Brasão da Paróquia São SebastiãoParóquia São SebastiãoMococa-SP

Baruc 6

Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.

1Cópia da carta que Jeremias mandou aos cativos, que pelo rei dos babilônios estavam para ser levados a Babilônia, a fim de que lhes anunciasse tudo conforme o que lhe foi por Deus mandado. Por causa dos pecados, que cometestes diante de Deus, vos sereis levados cativos a Babilônia por Nabucodonosor, rei dos babilônios.

2Nestes termos, depois de haverdes entrado em Babilônia, estareis ali muitos anos, e largos tempos, até sete gerações: E depois disto vos tirarei dali em paz.

3Mas agora vereis em Babilônia, que são levados aos ombros deuses de ouro, e de prata, e de pedra, e de madeira, metendo medo às gentes.

4Vede pois não suceda que também vos torneis semelhantes no procedimento aos estrangeiros, e que temais estes deuses e vos deixeis possuir do seu temor.

5Quando virdes pois por detrás, e diante deles a turba, que os adora, dizei em vossos corações: Tu, Senhor, é que deves ser adorado.

6Porque o meu anjo está convosco: E eu mesmo terei cuidado das vossas almas.

7Porque a língua deles polida pelo escultor, e eles dourados, e prateados são uns falsos representativos, que não podem falar.

8E assim como se fazem adornos a uma donzela apaixonada por enfeites: Assim depois de fabricados eles se revestem com o ouro, que recebem.

9Os deuses deles têm por certo coroas de ouro sobre as suas cabeças: Mas os sacerdotes os despojam do ouro, e da prata, e o gastam em seus próprios usos.

10E ainda dão deste ouro às prostitutas e enfeitam as meretrizes: E depois de haverem tomado outra vez das meretrizes, adornam com ele os seus deuses.

11Mas estes não se livram da ferrugem, nem da traça.

12E depois de os trajarem de um vestido de púrpura, lhes limpam os rostos, por causa do pó que se levanta no lugar onde estão, que entre eles é muito.

13Tem também um cetro na mão como homem, à maneira de um juiz de província, mas ele não mata a quem o ofende.

14Tem também na mão espada, e cutelo, mas não se pode livrar a si mesmo da guerra, nem dos ladrões. Por onde seja-vos este um manifesto argumento de que não são deuses.

15Portanto não os temais. Porque assim como uma vasilha, se se quebra, fica inútil ao homem, tais são também os deuses deles:

16Postos eles numa casa, os seus olhos se enchem de pó feito levantar pelos pés dos que entram.

17E assim como a algum que ofendeu ao rei se lhe fecham as portas: Ou como a um morto que foi levado ao sepulcro: Do mesmo modo seguram os sacerdotes as portas com fechaduras, e ferrolhos, para que não sejam despojados pelos ladrões.

18Acendem-lhes lâmpadas, e na verdade muitas, das quais não podem ver nenhuma: Porque são como as vigas nas casas.

19E dizem que as serpentes que saem na terra lhes lambem os corações, quando os roem a eles, e aos seus vestidos, e não no sentem.

20Negras se tornam as suas caras com o fumo, que se faz na casa.

21Sobre o seu corpo, e sobre a sua cabeça voam os mochos, e as andorinhas, e outras aves ainda do mesmo modo, até as gatas.

22Daqui sabei que não são deuses: E assim não os temais.

23Também o ouro que eles têm, é para o adorno. Se alguém lhes não limpar a ferrugem, não reluzirão: Pois nem ainda quando os fundiam, o sentiam.

24A todo o preço são comprados, e não há espírito algum neles.

25Sem pés são levados sobre os ombros, mostrando aos homens a sua vileza. Sejam também confundidos os que os adoram.

26Por cuja causa se eles caírem em terra, não se levantam por si mesmos: E se algum os puser direitos, não se terão por si mesmos, mas por-lhes-ão diante, como mortos, os donativos que lhes oferecerem.

27Os seus sacerdotes vendem as oferendas deles, e fazem delas um mau uso: E assim mesmo as mulheres deles encetando-as, não dão disso coisa alguma nem ao enfermo, nem ao mendigo,

28elas prenhes, e no seu estado de impureza tocam os sacrifícios deles. Assim que sabendo vós por estes princípios que não são deuses, não os temais.

29Pois por que lhes chamam deuses? Porque as mulheres fazem oferendas a deuses de prata, e de ouro, e de madeira:

30E nas suas casas estão assentados os sacerdotes, tendo as túnicas rasgadas, e as cabeças, e a barba rapada, e as suas mesmas cabeças descobertas.

31E rugem, fazendo alaridos diante dos seus deuses como na ceia de um morto.

32Os sacerdotes lhes tiram os seus vestidos, e com eles vestem as suas mulheres, e a seus filhos.

33Nem, se eles experimentam algum mau tratamento da parte de qualquer, ou algum obséquio, lhe poderão dar o pago: Nem podem pôr um rei, nem tirá-lo.

34Nem tão pouco podem dar riquezas, nem retribuir o mal. Se algum lhes fizer um voto, e o não cumprir: Nem isto eles requerem.

35Não livram a um homem da morte, nem defendem ao fraco do mais poderoso.

36Não restituem a vista a um homem cego, não livrarão ao homem da sua necessidade.

37Não se compadecerão da viúva, nem farão bem aos órfãos.

38Os deuses deles são semelhantes às pedras do monte, sendo feitos de madeira, e de pedra, e de ouro, e de prata: Mas os que os adoram serão confundidos.

39Como se pode pois ajuizar, ou dizer, que eles são deuses?

40Porque ainda os mesmos caldeus os desonram: Os quais depois de terem ouvido que um mudo não pode falar, apresentam-no a Bel, pedindo-lhe que lhe dê fala:

41Como se pudessem sentir os que não têm movimento, ainda eles mesmos, quando se desenganarem, os desampararão: Visto não terem os mesmos deuses deles sentimento algum.

42Também se veem umas mulheres cingidas de cordas, que estão assentadas nos caminhos, queimando caroços de azeitona.

43E quando alguma delas, atraida por algum passageiro, dormir com ele, lança em rosto à sua vizinha que ela não fora julgada digna de honra como ela, nem a sua corda se quebrará.

44E todas as coisas que se fazem para eles, são falsas. Como se pode logo ajuizar, ou dizer que eles são deuses?

45Por estatuários pois, e ourives do ouro foram eles feitos. Nenhuma outra coisa serão, senão aquilo que querem que sejam os sacerdotes.

46Também os mesmos artífices que as fazem, não são de muita duração. Pois como podem ser deuses aquelas coisas, que por eles mesmos foram fabricadas?

47E não deixaram outra coisa que engano, e opróbrio aos que hão de vir depois.

48Porque depois de lhes sobrevir alguma guerra, e quaisquer males: Consultam os sacerdotes entre si, onde se hão de esconder com eles.

49Como deve logo crer-se que são deuses os que nem se podem livrar da guerra, nem defender-se das calamidades?

50Porque como eles sejam de madeiros dourados, e prateados, vir-se-á a saber algum dia por todas as nações e reis, que são falsos: O que faz ver claramente que não são deuses, senão obras de mãos de homens, e não há neles operação alguma de Deus.

51De onde se pode saber logo que não são deuses, senão obras de mãos de homens, e que não há virtude alguma de Deus neles?

52Não põem rei a província alguma, nem darão chuva aos homens.

53Assim mesmo não decidirão pleito, nem livrarão as províncias da injúria: Porque nada podem, como as gralhas que voam entre o céu e a terra.

54Pois se se atear fogo na casa dos deuses de madeira, de prata, e de ouro, os seus sacerdotes por certo fugirão, e se livrarão: Mas eles, como as vigas no meio das chamas, se queimarão.

55Mas nem a um rei, nem numa guerra farão resistência. Como se pode logo ajuizar, ou admitir que são deuses?

56Não se poderão defender dos ladrões, nem dos salteadores uns deuses de madeira, e de pedra, e dourados, e prateados, quando os tais que podem mais do que eles,

57os despojarão do ouro, e da prata, e dos vestidos de que estão cobertos, e se irão com ele, e não se poderão valer a si mesmos.

58De tal sorte que melhor é ser um rei, que ostenta as suas forças: Ou uma vasilha útil em uma casa, com a qual se contente o que a possui: Ou uma porta em qualquer casa, que guarda o que há dentro dela, que ser um destes falsos deuses.

59O sol por certo, e a lua, e as estrelas, sendo resplandecentes, e destinadas para vários usos, obedecem.

60Da mesma sorte o relâmpago também quando fuzilar, se deixa ver: E da mesma maneira até o vento que assopra por toda a região.

61E as nuvens, quando por Deus lhes for mandado que corram todo o mundo, cumprem o que lhes é mandado.

62O fogo também que é enviado de cima, para que consuma os montes, e os bosques, faz o que se lhe tem ordenado. Mas estes não se assemelham a nenhuma coisa daquelas, nem em parecer, nem em poder.

63Por onde não se deve ajuizar, nem dizer, que eles são deuses, quando não podem nem fazer justiça, nem valer em coisa alguma aos homens.

64Assim que sabendo vos que não são deuses, em consequência disto não os temais.

65Porque eles não amaldiçoarão, nem abençoarão os reis.

66Nem tão pouco mostram no céu às gentes os sinais dos tempos, nem luzirão como o sol, nem alumiarão como a lua.

67Melhores do que eles são os animais, que podem refugiar-se debaixo de coberta, e servir a si de proveito.

68Assim que é para nós manifesto, que de nenhuma maneira são deuses: Por cujo motivo não os temais.

69Porque assim como o espantalho em um meloal o não guarda: Por este modo são os deuses deles de madeira, e de prata, e dourados.

70Do mesmo modo são também como o espinheiro branco em um jardim, sobre o qual vêm pousar todas as aves. Da mesma sorte se assemelham até a um morto lançado em trevas os deuses deles de madeira, e dourados, e prateados:

71Também pela púrpura e escarlata, que a traça rói em cima deles, sabereis finalmente que não são deuses. Eles mesmos nesta conformidade vêm por último a ser comidos, e serão o opróbrio em toda uma região.

72Melhor é o homem justo, que não tem ídolos: Porque estará longe de opróbrios.