Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Ora nas relações do profeta Jeremias se acha escrito que ele aos que iam da Judeia para um país estrangeiro, lhes mandou que tomassem o fogo: Como já ficou indicado, e como ele o prescreveu aos que eram levados cativos.
2E o mesmo profeta lhes deu a lei, para que eles se não esquecessem dos preceitos do Senhor, nem se extraviassem nos seus espíritos vendo os ídolos de ouro, e de prata, e os seus adornos.
3E dando-lhes outros avisos semelhantes a estes os exortava a que não apartassem do seu coração a lei.
4Continha-se outrossim no mesmo escrito, como este profeta por ordem particular que tinha recebido de Deus, mandou que levassem com ele o tabernáculo, e a arca, até que chegasse ao monte, a que Moisés tinha subido, e do qual ele viu a herança de Deus.
5E tendo ali chegado Jeremias, achou naquele lugar uma caverna: E meteu nela o tabernáculo, e a arca, e o altar dos perfumes, e tapou-lhe a entrada.
6Alguns porém dos que o seguiam, se chegaram juntos para notarem este lugar: E não puderam achá-lo.
7E quando isto soube Jeremias, repreendendo-os, disse: Sabei que este lugar ficará incógnito, até que Deus reuna a congregação do povo, e se lhe mostre propício:
8E então descobrirá o Senhor estas coisas e aparecerá a majestade do Senhor, e ver-se-á uma nuvem, como também se manifestava a Moisés, e assim como apareceu a Salomão quando pediu que o templo fosse santificado pelo grande Deus.
9Porque então fazia ele resplandecer magnificamente a sua sabedoria: E ele ofereceu o sacrifício da dedicação, e da consumação do templo, como quem estava cheio de sabedoria.
10E assim como Moisés orava ao Senhor, e desceu fogo do céu e consumiu o holocausto, por semelhante modo também orou Salomão, e desceu fogo do céu, que consumiu o holocausto.
11E Moisés disse pelo motivo de que se não comeu a hóstia que era oferecida pelo pecado, foi ela consumida.
12Também Salomão da mesma sorte celebrou por oito dias a dedicação.
13E estas mesmas coisas se achavam nos escritos, e memórias de Neemias: E ele as descreveu como quem, formando uma biblioteca, ajuntara de diversos países livros, assim os dos profetas, como os de Davi, e as cartas dos reis, e o que tocava aos seus dons.
14E do mesmo modo também Judas Macabeu recolheu tudo o que se havia perdido durante a guerra, que nos sobreviera, e esta coleção nós a temos nas nossas mãos.
15Se vós pois desejais estes escritos, mandai pessoas que vo-los possam levar.
16Nós pois vos escrevemos, estando a ponto de celebrar a purificação: E vós fareis bem se celebrardes esta festa.
17Porque Deus, que livrou o seu povo, e que restituiu a todos a herança, e o reino, e o sacerdócio, e o lugar santo,
18conforme o tinha prometido na lei, esperamos que cedo nos fará misericórdia, e nos tornará a ajuntar de todos os países, que estão debaixo do céu, no seu santo lugar.
19Pois que ele nos livrou de grandes perigos, e purificou o seu templo.
20Nós pois temo-nos proposto escrever o que toca a Judas Macabeu, e a seus irmãos, e sobre a purificação do grande templo, e a respeito da dedicação do altar:
21E também acerca das batalhas que se deram sob Antioco, ilustre, e sob seu filho Eupator:
22E sobre as manifestas aparições que tiveram do céu aqueles que pelejaram pelos judeus com tanto valor, que sendo poucos, se fizeram senhores de todo o país: E puseram em fugida um grande número de bárbaros.
23E recobraram o mais famoso templo que há em todo o mundo, e livraram a cidade da escravidão, restituíram ao seu vigor as leis, que tinham sido abolidas, tendo-se-lhes o Senhor mostrado propício com evidentes provas da sua bondade:
24E além disto o que Jasão de Cirene compreendeu em cinco livros, procuramos nós epitomar num só volume.
25Porquanto considerando a multidão de livros, e a dificuldade que encontram os que querem aplicar-se às narrações das histórias por causa da multidão dos sucessos,
26procuramos em benefício dos que desejarem com efeito ler esta nossa, que ela lhes servisse de recreação do espírito: E para comodidade dos estudiosos, que eles a pudessem entregar mais facilmente à memória, e pudesse geralmente ser útil a todos os que a folhearem.
27Mas na verdade pelo que diz respeito a nós, que nos encarregamos de fazer o resumo desta obra, não é ligeiro trabalho que temos tomado, antes porém uma empresa cheia de vigílias, e de suor.
28Como aqueles que dispõem um banquete, e procuram lisonjear o gosto dos outros, assim nós, pelo proveito que daqui muitos podem tirar, levamos de boa vontade esta fadiga.
29E deixando correr a afirmação da verdade de cada um dos fatos por conta dos autores que os referem, nós com isso tomamos à nossa o resumi-los segundo foi nossa tenção.
30Porque assim como um arquiteto, que empreende edificar uma casa nova, deve pôr o cuidado em regular toda a sua fábrica: E o que trata de a pintar, há de inquirir o que é acomodado para o seu ornato: Da mesma sorte se deve julgar também de nós.
31Porquanto quem compõe uma história, deve recolher diferentes espécies de que ela se teça, e distribuir cada uma delas por sua ordem, e examinar com individuação cada uma de suas partes:
32Mas a quem faz um resumo, se deve permitir que siga a brevidade no que escreve, e fuja dilatar-se em longos discursos.
33Nós pois começaremos daqui a nossa narração: Para prefação baste só o que temos dito: Porque seria uma loucura sermos difusos na prefação da história, e sucintos no corpo dela.
