Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Não repitas a conversação que ouvires para descobrir palavras de segredo, e serás verdadeiramente isento de confusão, e acharás graça diante de todos os homens: Não te envergonhes de coisa alguma das que eu te vou a dizer, e não tenhas de tal sorte respeito à qualidade das pessoas, que venhas por isso a delinquir.
2Da lei do Altíssimo, e do seu testamento nem de combater em juízo os votos declarados para justificar um ímpio,
3do negócio de companheiros e peregrinos, nem da partilha da herança dos amigos,
4da igualdade da balança e dos pesos, nem da aquisição do muito e do pouco,
5de impedir a fraude da compra e dos negociantes, nem da severa criação dos filhos nem de fazer correr ao escravo péssimo o sangue pelas costas abaixo.
6Sobre a mulher má, bom é estar posto o selo.
7Onde há muitas mãos, guarda tudo fechado, e tudo quanto entregares, dá-o por conta, e por peso: E escreve tudo o que deres, e receberes.
8Não te envergonhes de corrigir o insensato e o fátuo, nem de defender os velhos, que são julgados pelos mancebos: e serás então instruído em todas as coisas, e merecedor de aprovação diante de todos os vivos.
9A filha é um interior desvelo de seu pai, e o cuidado dela lhe tira o sono, receando não suceda talvez que do próprio verdor da adolescência passe depois a ser já adulta, e que tendo enfim coabitado com seu marido, se faça aborrecível:
10Não aconteça que na sua virgindade seja alguma vez corrompida, e se ache pejada na casa de seu pai: Não resulte acaso que depois de coabitar com seu marido falte à fé conjugal, ou pelo menos saia estéril.
11Sobre a filha desenvolta vigia com dobrado resguardo: para que te não faça vir a ficar em alguma ocasião exposto ao opróbrio de teus inimigos, e a ser o objeto de detração numa cidade, e da exprobração da plebe, e te faça envergonhar diante da multidão do povo.
12Não ponhas os olhos fitos em pessoa alguma enlevado na sua formosura: E não queiras fazer assento no meio de mulheres:
13Porque dos vestidos sai a polilha, e da mulher a maldade do homem.
14De sorte que um homem que te faz mal é melhor do que uma mulher que te faz bem, e mulher que te deixa envergonhado para teu opróbrio.
15Lembrar-me-ei pois das obras do Senhor, e anunciarei o que tenho visto. Pelas palavras do Senhor existem as suas obras.
16O sol alumiando tem lançado a vista por tudo, e da glória do Senhor estão cheias as suas obras.
17Porventura não fez o Senhor que os santos publicassem todas as suas maravilhas, as quais o mesmo Senhor Onipotente confirmou para que fossem perpetuadas na sua glória?
18Ele tem penetrado o abismo e o coração dos homens: E discernido por entre a astúcia deles.
19Porque o Senhor conheceu sempre toda a ciência e viu perfeitamente o sinal dos tempos, anunciando as coisas que passaram, as que estão para vir, descobrindo os rastos das ocultas.
20Não lhe passa por alto nenhum pensamento, e não se esconde dele palavra alguma.
21Formosas traçou as grandezas da sua sabedoria: O que é antes do século, e até o século, nem se lhe tem acrescentado,
22nem diminuído, nem necessita do conselho de ninguém.
23Quão desejáveis são todas as suas obras, e o que delas se pode considerar, é como uma faísca!
24Todas estas coisas vivem, e permanecem para sempre, e em toda a necessidade todos lhe obedecem a ele.
25Todas as coisas se acham a duas e duas, e uma oposta à outra, e nada fez a que faltasse coisa alguma.
26De cada uma confirmou os bens. E quem se fartará vendo a sua glória?
