Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1O alto firmamento é a formosura dele, a beleza do Céu descobre-se na visão da glória.
2O sol ao sair anuncia com o seu aspecto, que é um vaso admirável, uma obra do excelso.
3Ao meio-dia queima a terra, à vista do seu ardor quem poderá suportá-lo? Como se porta o que conserva o calor da fornalha para as obras que requerem um fogo intenso:
4Do mesmo modo faz o seu efeito o sol abrasando com tresdobrada atividade os montes, despedindo raios de fogo, e resplandecendo com os seus mesmos raios cega os olhos.
5Grande é o Senhor que o criou, e ele na execução dos preceitos apressou a própria carreira.
6E a lua em todas as suas revoluções com o seu período é a marca dos tempos e o sinal das mudanças do ano.
7A lua é a que determina os dias de festa, sendo um planeta de luz que logo começa a minguar em chegando ao mais pleno auge do seu crescimento.
8O mês vem a tomar dela o nome, a qual por um modo admirável cresce, até ficar de todo cheia.
9Uma disposição de arraiais se divisa nas alturas, a qual brilha gloriosamente no Firmamento do Céu.
10A refulgência das estrelas é a formosura do Céu, o Senhor é quem esclarece o mundo desde as alturas.
11As palavras do santo se apresentarão a juízo, e não desfalecerão nas suas sentinelas.
12Olha para o arco, e bendize aquele que o fez: Mui formoso é no seu resplendor.
13Girou o Céu com o círculo da sua glória, as mãos do Excelso lhe deram toda a sua extensão.
14Em virtude do seu império fez acelerar a neve, e dá-se pressa em despedir os relâmpagos do seu juízo.
15Por esta causa se abriram os seus tesouros, e voaram as névoas como aves.
16Pela grandeza do seu poder condensou as nuvens, e se quebraram as pedras da saraiva.
17Só com o seu olhar se abalarão os montes, e pelo beneplácito da sua vontade assoprará o vento do meio-dia.
18O estampido do seu trovão ferirá a terra, a tempestade do norte, e o redemoinho dos ventos:
19E como a ave que desce lá do alto para pousar no chão espalha a neve, e a descida desta é como o gafanhoto que baixa sobre a terra.
20Os olhos admirarão a beleza da sua brancura, e o coração espantar-se-á do seu chuveiro.
21Derramará sobre a terra como sal e geada: E quando esta se congelar, tornar-se-á como em pontas de abrolhos.
22Assoprou o vento frio do norte, e congelou a água ficando como um cristal, que repousará sobre todo o depósito de águas, e revestir-se-á das mesmas águas como de uma couraça.
23E devorará os montes, e queimará os desertos, e secará o que houver de verdura, como se tudo abrasasse com fogo.
24O remédio de todos estes males consiste na pressa que se dê em aparecer uma névoa: E um orvalho temperando o ardente calor que vem o fará abater.
25A uma palavra sua acalmou o vento, e com o aceno da sua vontade aplacou o abismo, e nele é que o Senhor plantou as ilhas.
26Os que navegam o mar, contem os perigos dele: E nós escutando-os com os nossos ouvidos nos admiraremos.
27Ali se encontram obras preclaras e maravilhosas: Vários gêneros de alimárias, e de toda a sorte de gados, e criaturas monstruosas.
28Por ele mesmo se acha estabelecido o fim do seu caminho, e pela sua palavra tudo está posto na melhor ordem.
29Muitas coisas diremos nós, e ainda nos veremos alcançados em palavras, mas o resumo de tudo o que se pode dizer é que ele mesmo está em todas as coisas.
30Que poderemos nós dizer que exalte a sua glória? Porque o mesmo Todo-Poderoso é sobre todas as suas obras.
31O Senhor é terrível, e soberanamente grande, e maravilhoso o seu poder.
32Por mais que glorifiqueis ao Senhor quanto puderdes, nunca lhe dareis a competente glória, porque ainda ficará superior a toda ela e será admirável a sua magnificência.
33Bendizendo vós ao Senhor, exaltai-o quanto podeis: Porque ele é maior que todo o louvor.
34Exaltando-o vós, revesti-vos de toda a vossa fortaleza: Não vos metais nesse trabalho: Porque não chegareis a lograr o vosso intento.
35Quem o poderá ver, e celebrar? E quem engrandecerá assim como ele é desde o princípio?
36Muitas coisas maiores do que estas nos são escondidas: Porque das suas obras vêm a ser umas poucas só as que temos visto.
37Mas o Senhor fez todas as coisas e deu sabedoria aos que piamente vivem.
