Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Toda a sabedoria vem do Senhor Deus, e com ele esteve sempre, e está antes de todos os séculos.
2Quem contou a areia do mar e as gotas da chuva, e os dias do século? Quem mediu a altura do Céu, e a largura da terra, e a profundidade do abismo?
3Quem penetrou a sabedoria de Deus, a qual precede todas as coisas?
4A sabedoria foi criada primeiro que todas as coisas, e o entendimento da prudência é desde o princípio.
5A fonte da sabedoria é o Verbo de Deus nos céus, e a sua entrada são os mandamentos eternos.
6A quem foi descoberta a raiz da sabedoria, e quem conheceu as suas astúcias?
7A quem foi revelada e manifestada a disciplina da sabedoria? E quem compreendeu a multiplicidade dos seus passos?
8Um só, que é o altíssimo Criador onipotente, e rei poderoso: E muito para ser temido, que está assentado sobre o seu trono, e Deus que domina.
9Ele mesmo é o que a criou no Espírito Santo, e o que a viu, e o que a contou, e o que a mediu.
10Ele a difundiu por todas as suas obras, e por toda a carne, segundo a repartição que fez dela, e ele a deu aos que a amam.
11O temor do Senhor é a glória, e o motivo de cada um se gloriar, e a alegria, e uma coroa de regozijo.
12O temor do Senhor deleitará o coração, e dará alegria, e gosto, e longura de dias.
13Aquele que teme ao Senhor será feliz no fim e será abençoado no dia da sua morte.
14O amor de Deus é uma sabedoria digna de ser honrada.
15E aqueles a quem ela se descobrir em visão, amam-na logo que a veem, e que reconhecem as suas grandezas.
16O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e ele foi criado com os homens fiéis desde o ventre de sua mãe; ele anda com as mulheres escolhidas, e ele se dá a conhecer nos justos e nos fiéis.
17O temor do Senhor é a santificação da ciência.
18Esta santificação guardará e justificará o coração, ela lhe dará prazer e gosto.
19O que teme ao Senhor será ditoso, e nos dias da sua consumação será abençoado.
20O temor a Deus é plenitude da sabedoria, é o que enche dos seus frutos aos que a possuem.
21O mesmo temor encherá toda a sua casa dos bens que produz, e os seus celeiros dos seus tesouros.
22O temor do Senhor é a coroa da sabedoria, que enche de paz, e de fruto de salvação:
23e ele a viu, e a contou: E uma e outra coisa é dom de Deus.
24A sabedoria repartirá a ciência, e a luz da prudência: e ela exalta a glória dos que lhes estão unidos.
25A raiz da sabedoria é temer ao Senhor e os seus ramos são de muita dura.
26Nos tesouros da sabedoria acham-se a inteligência e a ciência religiosa: Mas para os pecadores é a sabedoria uma coisa execrável.
27O temor do Senhor lança fora o pecado:
28Porque aquele que está sem temor, não poderá ser justificado: Porque o agastamento da própria animosidade é a sua ruína.
29O homem paciente sofrerá até o tempo destinado, e depois tornar-se-lhe-á a dar a alegria.
30O homem de bom senso reterá em si mesmo as suas palavras até um certo tempo, e os lábios de muitos publicarão a sua prudência.
31As regras do bom comportamento estão encerradas nos tesouros da sabedoria:
32Mas para o pecador será o culto de Deus uma execração.
33Filho, desejando tu com ardor a sabedoria, conserva a justiça, e Deus ta dará.
34Porque o temor do Senhor é a sabedoria, e a disciplina: E o que lhe agrada
35é a fé, e a mansidão, e ele encherá os tesouros daqueles em que elas se acham.
36Não sejas incrédulo ao temor do Senhor: E não te chegues a ele com um coração dobre.
37Não sejas hipócrita diante dos homens, e não te sejam os teus lábios motivo de cair.
38Tem sentido no que eles proferem para que talvez não caias, e não tragas desonra à tua alma,
39e descubra Deus os teus segredos, e no meio da assembleia te destrua:
40Porque te chegaste ao Senhor com disposição maligna, e o teu coração está cheio de dolo e de engano.
