Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1A sabedoria louvará a sua alma, e se honrará em Deus, e se gloriará no meio do seu povo,
2e abrirá a sua boca nas Assembleias do Altíssimo, e se gloriará à vista do poder do Senhor,
3e será exaltada no meio do seu povo, e será admirada na plenitude dos santos.
4e na multidão dos escolhidos terá louvor, e entre os benditos será bendita, dizendo:
5Eu saí da boca do Altíssimo a primogênita antes de todas as criaturas:
6Eu fiz com que nascesse nos Céus uma luz que nunca falta e como névoa cobri toda a terra:
7Eu habitei nos lugares mais altos, e o meu trono é sobre uma coluna de nuvem:
8Eu só rodeei o giro do Céu, e penetrei a profundidade do abismo, andei sobre as ondas do mar,
9e estive em toda a terra: E em todo o povo,
10e entre todas as nações tive a primazia:
11E pisei com o meu poder os corações de todos os grandes e pequenos: E em todos estes busquei o descanso, e assentarei a minha morada na herança do Senhor.
12Então o Criador do Universo me deu os seus preceitos, e me falou: E aquele que me criou, descansou no meu tabernáculo,
13e me disse: Habita em Jacó, e possui a tua herança em Israel, e lança raízes nos meus escolhidos.
14Eu fui criada desde o princípio, e antes dos séculos, e não deixarei de ser em toda a sucessão das idades, e exercitei diante dele o meu ministério na morada santa.
15E fui assim firmada em Sião, e repousei igualmente na cidade santificada, e em Jerusalém está o meu poder.
16E me vim a arraigar num povo honrado, e nesta porção do meu Deus que é a sua herança, e na plenitude dos santos, onde se acha a minha assistência.
17Crescendo me elevei como cedro no Líbano, e como cipreste no monte Sião:
18Eu lancei em alto os meus ramos, como a palmeira em Cades, e como as plantas das rosas em Jericó:
19Eu me elevei como uma formosa oliveira nos campos, e como o plátano nas praças à borda dágua.
20Difundi um cheiro como o cinamomo, e o bálsamo aromático, espalhei como mirra escolhida suavidade de cheiro.
21E perfumei a minha habitação, com estoraque, e gálbano, e ônix, e gota, e como incenso do Líbano que não é tirado por incisão, e a minha fragrância é como a do bálsamo sem mistura.
22Eu estendi os meus ramos, como o terebinto, e os meus ramos são ramos de honra e de graça.
23Eu como vide lancei flores dum agradável cheiro: E as minhas flores são frutos de honra e de honestidade.
24Eu sou a mãe do amor formoso, e do temor, e do conhecimento, e da santa esperança.
25Em mim há toda a graça do caminho e da verdade, em mim toda a esperança da vida e da virtude.
26Passai-vos a mim todos os que me cobiçais, e enchei-vos dos meus frutos:
27Porque o meu espírito é mais doce do que o mel, e a minha herança vence em doçura o mel e o favo.
28A minha memória durará por todas as gerações dos séculos.
29Aqueles que me comem, terão ainda fome: E os que me bebem, terão ainda sede.
30Aquele que me ouve, não será confundido: E os que obram por mim, não pecarão.
31Aqueles que me esclarecem, terão a vida eterna.
32Tudo isto é o livro da vida, e o testamento do Altíssimo, e o conhecimento da verdade.
33Moisés entregou a Lei nos preceitos da justiça, e a herança para a casa de Jacó, e as promessas para Israel.
34O Senhor prometeu a Davi, seu servo, que faria sair dele um rei fortíssimo, e que se assentasse no trono de glória para sempre.
35Ele que difunde a sabedoria como o Fison as suas águas, e como o Tigre nos dias dos novos frutos.
36Que enche o entendimento como o Eufrates: Que trasborda como o Jordão no tempo da ceifa.
37Que envia a disciplina como luz, e que aumenta as suas águas como o Geon na conjunção da vindima.
38Ele é o que tem a primazia no cabal conhecimento da mesma sabedoria, e o mais fraco não a poderá rastejar.
39Porque os pensamentos são mais vastos do que o mar, e os seus conselhos mais profundos do que o grande abismo.
40Eu sou a sabedoria que de mim fiz correr os rios.
41Eu como um regato de água imensa derivada dum rio, eu como canal duma ribeira, e como aqueduto sai do paraíso.
42Eu disse: Regarei as plantas do meu prado.
43E eis-aqui se fez o meu regato um caudaloso rio, e o meu rio veio a competir com um grande mar:
44Porque a luz da doutrina com que a todos ilustro é como a luz da madrugada, e eu a manifestarei por toda a sucessão dos séculos.
45Penetrarei todas as partes inferiores da terra, e lançarei os olhos por todos os que dormem, e esclarecerei a todos os que esperam no Senhor.
46Eu espalharei ainda uma doutrina como profecia, e deixá-la-ei aos que andam em busca da sabedoria, e não cessarei de a derramar pela descendência deles até o século santo.
47Vede que eu não trabalhei só para mim, mas para todos os que buscam a verdade.
