Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Quanto melhor é argúir a um homem, e não atalhar no discurso ao que vai confessando a própria falta, do que manter no peito a sua ira!
2A concupiscência do eunuco deflorará a donzelinha:
3Assim o que exercita com violência um juízo iníquo.
4Que boa coisa é que o corrigido manifeste o seu arrependimento! Porque assim evitarás tu o pecado voluntário.
5Há homem que, estando calado, é tido por sábio: E há homem que se faz odioso por ser descomedido no falar.
6Há homem que se cala não tendo senso para falar: E há homem que se cala sabendo para isso o tempo oportuno.
7O homem sábio estará em silêncio até um certo tempo: Mas o leviano, e o imprudente não observarão o tempo.
8Aquele que fala muito, ofenderá a sua alma: E aquele que arroga a si o poder justamente, será aborrecido.
9Às vezes sucede bem nos males ao homem que vive sem regra, porém o que ele inventa vem a ceder em sua própria ruína,
10Há dom, que não é útil: E há dom, que é dobradamente recompensado.
11Muitas vezes há perda pelo alcance da glória: E homem há que levantará cabeça pela sua humilhação.
12Há homem que comprará muitas coisas por um baixo preço, mas tornando depois a dar por elas sete vezes em dobro.
13O sábio faz-se amável pelas suas palavras: Mas as graças dos insensatos entornar-se-ão.
14O donativo do insensato não te será útil: Porque ele tem sete olhos com que te mira:
15Ele dará pouco, e lançá-lo-á muitas vezes em rosto: E quando a sua boca se abre é ela um ateado incêndio.
16Um empresta hoje, e torna-o a pedir amanhã: Este tal homem faz-se odioso.
17O insensato não terá amigo, e o bem que ele faz não será agradecido:
18Porque os que lhe comem o pão, o enganam com as suas palavras. Quantas vezes não escarnecerão dele os homens, e em quão grande número?
19Porque não soube distribuir com reto discernimento o que havia de reter: E deu semelhantemente o que não era para se guardar.
20Aquele que se vale da língua para enganar, é na sua queda como um homem que cai sobre o pavimento: Assim a ruína dos maus virá de súbito.
21O homem desengraçado será como um conto vão, repetido na boca de gente mal criada.
22A parábola será mal recebida vindo da boca do insensato: Porque não a diz a seu tempo.
23Homem há que se acha com embaraço para pecar em razão de lhe faltarem os meios, porém sentir-se-á estimulado no seu descanso.
24Há homem que perderá a sua alma por um excesso de vergonha, e perdê-la-á em atenção de uma pessoa imprudente, mas a si mesmo se perderá pela acepção da tal pessoa.
25Tal há que promete ao seu amigo por um pejo indiscreto, mas vem-no gratuitamente a lucrar por inimigo.
26A mentira é no homem um opróbrio que muito o deslustra, e ela se achará incessantemente na boca da gente sem criação.
27Melhor é um ladrão do que um homem que mente de contínuo, mas ambos terão por herança a perdição.
28Os costumes dos homens mentirosos são sem honra, e a sua confusão anda com eles sempre de companhia.
29O sábio a si mesmo conciliará a estimação pelas suas palavras, e o homem prudente agradará aos grandes.
30Aquele que cultiva a sua terra, fará um alto monte dos seus frutos: E o que faz obras de justiça, será em pessoa exaltado: E o que agrada aos grandes, fugirá da iniquidade.
31Os presentes e as dádivas cegam os olhos dos juízes, e na sua boca são como uma mordaça que os emudece, apartando as sentenças que deviam dar contra os culpados.
32Suponha-se que a sabedoria se conserva escondida, e que o tesouro não está visível, que utilidade haverá em ambas estas coisas?
33Melhor é aquele homem que encobre a sua insipiência, do que aqueles que escondem a sua sabedoria.
