Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Então se levantou em lugar dele seu filho Judas, que tinha o sobrenome de Macabeu.
2E todos os seus irmãos o ajudavam: E todos aqueles que se tinham unido a seu pai, e pelejavam com alegria em defensa de Israel.
3E dilatou a glória do seu povo, e se vestiu de couraça como um gigante, e se forrou com as suas armas bélicas nos combates, e protegia todo o arraial com a sua espada.
4Ele se fez semelhante ao leão nas suas grandes ações, e como o leãozinho que ruge à vista da presa.
5E ele perseguiu os maus, buscando-os por toda a parte: E queimou em vivas chamas os que perturbavam o seu povo.
6E todos os seus inimigos foram rechaçados pelo temor que lhe tinham, e todos os obreiros da iniquidade se turbaram: E pelo seu braço foi procurada a salvação do povo.
7E exasperava a muitos reis, e alegrava a Jacó com seus grandes feitos, e a sua memória será eternamente em bênção:
8E correu as cidades de Judá, e lançou fora delas os ímpios, e apartou a ira de Deus de cima de Israel.
9E ele se fez célebre com grande nomeada até às extremidades da terra, e reuniu os que estavam a ponto de perecer.
10Neste tempo Apolônio ajuntou as nações, e levantou de Samaria um grande e poderoso exército para pelejar contra Israel.
11E soube-o Judas, e lhe saiu ao encontro: E o derrotou, e matou; e caíram muitos feridos, e os demais fugiram:
12E tomou os despojos deles: e tirou Judas a espada de Apolônio, e com ela pelejava sempre.
13E ouviu Seron, general do exército da Síria, que Judas havia reunido consigo uma multidão, e congregação de fiéis à lei,
14E disse: Eu alcançarei grande reputação, e ficarei com grande glória no meu reino, e debelarei a Judas, e aos que estão com ele que desprezavam as ordens do rei.
15Ele pois se preparou para o atacar: E o exército dos ímpios o seguiu, servindo-lhe de um poderoso socorro, para tomarem vingança dos filhos de Israel.
16E chegaram até Betoron: E Judas lhe saiu ao encontro com pouca gente.
17Mas estes, tanto que viram marchar contra eles o exército inimigo, disseram a Judas: Como poderemos nós, sendo tão poucos, e vindo fatigados do jejum de hoje, pelejar contra um tão numeroso e forte exército?
18E Judas lhes disse: É coisa fácil virem a cair os muitos nas mãos dos poucos: E quando o Deus do céu quer salvar, diante de seus olhos não há diferença entre o grande número e o pequeno:
19Porque a vitória, que se alcança na guerra não depende da grandeza dos exércitos, mas dos céus é que vem toda a fortaleza.
20Eles vêm contra nós com uma grande multidão de gentes soberbas, e insolentes, para nos perderem a nós, e a nossas mulheres, e a nossos filhos, e para se enriquecerem com os nossos despojos:
21Mas nós nos havemos de pelejar pelas nossas vidas e pelas nossas leis:
22E o mesmo Senhor quebrará todos os seus esforços diante da nossa face: Por isso não tenhais vós medo deles.
23E tanto que cessou de falar, lançou-se Judas de repente sobre eles: Foi desbaratado Seron, e o seu exército diante dele:
24E Judas o perseguiu na descida de Betoron até a Planície, e morreram deles oitocentos homens; os mais porém fugiram para a terra dos filisteus.
25Então o terror e medo que infundiam Judas, e seus irmãos, se espalhou por todas as gentes em contorno deles:
26E chegou a fama do seu nome até ao mesmo rei, e todos os povos falavam das batalhas de Judas.
27Tanto porém que o rei Antíoco ouviu estas novas, concebeu grande ira: E mandou logo levantar em todo seu reino tropas, de que formou um exército sobremaneira poderoso:
28E abriu o seu erário, e pagou às suas gentes um ano: E lhes mandou que estivessem prestes para tudo.
29Mas viu que lhe faltava o dinheiro de seus tesouros, e que eram limitados os tributos do país em razão do alvoroço, e do mal que tinha feito naquela terra, porque lhes havia tirado os foros de que gozavam desde tempos antigos:
30E temeu que não teria, como dantes costumava, para os gastos e donativos, que dantes havia feito com mão larga: E em que tinha excedido aos reis seus predecessores.
31E ele estava consternado em extremo no seu interior, e resolveu ir à Pérsia, e arrecadar os tributos daquelas províncias, e ajuntar muita prata.
32Deixou pois a Lísias, príncipe esclarecido da casa real, para que tivesse cuidado dos negócios do reino, e mandasse nele desde o rio Eufrates até o rio do Egito:
33E outrossim curasse da educação de seu filho Antíoco, até ele voltar.
34E deixou-lhe a metade do exército e os elefantes: E deu-lhe as suas ordens sobre tudo o que queria fazer, e sobre o que tocava aos habitantes da Judeia e de Jerusalém:
35E mandou-lhe que enviasse lá um exército, para perder e extirpar inteiramente todas as forças de Israel, e os restos de Jerusalém, e para apagar deste lugar tudo o que pudesse renovar a sua memória:
36E que pusesse por habitadores em todos os termos deles a filhos de estrangeiros, e repartisse por sorte a sua terra.
37O rei, pois, tomou a outra metade do exército que lhe restava, e saiu de Antioquia, capital do seu reino, no ano cento e quarenta e sete: e passou o rio Eufrates, e atravessava já as altas províncias.
38E Lísias escolheu a Ptolomeu, filho de Dorimino, e a Nicanor, e a Gorgias, que eram homens poderosos entre os amigos do rei:
39E mandou com eles quarenta mil infantes, e sete mil cavalos para que fossem à terra de Judá, e assolassem conforme a ordem do rei.
40Eles pois marcharam com todas as suas tropas, e chegaram lá, e se acamparam numa planície do território de Emaús.
41E os mercadores das províncias ouviram a fama deles: E tomaram muita prata, e ouro em abundância, e criados: E foram ao arraial, com o fim de comprarem os filhos de Israel para escravos, e os exércitos da Síria se ajuntaram a eles, como também os das terras estrangeiras.
42Então viu Judas, e seus irmãos, que os males se tinham multiplicado, e que os exércitos se vinham chegando para as suas fronteiras: E tiveram notícia das ordens do rei, que ele tinha dado para destruir e acabar de uma vez com o povo:
43E disseram cada um para o seu companheiro: Levantemos o nosso povo caído no abatimento, e pelejemos pelo nosso povo, e pelas santas coisas da nossa religião.
44Eles pois se ajuntaram num corpo para se prepararem para a peleja: E para fazerem oração ao Senhor, e implorarem a sua misericórdia, e as suas comiserações.
45E Jerusalém não estava então habitada, mas parecia como um deserto: Entre seus filhos nenhum havia que entrasse e saísse dela: E o santuário estava pisado aos pés: E os filhos dos estrangeiros estavam no Alcácer; ali era a habitação dos gentios: E foi desterrada de Jacó toda a alegria, e faltou ali a flauta e a cítara.
46Eles pois se ajuntaram, e vieram para Masfa, que é defronte de Jerusalém: Porque antes havia em Masfa um lugar de oração para Israel.
47E jejuaram aquele dia, e vestiram-se de cilícios, e puseram cinza sobre as suas cabeças: E rasgaram os seus vestidos:
48E abriram os livros da lei, nos quais os gentios procuravam achar alguma coisa que tivesse semelhança com os seus ídolos:
49E trouxeram os ornamentos sacerdotais, e as primícias, e os dízimos: E fizeram vir os nazarenos, que tinham cumprido os seus dias:
50E gritaram com grandes brados ao céu, dizendo: Que faremos nós destes? e para onde os levaremos?
51E o teu santuário foi pisado aos pés, e contaminado, e os teus sacerdotes estão em luto e em humilhação:
52E eis-aí se ajuntaram as nações contra nós, para nos perderem: Tu sabes que desígnios são os seus contra nós.
53Como poderemos nós subsistir diante da sua face, se tu, ó Deus, nos não assistires?
54E fizeram retinir as trombetas com grande estrondo.
55E depois disto nomeou Judas oficiais, que comandassem o exército, coronéis sobre mil homens, e capitães sobre cem, e subalternos sobre cinquenta, e sobre dez.
56E disse aos que acabavam de edificar casas, e de receber mulheres, e de plantar vinhas, e aos que eram tímidos, que voltassem cada um para suas casas conforme a lei,
57Feita esta diligência abalaram, e se foram alojar perto de Emaús, da banda do meio-dia.
58E Judas lhes disse: Tomai as vossas armas e sede homens de valor, e estai prontos para amanhã pela manhã, a fim de pelejardes contra estas nações, que se ajuntaram contra nós para nos perderem, e para destruírem a nossa santa religião:
59Porque melhor nos é morrer combatendo em campal batalha, do que ver os males da nossa gente, e a destruição de todas as coisas santas.
60Mas cumpra-se o que for vontade de Deus no céu.
