Brasão da Paróquia São SebastiãoParóquia São SebastiãoMococa-SP

1 Macabeus 9

Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.

1Entretanto Demétrio, assim que ouviu que Nicanor tinha sido morto na batalha, e o seu exército roto, mandou novamente a Baquides, e a Alcimo para a Judeia, e com eles a ala direita do seu exército.

2E marcharam pelo caminho, que vai ter a Galgala, e se acamparam em Masalot, que é em Arbelas: E tomaram a mesma cidade, e mataram grande número de pessoas.

3No primeiro mês do ano cento e cinquenta e dois chegaram com o exército a Jerusalém:

4E partiram e marcharam para Bereia vinte mil infantes, e dois mil cavalos.

5Ora Judas estava acampado em Laisa, e com ele três mil homens escolhidos:

6E quando viram a multidão do exército, que era numerosa, temeram por certo em grande maneira: E muitos se retiraram escondidamente do campo, e não ficaram deles senão oitocentos homens.

7E viu Judas que se tinha diminuído o seu exército, e o aperto em que o inimigo o punha para pelejar, e assim ficou descoroçoado: Porque não tinha tempo de os ajuntar, e desmaiou;

8Mas sempre disse aos que tinham ficado com ele: Vamos, e marchemos contra nossos inimigos, a ver se poderemos combater com eles.

9Os seus porém o desviavam disso, dizendo: Nós não poderemos tal fazer, antes por ora cuidemos em assegurar nossas vidas, e voltemos para nossos irmãos, e depois que assim o tivermos feito, então tornaremos a vir pelejar contra eles: Por ora somos poucos.

10Então Judas lhes disse: Deus nos livre que tal façamos, fugindo à vista deles: E se é chegada a nossa hora, morramos valorosamente por nossos irmãos, e não manchemos a nossa glória com esta nódoa.

11E o exército abalou do seu campo, e se vieram por diante deles: E a cavalaria se dividiu em dois corpos e os fundibulários e os frecheiros marchavam à testa do exército, e todos os que seguiam na primeira linha eram os mais valentes.

12Baquides porém estava na ala direita, e os esquadrões cerraram por ambos os lados e atroaram os ares com o som das suas trombetas:

13E os que eram da parte de Judas levantaram também eles mesmos igualmente as vozes num grito, e estremeceu a terra com o alarido dos exércitos: E durou o combate desde a manhã até à tarde.

14E observou Judas que a ala da parte direita do exército, onde estava Baquides, era a mais forte, e nesta conformidade a investiram juntamente com ele todos os que eram de ânimo mais intrépido.

15E com isto foi rota por eles a mesma ala direita, e Judas os foi perseguindo até o monte de Azot.

16Mas os que estavam na ala esquerda, quando viram que a ala direita tinha sido desfeita, logo foram seguindo por detrás a Judas, e aos que com ele se achavam:

17E travou-se uma renhida peleja, e foram muitos os que de uma e outra parte caíram feridos.

18E Judas caiu morto, e os mais fugiram.

19E Jônatas, e Simão levaram o corpo de seu irmão Judas, e o sepultaram no jazigo dos seus maiores, que era na cidade de Modin.

20E todo o povo de Israel chorou com apertado luto a sua morte, e o pranteavam já havia muitos dias.

21E disseram: Como caiu este esforçado guerreiro, que defendia o povo de Israel!

22E quanto às outras relações, que se podiam fazer, das guerras de Judas, e das façanhas que obrou, e da grandeza do seu espírito, elas se não acham aqui escritas: Porque eram muitas em grande número.

23E aconteceu isto: Depois da morte de Judas apareceram por todos os termos de Israel homens perversos, e se deram a conhecer todos os que obravam a iniquidade.

24Naqueles dias sobreveio uma fome muito grande, e todo o país deles com os seus habitantes se rendeu a Baquides.

25E Baquides escolheu homens ímpios e os pôs por governadores daquele país:

26E andavam em busca, e em pesquisa dos amigos de Judas, e os traziam a Baquides, o qual se vingava neles, e os insultava.

27E levantou-se uma tão grande tribulação em Israel, que se não tinha visto outra tal, desde o tempo em que os profetas tinham desaparecido de Israel.

28Então se ajuntaram todos os amigos de Judas, e disseram a Jônatas:

29Desde que teu irmão Judas é falecido, não se acha homem semelhante a ele, que marche contra nossos inimigos, Baquides, e contra os outros, que são inimigos da nossa gente.

30Portanto nós agora te temos elegido hoje para seres nosso príncipe, e nosso capitão em lugar dele, a fim de administrar as nossas guerras.

31Jônatas pois naquele tempo recebeu o principado, e tomou o lugar de seu irmão Judas.

32E teve notícia disso Baquides, e andava vendo como o havia de matar.

33Mas Jônatas, e Simão seu irmão, e todos os que com ele estavam, souberam isto: E fugiram para o deserto de Técua e pararam junto as águas do lago de Asfar.

34Soube-o igualmente Baquides, e ele mesmo, e todo o seu exército num dia de sábado passou à banda de além do Jordão.

35Então enviou Jônatas a seu irmão, que comandava o povo, e rogou aos nabuteus, seus amigos, que lhe emprestassem o seu aparelho que era muito grande.

36Mas os filhos de Jambri saíram de Madaba, e apanharam a João, e tudo o que ele tinha, e se foram, levando tudo isso.

37Passado isto, vieram dizer a Jônatas, e a Simão seu irmão, que os filhos de Jambri celebravam umas grandes vodas, e traziam de Madaba com grande pompa a noiva, que era filha de um dos primeiros príncipes de Canaã.

38Lembraram-se eles então do sangue de seu irmão João: E subiram, e foram-se emboscar detrás de um monte que os cobria.

39E levantaram-se os seus olhos, e olharam: E eis-que vinha um grande tropel, e um magnífico aparato: E o noivo, e seus amigos, e seus irmãos, vieram encontrar-se com esta comitiva, ao som de tambores e instrumentos músicos, escoltados de muita gente de armas.

40Ao mesmo tempo deram sobre eles os da emboscada e os mataram, e caíram muitos feridos, e os que tinham escapado fugiram para os montes: E eles tomaram todos os seus despojos:

41Assim as vodas se trocaram em luto, e os seus concertos músicos em gritos de lamentação.

42E desta maneira tomaram eles vingança do sangue de seu irmão: E voltaram para a ribanceira do Jordão.

43E Baquides ouviu isto, e veio com um poderoso exército em dia de sábado até à ribanceira do Jordão.

44Jônatas porém disse aos seus: Vamos pelejar contra os nossos inimigos, porque hoje não é como ontem e anteontem:

45Vede pois que temos o inimigo por diante, e as correntes do Jordão de uma e outra parte, e suas ribanceiras, e paúes, e bosques: E não há meio de escapar.

46Agora pois clamai ao céu, para que sejais livres da mão de vossos inimigos. E travou-se a batalha.

47E Jônatas estendeu a sua mão para ferir a Baquides, mas ele evitou o golpe, retirando-se para trás:

48Enfim, Jônatas e os que eram com ele, deitaram-se ao Jordão, e o passaram a nado, à vista deles:

49E da parte de Baquides ficaram mortos naquele dia mil homens: E ele com a sua gente voltou para Jerusalém,

50E edificaram cidades fortes na Judeia, e fortificaram de altos muros, e de portas, e de fechaduras, as cidadelas que havia em Jericó, e em Amaus, e em Betoron, e em Betel, e em Tamnata, em Nara, e em Topo.

51E nelas pôs Baquides guarnições, para que fizessem suas correrias contra Israel:

52Fortificou também a cidade de Betsura, e Gázara, e a fortaleza, e pôs nelas gentes de guarda, e provisão de mantimentos:

53E tomou para reféns os filhos das primeiras personagens da terra, e pô-los em custódia na fortaleza de Jerusalém.

54E no ano cento e cinquenta e três, no segundo mês, mandou Alcimo demolir as paredes da parte interior do templo, e destruir as obras dos profetas: E começou a deitá-las abaixo.

55Naquele tempo foi Alcimo ferido da mão de Deus: E se atalharam as suas obras e a boca se lhe fechou, e ele ficou tolhido de uma paralisia, nem pôde mais falar palavra, nem fazer disposição alguma tocante à sua casa.

56Desta sorte morreu Alcimo naquele tempo atormentado de grandes dores.

57E viu Baquides que Alcimo era morto: E voltou para o rei, e a terra esteve calada por dois anos.

58Ao cabo deste tempo todos os maus formaram entre si este desígnio, dizendo: Reparai Jônatas, e os que com ele estão; vivem desassustadamente com descanso: Pois agora façamos vir a Baquides, e ele os apanhará a todos numa noite.

59Pelo que eles o foram buscar, e lhe deram este conselho.

60Baquides pois se deu pressa a vir com um grande exército: E mandou em segredo cartas aos do seu partido, que estavam na Judeia, em que lhes advertia prendessem a Jônatas, e aos que eram com ele: Mas eles não o puderam fazer, porque chegara notícia destes o seu desígnio.

61E dentre as pessoas da terra prendeu Jônatas cinquenta homens, que eram os capatazes da velhacaria, e os mandou matar:

62E retirou-se Jônatas, e Simão, e os que com ele estavam a Betbessen, que é no deserto: E reparou as suas ruínas, e fizeram dela uma forte praça.

63E quando Baquides o soube, ajuntou logo todas as suas tropas: E do que passava fez aviso aqueles que estavam na Judeia,

64E veio acampar-se acima de Betbessen: E a combateu por muitos dias, e fez construir diversas máquinas de guerra.

65Porém Jônatas deixou a Simão seu irmão na cidade, e saiu à campanha, e marchou com um reforçado corpo de tropas.

66E desfez a Odaren, e a seus irmãos, e aos filhos de Faseron, dentro das suas mesmas tendas, e começou a dar rijo nos inimigos, e a fazer-se célebre pelos seus grandes feitos.

67Porém Simão, e os que com ele estavam, saíram da cidade, e queimaram os aproches.

68E pelejaram contra Baquides, e o desbarataram: E lhe causaram grande pesar, vendo que tinham saído frustrados os seus desígnios, e a sua empresa.

69E encolerizado contra aqueles homens iníquos, que lhe haviam dado o conselho de que viesse para a sua terra, matou a muitos deles: E resolveu ele mesmo tornar para o seu país com todo o resto do exército.

70E logo que Jônatas soube isto, enviou-lhe embaixadores para fazer paz com ele, e para que lhe restituísse os prisioneiros.

71E aceitou Baquides de boa vontade a oferta, e consentiu no que Jônatas queria, e jurou que em todos os dias da sua vida lhe não faria mal algum.

72E restituiu-lhe os prisioneiros, que antes fizera cativos na terra de Judá: E se foi na volta do seu país, e não quis mais tornar à terra de Judá.

73Assim a guerra cessou em Israel: E Jônatas assistiu em Macmas, e ali começou o mesmo Jônatas a julgar o povo, e exterminou os ímpios do meio de Israel.