Brasão da Paróquia São SebastiãoParóquia São SebastiãoMococa-SP

1 Macabeus 6

Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.

1Entretanto o rei Antíoco discorria por todas as altas províncias, e ouviu que na Pérsia havia uma cidade nobilíssima, chamada Elimaida, e que era abundante de prata e ouro,

2E nela um templo riquíssimo: E que ali estavam os véus de ouro, e as couraças, e os escudos, que tinha deixado Alexandre, rei de Macedônia, filho de Filipe, que foi o primeiro que reinou na Grécia.

3E marchou, e intentava tomar a cidade e saqueá-la, mas não pôde porque o seu desígnio chegou à notícia dos que estavam na cidade.

4E saíram a pelejar contra ele, e fugiu dali, e se retirou com grande tristeza, e tomou a rota de Babilônia.

5E quando ele ainda estava na Pérsia, chegou-lhe a notícia de que tinha sido posto em fugida o seu exército que estava no país de Judá:

6E que Lísias tendo passado lá com um poder sobremaneira grande, fora posto em fugida pelo valor dos judeus, e que estes se haviam feito mais fortes pelas armas, e pela gente, e com os muitos despojos, que haviam tomado do campo que derrotaram:

7E que tinham destruído o abominável ídolo que ele tinha mandado colocar sobre o altar que estava em Jerusalém, e que tinham cercado o seu templo de altos muros, como antes, e assim mesmo a sua cidade de Betsura.

8E aconteceu que depois que o rei ouviu estas notícias, ficou cheio de espanto, e de grande turbação: E caiu doente de cama, e veio a enfermar de melancolia, porque não lhe tinha sucedido como pensava.

9E havia já muitos dias que ali se achava: Porque se renovou nele uma grande melancolia, e entendeu que morria.

10Chamou pois todos os seus amigos, e lhes disse: O sono fugiu dos meus olhos, e eu me vejo prostrado, e o meu coração abatido de cuidados:

11E eu disse no meu coração: A quanta tribulação me não acho eu reduzido, e em que ondas de tristeza me não vejo eu agora soçobrado: Eu, que era feliz, e querido no auge do meu poder!

12Agora, porém, se me representam os males que fiz em Jerusalém, de onde não só tirei todos os despojos de ouro, e prata, que havia nela, mas ainda enviei a exterminar sem causa os que habitavam na Judeia.

13Eu pois reconheço que por isso é que vieram sobre mim todos estes males: E eis-aqui venho a morrer de grande melancolia numa terra estrangeira.

14Então chamou a Filipe, um de seus amigos, e o constituiu regente sobre todo o seu reino:

15E lhe meteu nas mãos o seu diadema e a sua opa real, e o seu anel, para que fosse buscar a seu filho Antíoco, e cuidasse da sua educação, e o fizesse reinar depois dele:

16E o rei Antíoco lá morreu, no ano cento e quarenta e nove.

17E soube Lísias que o rei era morto, e aclamou rei a Antíoco, sem filho, a quem ele tinha criado desde menino: E pôs-lhe por nome Eupator.

18Ora os que estavam na fortaleza, tinham fechado a Israel todas as avenidas ao redor do templo: E procuravam sempre o seu mal, e o apoio dos gentios.

19E Judas resolveu perdê-los: E convocou todo o povo, para o cercarem.

20Concorreram pois ali todos, e os cercaram no ano cento e cinquenta e fizeram instrumentos de despedir pedras, e outras máquinas de guerra.

21Então saíram alguns dos que estavam cercados: E agregaram-se a eles alguns ímpios dos filhos de Israel.

22E foram ter com o rei, e disseram-lhe: Até quando diferes tu fazer-nos justiça, e vingar nossos irmãos?

23Nós resolvemo-nos a servir a teu pai, e a nos conduzir pelas suas ordens, e a obedecer aos seus editos:

24E por esta causa os filhos do nosso povo se alienavam de nós, e matavam de entre nós todos aqueles que achavam, e roubavam as nossas heranças.

25E eles estenderam as suas mãos não somente sobre nós, mas ainda sobre todo o nosso país:

26E agora ei-los-aí vieram a atacar a fortaleza de Jerusalém, para se fazerem senhores dela, e têm fortificado Betsura

27E se tu não deres pressa a preveni-los, eles farão ainda maiores males do que os que têm feito até o presente, e não poderás sujeitá-los mais.

28E o rei, assim que ouviu isto, ficou irritado: E fez chamar todos os seus amigos, e os príncipes do seu exército, e os comandantes da cavalaria:

29E ainda de outros reinos, e de ilhas marítimas lhe vieram tropas assoldadadas.

30O número porém do seu exército era de cem mil infantes, e de vinte mil cavalos, e de trinta e dois elefantes adestrados para a batalha.

31E eles marcharam pela Idumeia, e vieram sitiar Betsura, e atacaram-na por muitos dias, e fizeram para isso máquinas: Porém os sitiados saíram contra eles, e as queimaram, e pelejaram com grande valor.

32E Judas se retirou da fortaleza, e abalou com o seu exército para Betzacarão, para defronte do campo do rei.

33E o rei se levantou antes de amanhecer, e fez marchar impetuosamente todas as suas tropas caminho de Betzacarão: E prepararam-se os dois exércitos para o combate, e tocaram as trombetas:

34E eles mostraram aos elefantes o sumo da uva e das amoras, para os incitarem à peleja:

35E repartiram estas alimárias pelas legiões: E mil homens armados de saios de malha, e de capacetes de bronze nas suas cabeças, acompanhavam a cada um dos elefantes: E quinhentos de cavalo escondidos tinham ordem de se conservar sempre ao pé de cada alimária.

36Estes onde quer que estava a alimária, ali se achavam já prevenindo-a: E para onde quer que ela ia, iam eles, e nunca a largavam.

37Havia também sobre cada alimária destas, uma forte torre de madeira, destinada a protegê-la: E por cima das tais torres umas máquinas: E em cada torre trinta e dois dos mais valentes homens, que pelejavam de alto: Com um índio por condutor.

38E ordenou o resto da cavalaria de um e de outro flanco em dois troços, para animar o exército com o som das trombetas, e para estreitar nas suas filas os batalhões.

39E tanto que o sol feriu com os seus raios os escudos de ouro, e de bronze, com o seu reflexo resplandeceram os montes e resplandeceram como fachas de fogo.

40E uma parte do exército do rei se espalhou pelo alto dos montes, e outra pelas planícies: E marchavam com precaução e ordem.

41E todos os habitantes daquela terra estavam espantados da grita que fazia esta multidão de soldados, e da marcha de tanta gente, e da colisão das suas armas: Porque era um exército muito grande e forte.

42E Judas se chegou com o seu exército para dar a batalha: E morreram do exército do rei seiscentos homens.

43Então Eleazar, filho de Saura, viu um dos elefantes todo encouraçado com as armas do rei: E era mais alto que todos os outros: E pareceu-lhe que o rei iria sobre ele:

44E expôs a sua vida por livrar o seu povo, e adquirir para si um nome imortal.

45E correu a ele animosamente pelo meio da legião matando da direita e da esquerda, e caíam, de uma e de outra parte, à força dos seus golpes, todos os que se lhe punham diante.

46E chegou até os pés do elefante, e se meteu debaixo dele, e o matou: E caiu em terra sobre ele mesmo, e morreu ali.

47Mas os judeus vendo as grandes tropas do rei, e o ímpeto do seu exército, retiraram-se do combate.

48Ao mesmo tempo o exército do rei marchou contra eles para a banda de Jerusalém, e chegou à Judeia o referido exército do rei, e se acampou junto do monte Sião.

49E o rei fez paz com os que estavam em Betsura: E eles saíram da cidade, porque não tinham já que comer, estando ali encerrados, pois era o ano do Sábado da terra.

50Assim o rei tomou Betsura: E pôs nela guarnição que a guardasse.

51Depois fez marchar as suas tropas para o lugar santo onde se deteve muitos dias: E ali pôs balistas, e máquinas, e engenhos para tiros missivos de fogo, e trabucos para despedir pedras, e arremessar dardos, e escorpiões para despedir setas, e pôs fundas.

52E os sitiados fizeram também máquinas contra as máquinas dos outros, e pelejaram muitos dias.

53Mas não havia víveres na cidade, por ser o ano sétimo: E porque os das nações que tinham ficado na Judeia, haviam consumido o resto dos que tinham ficado de reserva.

54E ficaram poucos homens de guarda nos lugares santos, porque os tinha apertado a fome: E eles se espalharam cada um para sua parte.

55Neste meio tempo ouviu dizer Lísias que Filipe, a quem o rei Antíoco, vivendo ainda, tinha feito aio de seu filho Antíoco, para fazer reinar depois dele,

56era chegado da Pérsia, e da Média com o exército que lá o tinha acompanhado e que ele se preparava para tomar o governo dos negócios do reino:

57Ele pois se deu pressa a ir dizer ao rei, e aos generais do seu exército: Nós nos vamos consumindo aqui todos os dias, e os víveres que temos são poucos, e a praça que sitiamos, está bem fortificada, e a nós nos incumbe pôr em ordem os negócios do reino.

58Demos pois logo as mãos direitas a estes homens e façamos paz com eles, e com toda a sua nação:

59E permitamos-lhes que vivam segundo as suas leis, como dantes: Porque por amor das suas leis, que nós temos desprezado, é que eles se irritaram, e fizeram todas estas façanhas.

60E pareceu bem esta proposição diante do rei, e de seus príncipes: Pelo que enviou ele a tratar de paz com os judeus, e estes a aceitaram.

61E o rei, e seus príncipes lha confirmaram com juramento: E eles saíram da fortaleza que defendiam.

62Então subiu o rei ao monte Sião, e viu as suas fortificações: E logo quebrou o juramento que tinha feito: Porque mandou derribar o muro que estava de roda.

63Daqui partiu a grã pressa, e voltou para Antioquia, onde achou que Filipe se tinha apoderado da cidade: pelejou com ele, e recuperou a cidade.