Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Aquele que teme ao Senhor não sobrevirão males, porém Deus o guardará na tentação, e o livrará dos males.
2O sábio não aborrece os mandamentos, nem as leis, e não se fará em pedaços como o navio na tempestade.
3O homem sensato crê na lei de Deus, e a lei lhe será fiel.
4Aquele que tem de satisfazer com clareza a uma pergunta, premeditará a sua resposta, e assim depois de ter orado, será atendido, e conservará a disciplina, e então responderá.
5As entranhas do insensato são como as rodas de um carro: E o seu pensamento é como um eixo que anda à roda.
6O amigo zombador é como um cavalo de lançamento, que rincha debaixo de todo aquele que o monta.
7De onde vem que um dia se prefere a outro dia, e também um tempo a outro tempo, e um ano a outro ano, quando o sol que os forma sempre é o mesmo?
8Pela ciência do Senhor foram distinguidos, depois que o sol foi criado, e desde que guarda o seu preceito.
9E variou as estações, e os dias de festa das mesmas e nelas se celebraram as solenidades à hora determinada.
10Dos mesmos dias fez Deus a uns grandes e sagrados, e a outros pôs no número de dias comuns. E assim é que também todos os homens são feitos do pó e da terra, de que Adão foi formado.
11O Senhor pela grande compreensão da sua sabedoria os distinguiu, e diversificou os seus caminhos.
12A muitos deles abençoou e exaltou: E a uns dentre os mesmos santificou, e tomou para si: E a outros amaldiçoou, e abateu, e os transtornou depois da sua separação.
13Bem como o barro que toma o oleiro, está na mão do mesmo oficial para lhe dar a forma e disposição que intenta,
14saindo todos os lavores da obra segundo o arbítrio dele: Assim o homem se acha na mão daquele que o fez, e lhe dará a retribuição segundo o seu juízo.
15Contra o mal está o bem, e contra a morte a vida: Assim também contra o homem justo o pecador. E desta maneira medita em todas as obras do Altíssimo, Achá-las-ás a duas e duas, e uma oposta à outra.
16E eu fui o último que despertei, como o que ajunta os bagos da uva depois dos vindimadores.
17Eu também esperei na bênção de Deus: E enchi o lagar, como o que vindima.
18Olhai que eu não trabalhei só para mim, mas para todos os que buscam a disciplina.
19Ouvi-me, ó magnates, e todos os povos, e vós, regentes da Igreja, aplicai os ouvidos.
20Não dês em tua vida poder sobre ti, nem a teu filho, nem a tua mulher, nem a teu irmão, nem a teu amigo: E não dês a outro os bens que possuis: Para que não suceda arrependeres-te disso, e ficares reduzido a pedir-lhos com deprecações.
21Enquanto viveres e respirares, nenhuma pessoa te faça mudar sobre este ponto.
22Porque melhor é que teus filhos te roguem, do que estares tu olhando para as mãos de teus filhos.
23Em todas as tuas obras conserva a tua preeminência.
24Não ponhas mácula na tua glória. No dia da consumação do prazo da tua vida, e no tempo do teu trânsito reparte a tua herança.
25Ao asno penso, e vara, e carga: Ao escravo pão, e ensino, e trabalho.
26Ele trabalha quando o castigam, de outra sorte não cuida senão em descansar: Afrouxa-lhe tu as mãos, e verás como ele busca a liberdade:
27O jugo e as correias fazem curvar o pescoço duro, e ao escravo dobram as tarefas contínuas.
28Ao escravo malévolo tortura e ferros, manda-o à tarefa, para que não esteja ocioso:
29Porque a ociosidade tem ensinado muita malícia.
30Põe-no aos trabalhos: Porque assim lhe convém. Mas se ele te não obedecer, aperreia-o com grilhões, porém não excedas nisto, seja a respeito de quem for: Em conformidade do que não faças coisa alguma grave sem juízo.
31Se tens um escravo que te é fiel, estima-o como a tua alma: Trata-o como a teu irmão: Porque o adquiriste com o sangue da tua alma,
32Se o tratares mal sem razão, fugir-te-á:
33E se ele tomando o fatinho se retirar: Não sabes a quem te chegues a perguntar, nem por que caminho o hás de buscar.
