Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Então ouviu Judas falar da reputação dos romanos, de como eles eram poderosos em forças, e condescendiam em tudo o que se lhes pedia: E que tinham estabelecido amizade com todos quantos se haviam chegado a eles, e que o seu poder era grande.
2E ouviram contar as suas batalhas, e as grandes proezas que tinham feito na Galácia, como se tinham senhoreado destes povos, e os tinham sujeitado a lhes pagar tributo.
3E quanto haviam obrado na região de Espanha, e como eles puseram debaixo do seu poder as minas de prata e de ouro, que ali há, e conquistaram todas estas terras pelo seu conselho, e paciência:
4E como tinham sujeitado países mui distantes deles, e derrotado reis, que os tinham vindo atacar desde as extremidades do mundo, e que tinham feito grande mortandade nos seus exércitos: E que os outros lhes pagavam tributo todos os anos:
5E que tinham desfeito em batalha a Filipe e a Perseu, rei dos ceteus, e aos outros, que tinham tomado as armas contra eles e que se tinham feito senhores das suas terras:
6E que por eles tinha sido desbaratado Antíoco o Grande, rei da Ásia, o qual lhes tinha movido guerra trazendo cento e vinte elefantes, e muita cavalaria, e carros, e um mui numeroso exército:
7E que o tinham tomado vivo, e o tinham obrigado a que lhes pagasse ele, e os que reinassem depois dele, um grande tributo, e a dar-lhes reféns, e tudo quanto se tinha convencionado;
8Que vinha a ser o país dos índios, e dos medos, e dos lídios, as mais belas das suas províncias: E que depois de as terem recebido deles, as deram ao rei Eumenes:
9E que os que estavam em Hélada, tinham querido marchar contra eles, e destruí-los: E lhes chegou à notícia o seu intento.
10E enviaram contra eles um dos seus generais, e lhes deram batalha, e lhes mataram muita gente, e trouxeram cativas as suas mulheres, e seus filhos, e os saquearam, e se fizeram senhores do seu país, e destruíram os muros das suas cidades, e os reduziram à servidão até o dia de hoje:
11E que tinham arruinado, e subjugado ao seu império os outros reinos, e ilhas, que alguma hora lhes tinham resistido.
12Mas que conservavam as alianças que tinham feito com os seus amigos, e com os que se lhes tinham entregado, e que se haviam apoderado dos reinos, que lhes eram vizinhos, e dos que lhes ficavam longe: Porque todos quantos ouviam o seu nome, os temiam:
13E que reinavam aqueles a quem queriam dar socorro para que reinassem: E aos que queriam, destronavam: E que se achavam muito engrandecidos.
14E que sem embargo de todas estas coisas, nenhum entre eles trazia diadema, nem se vestia de púrpura, para com ela se engrandecer.
15Mas que tinham estabelecido entre si um senado, e que todos os dias consultavam trezentos e vinte senadores, tendo sempre conselho sobre os negócios da república, para obrarem o que fosse digno deles:
16E confiavam cada ano a Suprema Magistratura a um só homem, para este comandar em todos os seus estados, e assim todos obedeciam a um só, sem haver entre eles nem inveja, nem ciúme,
17Judas pois escolheu a Iupolemo, filho de João, filho de Jacó, e a Jasão, filho de Eleazar, e os enviou a Roma a fazer amizade, e aliança com eles.
18E para que lhes tirassem o jugo dos gregos, porque viam que estes reduziam à escravidão o reino de Israel.
19E depois de um mui largo caminho chegaram a Roma, e entraram no senado, e disseram:
20Judas Macabeu, e os seus irmãos, e o povo dos Judeus nos enviaram a vós para fazer aliança convosco, e para estabelecer paz entre nós, e a fim de que vos nos conteis no número dos vossos aliados e dos vossos amigos.
21E agradou esta proposição aos romanos.
22E eis-aqui o rescrito que eles fizeram gravar numas tábuas de bronze, e que meteram a Jerusalém, para ali servir como de um monumento de paz, e da aliança que tinham feito com os judeus.
23BEM SEJA AOS ROMANOS, e à nação dos judeus, por mar, e por terra para sempre: E a espada, e o Inimigo estejam longe deles.
24E se sobrevier primeiro uma guerra aos romanos, ou a quaisquer dos seus aliados, em toda a extensão dos seus domínios:
25A nação dos judeus lhes dará socorro com toda a boa vontade, conforme o pedir o tempo.
26E os romanos não darão, nem subministrarão aos combatentes nem trigo, nem armas, nem dinheiro, nem embarcações, porque assim é que pareceu bem aos romanos: E estes soldados judeus obedecerão ao seu mando, sem receber nada deles.
27E da mesma sorte, se antes sobrevier também uma guerra à nação dos judeus, os romanos lhes assistirão de boa fé, segundo lhes permitir o tempo:
28E aos que os auxiliarem não se dará nem trigo, nem armas, nem dinheiro, nem embarcações, porque assim é que prouve aos romanos: E estes obedecerão às suas ordens com fidelidade:
29Segundo estas condições fizeram os romanos o seu tratado com o povo dos judeus.
30Porém se depois desta concordata, ou uns, ou outros quiserem acrescentar, ou tirar alguma coisa ao que vai escrito aqui, eles o poderão fazer de comum acordo: E tudo o que acrescentarem ou tirarem ficará valioso.
31E também pelo que toca aos danos, que o rei Demétrio tem feito ao povo dos judeus, nós lhe temos escrito sobre isso, nestes termos: Por que tens tu feito carregar o teu jugo sobre os judeus nossos amigos, e aliados?
32Se eles porém vierem outra vez representar-nos as suas queixas, nós lhes faremos justiça contra ti, e te faremos guerra por mar, e por terra.
