Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Oração de Jesus, filho de Sirac: Glorificar-te-ei, soberano rei, louvar-te-ei Deus, salvador meu.
2Glorificarei o teu nome: Porque te fizeste o meu ajudador e protetor,
3e livraste ao meu corpo da perdição, do laço da língua iníqua, e dos lábios dos forjadores da mentira, e à vista dos que estavam contra mim te declaraste meu ajudador.
4E me livraste, segundo a grandeza da misericórdia do teu nome, dos que rugiam, preparados para me devorarem.
5Das mãos dos que procuravam tirar-me a vida, e das portas das tribulações que me cercaram:
6Da violência da chama, que me cercou, e eu no meio do fogo não senti o calor:
7Das profundas entranhas do inferno, e da língua impura, e da palavra de mentira, dum rei iníquo, e da língua injusta:
8A minha alma louvará o Senhor até à morte,
9pois a minha vida perto estava de dar consigo nas profundezas do inferno.
10Cercaram-me de todas as partes, e não havia quem me ajudasse. Estava olhando para o socorro dos homens, e não aparecia.
11Lembrei-me da tua misericórdia, Senhor, e das tuas obras, que existem desde o princípio dos séculos:
12Porque livras aos que esperam em ti, Senhor, e os salvas das mãos das nações.
13Tu me fizeste na terra uma elevada habitação e eu te roguei que me livrasses de ser arrebatado na torrente da morte.
14Eu invoquei ao Senhor pai de meu Senhor, para que me não deixe sem socorro no dia da minha tribulação e durante o reino dos soberbos.
15Louvarei incessantemente o teu nome, e celebrá-lo-ei na minha confissão, pois foi atendida a minha oração.
16E livraste-me da perdição e tiraste-me do tempo de aperto.
17Por isso eu te glorificarei, e cantarei os teus louvores, e bendirei o Nome do Senhor.
18Quando eu ainda era moço, antes de me retirar para longe, busquei abertamente a sabedoria na minha oração.
19À face do templo eu instava por ela, e buscá-la-ei até ao fim da minha vida. E assim floresceu como uva temporã,
20o meu coração se alegrou nela. O meu pé andou caminho direito, desde a minha mocidade procurava seguir-lhe o rasto.
21Inclinei um pouco o meu ouvido, e logo a percebi.
22Muita sabedoria achei em mim mesmo, e muito aproveitei nela.
23Ao que me dá sabedoria, dar-lhe-ei glória.
24Resolvi-me pois a pô-la por obra: tive zelo do bem, e não me envergonharei.
25Lutou a minha alma por ela, e pondo-a por obra me fortifiquei.
26Levantei as minhas mãos ao alto, e chorei a sua ignorância.
27Dirigi a ela a minha alma, e no conhecimento de mim mesmo a achei.
28Possui com ela o meu coração desde o princípio: Por isso não serei desamparado.
29As minhas entranhas se comoveram, buscando-a: Por cuja causa possuirei este grande bem.
30O Senhor me deu em minha recompensa uma língua: E com ela mesma o louvarei.
31Chegai-vos a mim, ó indoutos, e ajuntai-vos na casa da instrução.
32Por que tardais vós ainda? E que dizeis à vista destas coisas? As vossas almas estão sequiosas em extremo.
33Eu abri a minha boca, e disse: Comprai-a para vós sem dinheiro,
34e submetei o vosso pescoço ao seu jugo, e receba a vossa alma a instrução: Porque ela está muito à mão para se achar.
35Vede com vossos olhos, que eu trabalhei pouco, e achei para mim muito descanso.
36Recebei a instrução, como uma grande soma de dinheiro, e possuí com ela grande abundância de ouro.
37Alegre-se a vossa alma na misericórdia do Senhor, e não vos envergonhareis quando o louvardes.
38Fazei a vossa obra antes que se passe o tempo, e ele vos dará o vosso galardão a seu tempo.
