Brasão da Paróquia São SebastiãoParóquia São SebastiãoMococa-SP

Eclesiástico 23

Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.

1Senhor, que és meu Pai, e Supremo Árbitro da minha vida, não me deixes à discrição dos lábios: Nem permitas que eu caia por ocasião deles.

2Quem porá sobre o meu pensamento o freio das correções, e no meu coração a doutrina da sabedoria, para que nas ignorâncias dos mesmos lábios elas me não perdoem, e não apareçam os seus delitos,

3e para que não suceda que venham a crescer as minhas ignorâncias, e se multipliquem os meus delitos, e se aumentem os meus pecados, e caia eu diante dos meus adversários, e folgue de me ver arruinado o meu inimigo?

4Senhor, que és meu Pai, e Deus da minha vida, não me abandones ao arbítrio deles.

5Não me dês a altiveza de meus olhos e afasta de mim toda a cobiça.

6Tira de mim os apetites do ventre, e não se apoderem de mim as concupiscências do ato carnal, e não me entregues a uma alma sem vergonha e sem recato.

7Ouvi, filhos, a doutrina que vos dou sobre a moderação da língua: E aquele que a guardar, não perecerá pelos lábios, nem cairá em ações péssimas.

8O pecador é colhido na sua vaidade, e o soberbo e o malédico achará nela tropeços.

9A tua boca não se acostume ao juramento, porque nele se dão quedas por muitos modos.

10A nomeação pois do nome de Deus não seja frequente na tua boca, e não te mistures com os nomes dos Santos: Porque nisto não serás isento de falta.

11Porque bem como o escravo que continuamente é posto em tortura, não se acha com diminuição nas lívidas pisaduras do corpo: Assim todo o homem que jura, e que a cada passo está tomando na boca o nome de Deus, não será de todo isento de pecado.

12O homem que jura muito, será cheio de iniquidade, e não se apartará de sua casa o flagelo.

13E se não fizer o que prometeu com juramento, o seu pecado será sobre ele: E se faltar a isso por desprezo, peca em dobro.

14E se jurar em vão, não será justificado: Porque a sua casa será cheia de merecida recompensa.

15Há também outra palavra que está em paralelo com a morte, ela se não ache nunca na herança de Jacó.

16Porque tudo isto será retirado dos homens pios, e eles não serão envoltos em tais pecados.

17A tua boca não se acostume a palavras indiscretas: Porque nelas se acha com efeito o pecado.

18Lembra-te do teu pai e tua mãe, pois estás no meio dos magnates:

19Para que Deus não se esqueça talvez de ti diante desses mesmos grandes, e para que enfatuado tu com o contínuo trato, que tens com eles, não padeças algum impropério, e não venhas a desejar antes não ter nascido, e amaldiçoes o dia do teu nascimento.

20O homem acostumado a dizer palavras de impropério, nunca em dias de sua vida se corrigirá.

21Duas sortes de pessoas abundam em pecados: E a terceira chama para si a ira, e a perdição.

22A alma acesa como um fogo ardente não se extinguirá, até não devorar alguma coisa:

23E o homem mau no apetite da sua carne não cessará até não acender o fogo.

24Todo o pão é doce para o homem fornicário, não cansará de pecar até o fim.

25Todo o homem que viola a fé do próprio tálamo conjugal, que despreza a sua alma, e diz: Quem é que me vê?

26As trevas me cercam, e as paredes me cobrem, e ninguém de parte alguma olha para mim: De quem tenho eu receio? O Altíssimo não se lembrará dos meus pecados.

27E não considera que o olho do Senhor vê todas as coisas, porque semelhante temor humano expele de si ao temor de Deus, e os olhos dos homens são unicamente os que o fazem temer:

28E não chegou a alcançar que os olhos do Senhor são mais luminosos do que o sol, que em torno estão vendo todos os caminhos dos homens, e que penetram o profundo do abismo, e os corações dos mesmos homens até os mais ocultos esconderijos.

29Porque o Senhor Deus assim como conhecia todas as coisas do mundo, antes de as ter criado: Assim também agora depois que ele as criou as vê todas.

30Este tal será punido nas ruas públicas e posto em fugida como um potro de égua: E onde ele menos o espere, será apanhado.

31E todos o terão por um objeto de desonra, por isso mesmo que não compreendeu o temor do Senhor.

32Assim perecerá também toda a mulher que deixa a seu marido, e que lhe dá por herdeiro o fruto dum alheio matrimônio:

33Porque primeiramente ela foi desobediente à lei do Altíssimo: Secundariamente pecou contra seu marido: Em terceiro lugar no adultério, que cometeu, violou a castidade conjugal, e se deu a si filhos de outro que não era seu consorte.

34Esta mulher será levada à junta do povo, e ali se fará uma exata inquirição sobre seus filhos.

35Os seus filhos não lançarão raízes, e os ramos dela não darão fruto.

36Ela deixará ficar para maldição a sua memória, e nunca jamais se apagará a sua infâmia.

37E os que ficarem depois dela conhecerão que não há coisa melhor do que o temor de Deus: E que nada há mais doce do que olhar para os mandamentos do Senhor.

38É grande glória seguir ao Senhor: Porque ele é o que há de dar dias sem fim.