Brasão da Paróquia São SebastiãoParóquia São SebastiãoMococa-SP

Memória paroquial

História da Igreja Matriz de São Sebastião

Da capela erguida no sertão do rio Pardo, em 1846, ao templo inaugurado em 1896 — a história da igreja em torno da qual Mococa nasceu.

Memória paroquial

A cidade nasceu ao redor do altar

A história da Matriz se confunde com a história de Mococa. Antes de existir cidade, rua ou nome, existia a devoção a São Sebastião: em 1839 um casal de lavradores doou terras para que ali se erguesse uma capela, e foi ao redor dela que a povoação de São Sebastião da Boa Vista se organizou.

Da primeira missa, celebrada no Natal de 1846 diante de doze casas, à freguesia criada em 1856 e ao templo inaugurado em 1896 no auge do café, cada etapa da igreja marcou uma etapa da cidade. A Matriz que hoje domina o ponto mais alto da praça é a segunda casa desta comunidade: a primeira, a capela de 1846 convertida em Matriz, ficou de pé até 1912.

Erguida com o trabalho de engenheiros, artistas e artesãos italianos que ajudaram a dar feição a Mococa, ela guarda nas suas três naves, na escaiola das colunas e na cúpula dos evangelistas quase dois séculos de fé.

primeiro registro documentado
1839primeiro registro documentado
anos de memória paroquial
187anos de memória paroquial
marcos na linha do tempo
22marcos na linha do tempo
sacerdotes na sucessão
25sacerdotes na sucessão

Linha do tempo

Da capela à Matriz

  1. 1839

    A doação de dona Catharina

    Antonio José Gomes e sua mulher, dona Catharina Candida de Senna, doam 16 alqueires de terras às margens do Ribeirão do Campo — depois córrego do Lino — a São Sebastião e a São Francisco das Chagas, para que ali fosse erguida uma capela. A devoção ao mártir vinha da família dela: seu irmão mandara construir uma capela a São Sebastião no sul de Minas em 1823.

    Humberto de Queiroz (1913); Leonardo B. M. F. Belotti, «Catharina Candida de Senna».

  2. 1843

    A permuta que fixou o lugar da igreja

    O capitão José Gomes de Lima não vê com bons olhos uma povoação nascendo ao lado de sua fazenda da Boa Vista, servida por numerosa escravatura, e negocia com o casal doador a permuta das terras. A capela passa para as margens do Ribeirão do Meio — onde hoje está o centro de Mococa. As primeiras residências surgem logo depois.

  3. 4 de julho de 1846

    A provisão do bispo de São Paulo

    Dom Manoel Joaquim Gonçalves de Andrade concede a Venerando Ribeiro da Silva a provisão que autoriza «fundar e erigir e edificar uma capela em a povoação de São Sebastião». Exigia local decente e alto, livre de umidades, «que tenha âmbito em roda para poderem andar procissões» — e patrimônio próprio antes que ali se pudesse celebrar missa.

    Provisão de 4 de julho de 1846, transcrita por Adriano Campanhole.

  4. 25 de dezembro de 1846

    A primeira missa

    No Natal de 1846, o padre Manoel Machado da Assumpção celebra a primeira missa na capela recém-construída, no ponto onde hoje se ergue a Igreja de Nossa Senhora do Rosário. O povoado tinha então cerca de doze casas regulares e entre oitenta e cem moradores.

  5. 4 de dezembro de 1847

    O patrimônio de São Sebastião

    Correm no Juízo Municipal de Casa Branca os autos de reconhecimento e posse do patrimônio da capela, a pedido do fabriqueiro Felicíssimo Antonio Pereira. Sete famílias entregam porções de suas terras — Venerando Ribeiro da Silva à frente, com dez alqueires — somando 33 alqueires avaliados em 330$000.

    Lafayette de Toledo, «Diccionario Topographico da Comarca de Casa Branca».

  6. 5 de abril de 1856

    Freguesia de São Sebastião da Boa Vista

    Um abaixo-assinado com 126 assinaturas informa à Câmara de Casa Branca que a povoação já tem 125 casas e quase seiscentos moradores, e pede a criação da freguesia. A Lei nº 15, de 5 de abril de 1856, a cria — data hoje comemorada como a fundação de Mococa. A capela torna-se igreja paroquial, com sacerdote estabelecido.

    Lei provincial nº 15, de 5 de abril de 1856.

  7. 9 de agosto de 1858

    A visita pastoral

    Dom Antonio Joaquim de Mello visita a nova freguesia e não gosta do que encontra: não havia pia batismal, o tabernáculo estava sem o forro de seda, faltavam lâmpada, baldaquino e umbela, e o cemitério permanecia aberto. O bispo suspende festas e terços de rua até que tudo fosse providenciado, e deixa de esmola 81$630 réis das ofertas do crisma.

    Livro de visitas pastorais, transcrito por Humberto de Queiroz.

  8. 1860–1864

    Da capela à Igreja Matriz

    O padre Lourenço Evangelista Della Moglie, primeiro italiano a viver em Mococa, constrói o corpo da igreja com o apoio da família Figueiredo e de outros moradores, e converte a antiga capela em Igreja Matriz de São Sebastião. Em seu tempo ergue-se também a primeira casa paroquial, atrás da igreja.

  9. 1864–1880

    O padre velho e as obras de talha

    Nomeado já em idade muito avançada, o padre Joaquim Feliciano do Amorim Sigar — conhecido como «o padre velho» — passa dezesseis anos à frente da freguesia. Foi em seu paroquiato que se edificaram a capela-mor e os altares laterais da Matriz, com suas obras de talha.

  10. 1880–1886

    Os alicerces de um novo templo

    Os mocoquenses capitão Antonio J. Dias de Lima e José de Souza Dias promovem a edificação de uma nova matriz, no mesmo alto em que hoje ela se ostenta. Chegam a levantar os alicerces, mas a obra fica suspensa por alguns anos.

  11. 30 de maio de 1891

    A comissão das obras

    Reunião convocada pelo padre Bento Monteiro do Amaral constitui a comissão encarregada da nova igreja: o próprio vigário, o Barão de Monte Santo, José Joaquim de Figueiredo, Diogo Garcia de Figueiredo, Gabriel Fernandes Pinheiro, Luiz José de Souza Penna, Carmo Taliberti e Francisco Demasi.

  12. 13 de novembro de 1892

    A pedra fundamental

    Por delegação de Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, o vigário Bento Monteiro do Amaral procede à bênção da pedra fundamental da Matriz Nova, «na presença de grande concurso de povo, que concorreu ao acto», conforme o termo lavrado no livro paroquial.

    Termo da bênção da pedra fundamental, 13 de novembro de 1892.

  13. 12 de maio de 1896

    A inauguração da Matriz Nova

    O templo é inaugurado no auge do ciclo do café. Poucos dias depois, o engenheiro Paulo Lanzoni o descreve no jornal A Mococa: cruz latina dividida em três naves, 53 metros de comprimento, 22 metros na maior largura, 15 de altura e uma torre de 50 metros. O único defeito, escreveu ele, era a pintura clara demais — «uma Igreja deve ser um tanto escura para permitir o recolhimento do Espírito».

    A Mococa, edição de 23 de maio de 1896.

  14. 1896–1898

    O largo da Matriz e a fachada da igreja velha

    O largo da Matriz é projetado pelo próprio Paulo Lanzoni, por iniciativa do cônego Bento e do farmacêutico Antonio Antero Noronha Peres, com a subscrição de um conto de réis de Francisco Garcia de Figueiredo. Em 1898 o cônego contrata o engenheiro André de Lucca para revitalizar a fachada da Matriz Velha.

  15. 1912

    A demolição da Matriz Velha

    No paroquiato do monsenhor dr. Félix Brandi, laudo assinado pelo engenheiro Gherardo Bozzani atesta o estado precário da antiga Matriz, que é demolida. No mesmo lugar, com o incentivo financeiro de dona Iria Josepha da Silva e de Francisco Garcia de Figueiredo, ergue-se a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, inaugurada em 1921.

  16. 1940–1942

    A Casa Paroquial

    Ao chegar a Mococa, o padre João Bueno Gonçalves encontra os párocos sem residência. O major José Quintino Pereira e dona Bárbara Eufrosina de Lima doam o terreno; a pedra fundamental é benta em 8 de dezembro de 1940 por Dom Alberto José Gonçalves, e a obra, tocada pelo mestre João Scarparo, é inaugurada em 9 de agosto de 1942, dia do Santo Cura d'Ars.

    Livro de Tombo da Paróquia de São Sebastião; A Mococa, 9 de agosto de 1942.

  17. 15 de agosto de 1950

    A bênção do órgão

    O padre Marcos Maria de Alvarez realiza a bênção do órgão Hammond da Igreja Matriz, que passaria a acompanhar as celebrações e os corais da paróquia.

  18. 1951–1959

    Novas igrejas, mesma paróquia

    O cônego Paulo Haroldo Ribeiro reconstrói inteiramente a antiga capela da Santa Cruz — obra iniciada em 1º de março de 1954 e inaugurada em 21 de abril de 1955 — e edifica a Igreja de São Cristóvão. Foi também um dos protagonistas da criação do Cine Mococa e do Centro Social Católico, fundado em 1º de julho de 1959.

    Livro de Tombo da Paróquia de São Sebastião.

  19. 16 de janeiro de 1960

    Diocese de São João da Boa Vista

    A bula In Similitudinem Christi, do Papa João XXIII, cria a Diocese de São João da Boa Vista, instalada em 31 de julho daquele ano. A Paróquia São Sebastião de Mococa, até então ligada à Diocese de Ribeirão Preto, passa a integrá-la.

  20. 27 de agosto de 1983

    A primeira paróquia desmembrada

    No longo paroquiato do monsenhor Demosthenes Paraná Brasil Pontes — 32 anos à frente da Matriz e duas vezes prefeito de Mococa — é criada a Paróquia da Sagrada Família, a primeira desmembrada de São Sebastião. Seu primeiro pároco foi o cônego João Antônio Darcie, até então coadjutor.

  21. Desde 2018

    A grande reforma da Matriz

    O padre dr. Wladimir Porreca, 25º pároco, conduz uma reforma ampla do templo que há mais de 130 anos domina o ponto mais alto da praça e é o cartão-postal da cidade. Entre os trabalhos está a recuperação dos lustres da Matriz, com orientação técnica da museóloga Heloisa Maria Pinheiro de Abreu Meirelles.

  22. 25 de novembro de 2025

    A Capela de Santa Clotilde renasce

    Restaurada pela Paróquia São Sebastião e por um grupo de voluntárias, a capela gótica do Cemitério Municipal — erguida em 1920 pelo arquiteto Gherardo Bozzani e benta pelo monsenhor Félix Brandi — é reinaugurada sob a invocação de Nossa Senhora da Esperança. Ali repousam os monsenhores Félix Brandi, Argilio Malatesta e Demosthenes Pontes.

    Heloisa M. P. de A. Meirelles e padre Wladimir Porreca, Revista de Estudos do IBG nº 5.

A Matriz por dentro

Cruz latina, três naves e mãos italianas

«O architeto que desenhou o projecto, coadjuvado pelo empreiteiro, soube dar á grandiosa construção um caráter em tudo particular, de excellente gosto artístico», escreveu o engenheiro Paulo Lanzoni no jornal A Mococa, poucos dias depois da inauguração de 1896. A onda de imigração italiana das últimas décadas do século XIX trouxe à cidade engenheiros, pintores, escaiolistas e marceneiros que assinaram a feição interna do templo.

Cruz latina, três naves

O templo inaugurado em 1896 tem forma de cruz latina dividida em três naves: 53 metros de comprimento, 22 metros na maior largura e 15 metros de altura, conforme a descrição do engenheiro Paulo Lanzoni publicada no jornal A Mococa.

A torre de 50 metros

Do nível do chão ao alto, a torre alcança 50 metros. No ponto mais elevado da praça, «à cavaleiro da antiga Mococa», ela é vista de quase toda a cidade — cartão-postal há mais de 130 anos.

Cúpula dos evangelistas

Cerca de 70 m² de pintura em têmpera a óleo com os quatro evangelistas — Mateus, Marcos, Lucas e João — emoldurados por grotescos e efeitos de trompe-l'œil.

Presbitério e altares

Teto azul-celeste salpicado de estrelas douradas, com a Santíssima Trindade ao centro. A capela-mor e os altares laterais, com suas obras de talha, foram erguidos no paroquiato do padre Sigar (1864–1880).

Escaiola e folha de ouro

Paredes e colunas decoradas em escaiola, técnica italiana que imita mármore, atribuída ao mestre de obras Felice Calvitti. Os capitéis receberam folha de ouro nos anos 1950, quando a Capela do Santíssimo foi decorada por Nicolau José Biagini.

Os lustres restaurados

A recuperação dos lustres integra a reforma conduzida desde 2018, com orientação técnica da museóloga Heloisa Maria Pinheiro de Abreu Meirelles, especialista formada pelo MAE-USP.

Memória sacerdotal

Padres que serviram esta comunidade.

A história da Matriz também passa pelos capelães, párocos e administradores que acompanharam gerações de famílias — da ermida da fazenda Alegria à igreja de hoje. Toque em um nome para ler sua memória pastoral.

25 de 25 sacerdotes

imagem de são sebastião
São Sebastião, mártir e padroeiro

Padroeiro

São Sebastião, mártir e protetor

Soldado romano martirizado no século III por permanecer fiel à fé cristã, São Sebastião é venerado como protetor contra a peste, padroeiro dos soldados e da lavoura, e intercessor em tempos de adversidade. Sua memória litúrgica é celebrada em 20 de janeiro.

A escolha do orago não foi casual: a devoção vinha da família de dona Catharina Candida de Senna, a primeira doadora das terras. Seu irmão, Joaquim José da Cunha Bastos, mandara erguer em 1823 uma capela a São Sebastião no sul de Minas, que deu origem à cidade de Areado.

Em Mococa, a festa do padroeiro reúne a comunidade na novena, na missa solene e na procissão pelas ruas do centro, conservando uma tradição que acompanha a paróquia desde a primeira capela.

Festa do padroeiro · 20 de janeiro

Pertença diocesana

Diocese de São João da Boa Vista

Ao longo de sua história a paróquia mudou de casa episcopal mais de uma vez. As primeiras provisões vieram do Bispado de São Paulo — de Dom Manoel Joaquim Gonçalves de Andrade, que autorizou a capela em 1846, a Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, que delegou a bênção da pedra fundamental em 1892. Depois foi a Diocese de Ribeirão Preto que acompanhou a comunidade: Dom Alberto José Gonçalves benzeu a pedra fundamental e a inauguração da Casa Paroquial, em 1940 e 1942.

Em 16 de janeiro de 1960, a bula In Similitudinem Christi, do Papa João XXIII, criou a Diocese de São João da Boa Vista, instalada em 31 de julho daquele ano com a posse de Dom David Picão, seu primeiro bispo. A Paróquia São Sebastião de Mococa é uma de suas comunidades históricas.

Pesquisa histórica

Os marcos desta página foram reunidos a partir de «170 anos da Freguesia de São Sebastião da Boa Vista», de Leonardo Borgheti Marques Falarini Belotti, e da Revista de Estudos do Instituto Bruno Giorgi (ano 2, nº 5, 2026), que trabalham sobre documentação de arquivos paroquiais, cartoriais e da imprensa da época.

Fontes citadas nessas obras: Livro de Tombo da Paróquia de São Sebastião, Registro Paroquial de Terras da Vila de Casa Branca, autos do Juízo Municipal de Casa Branca, os jornais A Mococa, Monitor Paulista e Correio Paulistano, e os livros de Humberto de Queiroz (1913), Lafayette de Toledo, Adriano Campanhole, Mário Leite e Carlos Alberto Paladini.

Tem material histórico para compartilhar?

Fotos antigas, recortes de jornal, livros tombo, registros pastorais ou lembranças de família ajudam a completar a memória da Matriz. A secretaria recebe e digitaliza esse material com cuidado.