Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Viu pois Jônatas que o tempo lhe corria favorável, e escolheu certos homens, e enviou-os a Roma a confirmar, e renovar a amizade com os romanos:
2Mandou também aos lacedemônios, e a outros lugares cartas do mesmo teor:
3E foram os seus embaixadores a Roma, e entraram no senado, e disseram: Jônatas, sumo sacerdote, e o povo judeu nos enviaram aqui a renovar convosco a amizade, e a aliança, como ela foi antes feita entre nós.
4E os romanos lhes deram cartas dirigidas aos seus oficiais em cada província, para eles os fazerem conduzir em paz até a Judeia.
5E a cópia das cartas, que Jônatas escreveu aos lacedemônios, é como se segue:
6Jônatas, sumo sacerdote, e os anciãos da nação e os sacerdotes, e o resto do povo judeu, aos lacedemônios seus irmãos, saúde.
7Muito tempo há que foram enviadas cartas ao sumo sacerdote Onias por Ário, que reinava entre vós, que testemunharam que vos éreis nossos irmãos, como se contém no seu transunto, que vai junto.
8E Onias recebeu com grande honra o mensageiro, que tinha sido enviado: E aceitou as cartas, onde ele lhe falava desta aliança, e amizade.
9Nós, posto que não tivéssemos necessidade alguma destas coisas, tendo para nossa consolação os santos livros, que estão entre nossas mãos,
10quisemos antes contudo enviar-vos mensageiros para renovarmos esta confraternidade, e amizade, temendo não viéssemos a ficar como estranhos a vosso respeito: visto ter já passado muito tempo, desde que vós cá mandastes.
11Nós pois em todo o tempo sem interrupção, nos dias solenes, e nos outros, em que convém, nos lembramos de vós nos sacrifícios, que oferecemos, e nas nossas santas cerimônias como é justo, e pede a decência que nos lembremos dos irmãos.
12Nós portanto nos regozijamos da vossa glória.
13Mas a nós outros nos têm cercado grandes tribulações, e várias guerras, e nos têm invadido os reis que estão em nossos contornos.
14Entretanto não quisemos ser pesados nem a vós, nem aos outros aliados, e nossos amigos, em todos estes combates:
15Porque temos tido o socorro do céu, e nós fomos livres, e os nossos inimigos se viram humilhados.
16Portanto escolhemos a Numenio, filho de Antioco, e a Antipatro, filho de Jasão, e os enviamos aos romanos a renovar a antiga aliança, e amizade, que temos com eles.
17Assim que nós lhes demos ordem, que fossem também a vós, e que vos cumprimentassem da nossa parte: E que vos entregassem as nossas cartas sobre a renovação da nossa confraternidade.
18E agora fareis bem se nos responderdes a isto.
19E este é o traslado das cartas, que Ário tinha enviado a Onias:
20Ário, rei dos lacedemônios, ao sumo sacerdote Onias, saúde.
21Achou-se aqui numa escritura sobre os lacedemônios, e os judeus, que eles são irmãos, e que todos vêm da linhagem de Abraão.
22Agora pois desde que nós soubemos isto, fazeis bem de nos escrever acerca da vossa paz:
23E também nós vos respondemos: Os nossos gados e todos os nossos bens são vossos: E os vossos são nossos: E isto é o que nós ordenamos que se vos declarasse da nossa parte.
24Entretanto ouviu dizer Jônatas, que os generais de Demétrio tinham voltado com um exército muito maior que o de antes, para pelejar contra ele:
25E partiu Jônatas de Jerusalém, e se foi encontrar com eles no país de Amatite: Porque não queria dar-lhes tempo de entrarem pelas suas terras.
26E mandou espias ao arraial dos inimigos: E depois de voltarem os avisaram de que eles tinham resolvido vir sobre eles de noite.
27Tanto pois que se pôs o sol, mandou Jônatas aos seus que vigiassem, e estivessem toda a noite sobre as armas, apercebidos para a peleja, e pôs guardas em torno do arraial.
28E ouviram os inimigos que Jônatas com a sua gente se conservava prestes para o combate: E tiveram medo, e perderam o alento sobressaltados de pavor: E acenderam fogos no seu campo.
29Mas Jônatas, e os que com ele estavam, não deram fé da sua retirada até pela manhã: E estavam vendo as fogueiras acesas.
30E Jônatas foi atrás deles mas não os pôde apanhar: Porque já tinham passado o rio Eleutero.
31Dali marchou Jônatas na volta dos árabes que se chamam zabadeus, e desbaratou-os, e tomou os seus despojos.
32Depois reuniu a sua gente, e veio a Damasco, e fazia correrias por toda aquela província.
33Ao mesmo tempo saiu Simão, e foi até Ascalon, e até às fortalezas vizinhas: E de lá partiu para Jope, e a tomou.
34(Porque tinha sabido que eles queriam entregar a praça aos do partido de Demétrio) e pôs ali guarnição que guardasse a cidade.
35E voltou Jônatas, e convocou os anciãos do povo, e assentou com eles levantar fortalezas na Judeia,
36e edificar muros em Jerusalém, e levantar um muro de grande altura entre a fortaleza e a cidade para a separar da cidade, de sorte que ficasse ela sem comunicação, e os de dentro não pudessem comprar nem vender,
37Eles pois se ajuntaram, para edificarem a cidade; e havia caído o muro, que estava sobre o ribeiro da banda do nascente, e Jônatas reparou aquele que se chama Caféteta:
38Simão da mesma sorte edificou Adiada em Séfela, e a fortificou, e lhe pôs portas e fechaduras.
39Mas Trifão tendo resolvido fazer-se rei da Ásia, e tomar o diadema, e matar o rei Antioco:
40Temendo não lho tolhesse Jônatas, e não lhe declarasse guerra, buscava meios de se apoderar da sua pessoa, e de o matar. E levantando o seu campo se foi para Betsan:
41E marchou Jônatas em seu encontro com quarenta mil homens escolhidos para lhe dar batalha, e veio para Betsan.
42E quando Trifão viu que Jônatas era chegado com um grande exército para o combater, ficou cheio de medo:
43E recebeu-o com grande honra, e recomendou-o a todos os seus amigos, e fez-lhe presentes: E mandou a todo o seu exército que lhe obedecessem, como a ele mesmo.
44Depois disse a Jônatas: Porque fatigaste tu inutilmente todo este povo, quando nós não temos guerra um com outro?
45Manda-os pois agora para suas casas, e escolhe dentre eles alguns poucos, que fiquem contigo e vem comigo para Ptolemaida, que eu ta entregarei com as outras fortalezas, e com as tropas, e com todos os que têm a intendência dos negócios, e feito isto eu me retirarei: Porque a isto é que eu vim.
46E creu-o Jônatas, e fez o que ele lhe disse: E despediu as suas tropas, as quais se tornaram para a terra de Judá.
47E ele não reteve consigo senão três mil homens: Dos quais mandou ainda dois mil para Galileia, e mil se foram com eles.
48E tanto que Jônatas entrou em Ptolemaida, fecharam as portas da cidade os ptolemenses: E o apanharam e passaram ao fio da espada todos os que tinham entrado com ele.
49E Trifão enviou as suas tropas, e a sua cavalaria para Galileia e para o campo grande para matarem todos os companheiros de Jônatas.
50Mas estes, tendo sabido que Jônatas tinha sido preso, e tinha perecido com todos os que com ele estavam, uns aos outros se animaram, e saíram apercebidos para combater.
51Os que os tinham perseguido porém, vendo-os de todos resolutos a vender bem caro as suas vidas, tornaram para trás:
52Assim eles vieram todos em paz para a terra de Judá. E choraram muito a Jônatas, e aos que com ele tinham estado: E Israel tomou apertado nojo.
53Então todos os povos, que estavam ao redor deles, procuraram perdê-los: Porque disseram:
54Eles não têm chefe, nem pessoa que os auxilie: Ataquemo-los pois agora: E apaguemos o seu nome da memória dos homens.
