo, os seus dias de festa se mudaram em pranto, os seus sábados em opróbrio, as suas honras em nada.

42À proporção da sua glória se multiplicou a sua ignominia: E a sua alta elevação foi mudada em luto.

43Então escreveu o rei Antíoco a todo o seu reino, que todo o povo não fosse mais que um: E que cada qual abandonasse a sua lei.

44E todas as nações consentiram nesta ordem do rei Antíoco:

45E muitos de Israel consentiram em darem esta sujeição a ele, e sacrificarem aos ídolos, e profanaram o sábado.

46E o rei dirigiu cartas suas por mãos de mensageiros a Jerusalém, e a todas as cidades de Judá: Mandando-lhes que seguissem as leis das nações da terra.

47E proibissem que no Templo de Deus se fizessem holocaustos, sacrifícios, e ofertas em expiação de pecado.

48E proibissem que se celebrasse o sábado, e os dias solenes:

49E mandou que se profanassem os lugares santos, e o santo povo de Israel.

50Outrossim mandou que se edificassem altares, e templos, e que se levantassem ídolos, e que se sacrificassem carnes de porco, e rezes imundas.

51E que deixassem os seus filhos por circuncidar, e que contaminassem suas almas com toda a casta de comeres imundos, e com todas as abominações, de sorte que se esquecessem da lei de Deus, e transtornassem todas as suas ordenanças.

52E que todos aqueles que não obrassem conforme a ordem do rei Antíoco, morressem.

53Por este mesmo teor escreveu ele a todo o seu reino: E nomeou oficiais, que constrangessem o povo a cumprir isto.

54Eles pois mandaram às cidades de Judá, que sacrificassem aos ídolos.

55E muitos do povo se vieram ajuntar com aqueles que tinham abandonado a Lei do Senhor: E eles fizeram grandes males sobre a terra:

56E obrigaram o povo de Israel a fugir para lugares escusos, e a buscar retiros, onde pudessem esconder-se na sua fugida.

57No dia quinze do mês de Casleu, ano cento e quarenta e cinco, pôs o rei Antíoco o abominável ídolo da desolação em cima do altar de Deus, e por toda a parte edificaram altares em todas as cidades de Judá.

58E os homens ofereciam incenso, e sacrificavam diante das portas das casas, e no meio das ruas:

59E rasgando os livros da Lei de Deus, os deitaram no fogo:

60E a todo aquele, em poder do qual se achavam os livros do Testamento do Senhor, e qualquer que observava a lei do Senhor, cruelmente o matavam, conforme o edito do rei.

61Com este poder que tinham tratavam assim o povo de Israel, que cada mês se achava junto em todas as cidades.

62E no dia vinte e cinco de cada mês sacrificavam sobre a ara, que estava oposta ao altar.

63E as mulheres, que circuncidavam seus filhos, eram cruelmente mortas, segundo o mandamento do rei Antíoco.

64E penduravam os meninos ao pescoço delas em todas as casas onde os achavam: E matavam desumanamente os que os tinham circuncidado.

65Então muitos do povo de Israel resolveram consigo não comer nada que fosse imundo: E escolheram antes morrer do que manchar-se com viandas imundas:

66E eles não quiseram violar a Santa Lei do Senhor, e foram desapiedadamente mortos:

67E então caiu sobre o povo uma ira por extremo grande.