Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Não te faças de amigo inimigo do teu próximo: Porque o mau terá por sorte o impropério e a contumélia, como todo o pecador invejoso, e de duas línguas.
2Não te eleves como um touro no pensamento do teu coração: Por não suceder que fique a tua força enervada pela tua estultícia,
3e que ela consuma as tuas folhas, e perca os frutos, e que tu venhas a ficar como uma árvore seca no deserto.
4Porque a alma maligna perderá ao que a tem, e o faz ser o gosto dos seus inimigos, e o conduzirá à sorte dos ímpios.
5A palavra doce multiplica os amigos, e mitiga os inimigos: E a língua discreta no homem bom produz abundantes frutos.
6Sejam muitos os amigos, com quem tu vivas em paz, e seja teu conselheiro um dentre mil.
7Se queres ter um amigo, toma-o depois de o teres provado, e não te fies logo dele.
8Porque tal amigo há que o não é, senão enquanto nisso acha a sua conveniência, e ele deixará de o ser no dia da tribulação.
9E tal amigo há que se muda em inimigo: E tal amigo há que descobrirá o seu ódio e as suas reixas e injúrias.
10E tal amigo há que só o é para a mesa, e que o não será no dia da tribulação.
11Se o teu amigo perseverar firme, será para ti como um igual: E nas tuas coisas domésticas obrará com confiança:
12Se ele se humilhar diante de ti, e se esconder da tua presença, terás uma amizade boa e sincera.
13Separa-te dos teus inimigos, e está alerta com os teus amigos.
14O amigo fiel é uma forte proteção: E quem o achou, achou um tesouro.
15Nada se pode comparar com um amigo fiel, e o ouro e a prata não merecem ser postos em balança com a sinceridade da sua fé.
16O amigo fiel é um medicamento de vida, e de imortalidade: E os que temem o Senhor, acharão um tal amigo.
17O que teme a Deus terá igualmente boa amizade: Porque a ele será conforme o seu amigo.
18Filho, desde a tua mocidade procura ser instruído e adquirirás uma sabedoria que te dure até à velhice.
19Chega-te à sabedoria, como o que lavra, e semeia, e espera em paz pelos seus excelentes frutos:
20Porque na sua aquisição trabalharás pouco, mas depressa comerás dos seus frutos:
21Quão excessivamente áspera é a sabedoria para as pessoas indisciplinadas, e não permanecerá nela o insensato.
22Ela será a seu respeito como as pedras de grande peso, que servem para provar a força dos homens, e não tardarão em se descarregarem delas.
23Porque a sabedoria, que faz o homem inteligente, é segundo o nome que tem, e ela não é descoberta a muitos: Mas naqueles a quem é descoberta, dura firme até os levar à presença de Deus.
24Ouve, filho, e toma um conselho de entendimento, e não rejeites o meu conselho,
25Mete os teus pés nos seus grilhões, e o teu pescoço nas suas cadeias:
26Submete o teu ombro, e leva-a às costas, e não te enojes com as suas prisões.
27Chega-te para ela de todo o teu coração, e guarda os seus caminhos com todas as tuas forças.
28Busca-a pelo rasto, e ela te será manifesta, e tendo-te já abraçado com ela, não a deixes:
29Porque nela acharás tu no fim o teu descanso, e ela se converterá para ti em gosto.
30E os seus ferros serão para ti uma proteção eficaz, e um firme apoio, e as suas cadeias uma estola de glória:
31Porque nela está a beleza da vida, e os seus vínculos são uma ligadura saudável.
32Tu te vestirás dela como duma estola de glória, e a porás sobre ti como uma coroa de júbilo.
33Filho, se tu me deres atenção, aprenderás: E se aplicares o teu espírito, serás sábio.
34Se aplicares o teu ouvido, receberás doutrina: E se fores amigo de ouvir, serás sábio.
35Acha-te na assembleia dos velhos sábios, e une-te de coração à sua sabedoria, a fim de poderes ouvir o que eles te disserem de Deus, e não te escapem os provérbios de louvor.
36E se vires um homem sensato, madruga para ir ter com ele, e gastem os teus pés os degraus da sua porta.
37Tem todo o teu pensamento nos preceitos de Deus, e sê muito assíduo nos seus mandamentos: E ele mesmo te dará coração, e te será dado o desejo da sabedoria.
