Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Então cantou Judite ao Senhor este cântico, dizendo:
2Começai os louvores do Senhor ao som dos tambores, cantai em glória ao Senhor ao som dos tímbales, entoai-lhe em melodiosos cânticos um novo salmo, exaltai e invocai o seu nome,
3O Senhor que faz em pó os exércitos, o seu nome é o Senhor.
4Que pôs o seu campo no meio do seu povo, para nos livrar da mão de todos os nossos inimigos.
5O assírio veio dos montes da parte do Aquilão com multidão de sua força: Cuja multidão esgotou as torrentes, e a sua cavalaria cobriu os vales.
6Ele jurou que havia de queimar as minhas terras, e que havia de passar ao fio da espada os meus mancebos, que havia de dar em presa as minhas crianças, e que havia de fazer cativas as minhas donzelas.
7Porém o Senhor todo poderoso o feriu e o entregou nas mãos duma mulher, que lhe tirou a vida.
8Porque o poderoso entre eles não foi prostrado as mãos dos mancebos, nem os filhos de Titã o feriram, nem desmarcados gigantes se lhe opuseram, mas Judite, filha de Merari, o derrubou com a formosura do seu rosto.
9Ela pois se despiu do traje de viúva, e se ataviou com os vestidos de alegria para exultação dos filhos de Israel.
10Ela ungiu o seu rosto com pomadas cheirosas, e enastrou os anéis de seus cabelos com uma coifa, vestiu-se dumas roupas novas para o enganar.
11As suas sandálias lhe arrebataram os olhos, a sua beleza lhe cativou a alma, ela lhe cortou a cabeça com o alfanje.
12Os persas se espantaram da sua constância, e os medos da sua afoiteza.
13Então bramaram os arraiais dos assírios, quando apareceram os meus humildes mirrados da sede.
14Os filhos das mulheres moças os traspassaram a golpes, e os mataram como a meninos que fogem: Eles pereceram no combate em a presença do Senhor meu Deus.
15Cantemos um hino ao Senhor, cantemos um novo hino ao nosso Deus.
16Adonai, Senhor, tu és grande, e esclarecido pela tua fortaleza, e a quem ninguém pode vencer.
17Todas as tuas criaturas te obedeçam: Porque tu falaste, e foram feitas: Tu mandaste o teu espírito, e foram criadas, e não há quem resista à tua voz.
18Os montes desde os fundamentos serão abalados com as águas: Os penhascos, bem como a cera, se derreterão diante da tua face.
19Porém aqueles que te temem, serão grandes diante de ti em todas as coisas.
20Desgraçada a nação que se levantar contra o meu povo: Porque o Senhor todo poderoso se vingará dela, e a visitará no dia do juízo.
21Ele fará vir sobre as suas carnes o fogo e os bichos, para serem queimados, e para sentirem eternamente.
22E sucedeu então que todo o povo depois da vitória veio a Jerusalém a adorar o Senhor: E tanto que se purificaram, todos ofereceram os seus holocaustos, e cumpriram os seus votos, e as suas promessas.
23Mas Judite ofereceu como um anátema de esquecimento todos os arnezes de Holofernes, que o povo lhe tinha dado, e o pavilhão, que ela mesma tinha tirado do leito dele.
24E o povo esteve em grande regozijo à vista dos santos lugares, e a alegria desta vitória foi celebrada com Judite por espaço de três meses.
25E passados aqueles dias, cada um tornou para sua casa, e Judite ficou sendo célebre em Betúlia, e era a pessoa mais considerável de toda a terra de Israel.
26Porque a castidade estava junta à sua virtude, de tal sorte que nunca em todos os dias da sua vida conheceu mais homem, desde que morreu Manassés seu marido.
27E nos dias de festa aparecia em público com grande glória.
28E morou na casa de seu marido até à idade de cento e cinco anos, e deu carta de alforria à sua escrava, e faleceu e foi sepultada em Betúlia com seu marido.
29E todo o povo a chorou por sete dias.
30E em todo o tempo de sua vida, e muitos anos depois da sua morte, não houve quem perturbasse a Israel.
31E o dia da festividade desta vitória foi posto pelos hebreus na classe dos dias santos, e desde aquele tempo até hoje é festejado pelos judeus.
