Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1No ano cento e cinquenta e um Demétrio, filho de Seleuco, saiu da cidade de Roma, e veio com alguns poucos homens para uma cidade marítima, e começou a reinar nela.
2E aconteceu que depois que ele entrou na casa, onde tinham reinado seus pais, o exército prendeu a Antíoco, e a Lísias, para os trazerem a Demétrio.
3E logo isto lhe veio à notícia: E disse: Não me obrigueis a ver-lhes as caras.
4Então o exército os matou a ambos. E Demétrio se assentou no trono do seu reino.
5E vieram ter com ele certos homens iníquos e ímpios de Israel: E entre eles Alcimo, seu chefe, que aspirava a ser pontífice.
6E eles acusaram o povo diante do rei, dizendo: Judas, e seus irmãos têm dado cabo de todos os teus amigos, e a nós mesmos nos lançou fora da nossa terra.
7Envia pois agora um homem, de quem te fies, para que vá, e veja todo o estrago que ele nos tem feito a nós, e às províncias do rei: E castigue a todos os seus amigos, e a todos os seus auxiliadores.
8E o rei escolheu dentre os seus amigos a Baquides, que tinha o governo das províncias de além do rio, um dos grandes do reino, e fiel ao rei: E o enviou
9a reconhecer o estrago que lhe tinha feito Judas: Até deu de mais a mais o pontificado ao ímpio Alcimo, e lhe ordenou que castigasse os filhos de Israel.
10Partiram eles pois, e vieram com um grande exército para a terra de Judá: E mandaram deputados, que falaram a Judas, e a seus irmãos, propondo-lhes condições de paz com intento de os enganar.
11Mas eles não deram ouvidos às suas palavras: Por verem que tinham vindo com um poderoso exército.
12E foi ver-se com Alcimo e Baquides o colégio dos escribas, a fim de lhes proporem o que fosse justo.
13E os que entre os filhos de Israel se chamavam assideus, eram os primeiros deste congresso, e eles queriam pedir-lhes a paz.
14Porque disseram: Um homem sacerdote da linhagem de Aarão, é o que vem ter conosco; ele não nos há-de enganar:
15E Alcimo lhes falou com todas as aparências de paz: E lhes jurou, dizendo: Nós não faremos mal algum nem a vós, nem aos vossos amigos.
16E eles o creram: Mas Alcimo fez prender sessenta homens deles, e os mandou matar num mesmo dia, segundo esta palavra que está escrita:
17Eles fizeram cair os corpos dos teus Santos, e derramaram o seu sangue ao redor de Jerusalém, sem que houvesse quem os sepultasse.
18E apoderou-se de todo o povo um grande temor, e tremor: Porque disseram: Não há entre eles verdade, nem justiça: Porque eles quebraram a palavra que tinham dado, e o juramento que tinham feito.
19E Baquides abalou de Jerusalém, e foi acampar-se junto a Betzeca: E enviou a prender muitos daqueles que tinham deixado o seu partido, e matou alguns do povo, e os mandou deitar num grande poço.
20Depois disto, pôs toda a província nas mãos de Alcimo, e deixou com ele um corpo de tropas para o sustentarem. E Baquides voltou para o rei:
21E Alcimo fazia todos os esforços por se firmar no principado do seu sacerdócio:
22E vieram ajuntar-se com ele todos os que perturbavam o seu povo, e se fizeram senhores do país de Judá, e executaram grandes estragos em Israel.
23E viu Judas que todos os males, que Alcimo, e os que com ele estavam, tinham feito aos filhos de Israel, eram muito maiores do que tudo o que os gentios haviam obrado:
24E saiu por todos os termos da Judeia em contorno, e deu o merecido castigo aos desertores do seu partido e assim cessaram dali em diante de fazer mais correrias pelo país.
25Mas Alcimo, como se desenganou que Judas, e a sua gente eram mais fortes: E experimentou que ele não podia resistir-lhes, e nesta conformidade tornou para o rei, e os acusou de muitos crimes,
26Então mandou o rei a Nicanor, um dos mais ilustres senhores da sua corte: O qual andava fomentando inimizades contra Israel: E lhe deu ordem que acabasse com este povo,
27Veio pois Nicanor a Jerusalém com um grande exército, e deputou quem fosse ter com Judas, e com seus irmãos para tratar de paz com engano,
28dizendo: Não haja guerra entre mim e vós: Eu virei com uns poucos de homens a ver-vos pessoalmente, e a vos falar de paz.
29Depois veio ele buscar Judas, e uns, e outros se saudarem amigavelmente: Mas os inimigos estavam preparados para levar Judas preso.
30Judas, tanto que percebeu que Nicanor tinha vindo falar-lhe com dolosa tenção, logo se temeu dele, e não quis mais ver-lhe o rosto.
31E conheceu Nicanor que estava descoberto o seu desígnio: E marchou contra Judas, para lhe dar batalha junto a Cafarsalama.
32E do exército de Nicanor ficaram mortos perto de cinco mil homens, e os mais fugiram para a cidade de Davi.
33E depois desta feita subiu Nicanor ao monte Sião: E saíram alguns dos sacerdotes do povo para o cumprimentar em espírito de paz, e mostrar-lhe os holocaustos, que se ofereciam pelo rei.
34Mas ele os desprezou, fazendo zombaria deles, e tratou-os como uns profanos: E falou-lhes com grande soberba.
35E jurou, metido em cólera, dizendo: Se se me não entregar às mãos Judas, e o seu exército, logo que eu sair vitorioso, queimarei este templo. E saiu-se todo enfurecido:
36E entraram os sacerdotes, e se apresentaram diante da face do altar e do templo: E com as lágrimas nos olhos disseram:
37Tu, Senhor, escolheste esta casa para haver de nela ser invocado o teu nome, para que fosse uma casa de oração e de deprecação para o teu povo:
38Faze reluzir a tua vingança contra este homem, e contra o seu exército, e caiam as suas tropas debaixo do fio da espada: Lembra-te das suas blasfêmias, e não permitas que eles durem muito tempo sobre a terra.
39E Nicanor saiu de Jerusalém, e foi acampar-se junto a Betoron: E se lhe veio ajuntar o exército da Síria.
40E Judas se foi alojar junto de Adarsa com três mil homens: E fez Judas a sua oração, e disse:
41Senhor, porquanto os que o rei Senaquerib tinha enviado, blasfemaram de ti, veio um anjo, e matou deles cento e oitenta e cinco mil homens:
42Extermina tu da mesma sorte hoje este exército diante de nós: E saibam os outros que ele falou mal contra o teu Santuário: E julga-o, segundo a sua malícia.
43Deram pois os exércitos a batalha no dia treze do mês de Adar: E o exército de Nicanor foi desfeito, e ele o primeiro que morreu no combate.
44E tanto que o seu exército viu que Nicanor era morto, largaram as suas armas, e deitaram a fugir.
45E foi a gente de Judas no seu alcance jornada de um dia desde Adazer até à entrada de Gazara, e tocaram as trombetas atrás deles para todos o saberem,
46E saíram de todos os castelos da Judeia ao redor e os fustigavam rijamente, e os faziam voltar aos vencedores, que os mataram a todos à espada, e nem um só deles absolutamente escapou.
47E fizeram presa nos seus despojos, e cortaram a cabeça a Nicanor, e a sua mão direita, que ele tinha estendido insolentemente, e as trouxeram, e penduraram à vista de Jerusalém.
48E alegrou-se muito o povo, e passaram aquele dia num grande regozijo.
49E ordenou-se que este mesmo dia seria celebrado todos os anos, como festivo, a treze do mês de Adar.
50E o país de Judá esteve em descanso por uns poucos de dias.
