Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Por causa da pobreza muitos delinquiram: E aquele que procura enriquecer-se, aparta a sua mira.
2Bem como se finca um pau no meio da juntura de duas pedras, assim também entre a venda e a compra mediará o pecado com uma união mui estreita.
3O delito será esmigalhado com o delinquente.
4Se te não mantiveres firmemente no temor do Senhor, depressa a tua casa será arruinada.
5Bem como na sacudidura do crivo ficará o pó, assim a perplexidade do homem se acha no seu pensamento.
6O forno prova os vasos do oleiro, e aos homens justos a tentativa da tribulação.
7Bem como o cuidado que se tem da árvore se dá a conhecer pelo seu fruto, assim descobre ao homem a palavra nascida do modo de pensar do seu coração.
8Não louves ao homem antes dele falar: Porque esta é a prova dos homens.
9Se seguires a justiça, apanhá-la-ás: E dela te revestirás como duma vestidura talar de honra, e com ela habitarás, e ela te protegerá para sempre, e no dia do reconhecimento acharás firmeza.
10As aves chegam-se para os seus semelhantes: E a verdade tornará para aqueles que prezam o trato dela.
11O leão está sempre à espreita da preia: Assim os pecados aos que obram iniquidades.
12O homem santo permanece na sabedoria como o sol: O insensato porém muda-se como a lua.
13No meio dos insensatos guarda a palavra para seu tempo: Mas acha-te de contínuo entre os que pensam.
14A conversação dos pecadores se faz odiosa, e o seu riso é sobre as delícias do pecado.
15A língua que muito jura fará arrepiar os cabelos da cabeça: E a sua irreverência fará tapar os ouvidos.
16Na bulha dos soberbos há efusão de sangue: E é coisa pesada ouvir as suas maldições.
17Aquele que descobre os segredos do amigo, perde o crédito, e não achará amigo à sua satisfação.
18Ama a teu próximo, e une-te a ele com lealdade.
19Mas se descobrires os seus segredos, não vás após dele.
20Porque assim como se porta o homem que arruína ao seu amigo, assim também o que destrói a amizade do seu próximo.
21E assim como aquele, que deixa ir da sua mão o pássaro, assim tu abandonaste ao teu próximo, e não o conciliarás mais:
22Não o sigas, porque já está muito distante: Fugiu pois do laço como uma cabra montesa: Porquanto ficou ferida a sua alma:
23Não poderás atar-lhe já daí por diante a ferida. E da má palavra há reconciliação:
24Mas o revelar os segredos do amigo, é desesperação duma alma infeliz.
25O que acena com o olho forja maus desígnios, e ninguém o lançará de si:
26À vista de teus olhos adoçará a sua boca, e fará admirações sobre os teus discursos: Ultimamente porém mudará de linguagem, e nas tuas palavras porá tropeço.
27Muitas coisas aborreço, mas nenhuma igualei na aversão a este tal, e o Senhor o aborrecerá também.
28Quando qualquer lança uma pedra ao alto, ela cairá sobre a sua cabeça: E a ferida à traição abrirá as feridas do traidor.
29E o que abre a cova, cairá nela: E o que põe uma pedra no caminho para tropeço do próximo, tropeçará nela: E o que arma um laço a outrem, nele perecerá.
30O conselho malvadíssimo recairá sobre o mesmo que o forja, e não reconhecerá de onde lhe vem.
31A irrisão, e o impropério é de soberbos, e a vingança lhes sairá de emboscada, como um leão.
32Aqueles que se deleitam com a queda dos justos perecerão no laço, e a dor os consumirá antes que morram.
33A ira e o furor são duas coisas execráveis, e o homem pecador as terá em si mesmo.
