Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Sucedeu pois que tendo deixado de falar, Holofernes, fortemente endurecido, disse a Aquior:
2Já que tu profetizaste, dizendo-nos, que o povo de Israel há-de ser defendido pelo seu Deus, para eu te mostrar que não há outro Deus, senão Nabucodonosor:
3Quando nós os tivermos mortos a todos como a um só homem, então tu mesmo cairás também com eles debaixo do ferro dos assírios, e todo o povo de Israel perecerá contigo:
4Conhecerás tu que Nabucodonosor é o Senhor de toda a terra: E então a espada dos meus soldados passará o teu corpo, e tu cairás atravessado entre os feridos de Israel: E não respirarás mais até que sejas exterminado com eles.
5Mas porém se tu crês que a tua profecia é verdadeira, não se abata o teu rosto, a palidez de que está coberto o teu semblante, te deixe, se imaginas que estas minhas palavras se não podem cumprir.
6E para que pois conheças que tens de experimentar com eles esta infelicidade, serás desde já associado a este povo, a fim de que quando receberem as dignas penas da minha espada, fiques tu também sujeito à vingança juntamente.
7Então mandou Holofernes à sua gente que prendessem a Aquior, e que o levassem a Betúlia, e o entregassem nas mãos dos filhos de Israel.
8E tendo pegado em Aquior os servos de Holofernes, partiram pelas campinas, mas estando perto dos montes, saíram contra eles os atiradores de funda.
9E eles desviando-se do lado do monte, ataram Aquior de mãos e pés a uma árvore, e assim preso com cordas o deixaram, e voltaram para seu senhor.
10Ora os filhos de Israel descendo de Betúlia, vieram ter com ele: E desatando-o o levaram para Betúlia, e tendo-o posto no meio do povo, perguntaram-lhe por que motivo os assírios o deixaram atado.
11Por este tempo eram ali chefes Ozias, filho de Mica da tribo de Simeão, e Carmi, que também se chamava Gotoniel.
12E Aquior posto no meio dos anciãos, e em presença de todos, contou tudo o que ele tinha falado sendo perguntado por Holofernes e como a gente de Holofernes o quisera matar por ter falado assim,
13e como o mesmo Holofernes cheio de cólera mandara que o entregassem aos israelitas por esta causa: A fim de que depois que ele tivesse vencido aos filhos de Israel, fizesse então também morrer ao mesmo Aquior com diversos suplícios, por ele ter dito: O Deus do Céu é o seu defensor.
14E tendo Aquior referido todas estas coisas, todo o povo se prostrou com o rosto em terra, adorando ao Senhor, e misturando os seus gritos e prantos ofereceram concordemente as suas orações ao Senhor,
15dizendo: Senhor Deus do Céu e da terra, lança os olhos para a soberba destes homens, e considera o nosso abatimento, e atende ao voto dos que tu santificaste, e mostra que não desamparas aos que presumem de ti: E que humilhas aos que presumem de si mesmos, e se gloriam do seu poder.
16Acabado pois o choro, e completa a oração dos povos, que durou todo o dia, consolaram a Aquior,
17dizendo: O Deus de nossos pais, cujo poder tu publicaste, ele te dará por isso a recompensa, para que tu vejas antes a ruína deles.
18E quando o Senhor nosso Deus tiver dado esta liberdade aos seus servos, Deus seja também contigo no meio de nós: Para que, segundo for do teu agrado, assim vivas conosco, tu e todos os teus.
19Então Ozias, despedida a assembleia, o recebeu em sua casa, e deu-lhe uma grande ceia.
20E convidados todos os anciãos, depois de completo jejum, tomaram juntos a sua refeição.
21Depois porém foi convocado todo o povo, e fizeram por toda a noite oração dentro da igreja, pedindo socorro ao Deus de Israel.
