Brasão da Paróquia São SebastiãoParóquia São SebastiãoMococa-SP

Judite 5

Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.

1Deu-se pois aviso a Holofernes general das tropas dos assírios, que os filhos de Israel se preparavam para resistir, e que tinham fechado as passagens dos montes,

2e com demasiado furor se inflamou em grande cólera: E chamou todos os príncipes de Moab e os chefes dos amonitas,

3e disse-lhes: Dizei-me que povo é este, que ocupa os montes: E quais ou quantas sejam as suas cidades: Que poder seja também o deste povo, ou qual a sua multidão: Ou quem seja o general do seu exército:

4E por que dentre todos, os que habitam no Oriente, estes nos desprezaram, e não vieram ao nosso encontro, para nos receberem em paz?

5Então Aquior, chefe de todos os filhos de Amon, respondendo, disse: Meu senhor, se tu te dignas de ouvir-me, eu te direi a verdade na tua presença, no tocante a este povo que habita nos montes, e da minha boca não sairá palavra falsa.

6Este povo é da raça dos caldeus.

7Ele habitou primeiramente em Mesopotâmia, porque não quiseram seguir os deuses de seus pais, que moravam na terra dos caldeus.

8Tendo pois deixado as cerimônias de seus pais, que consistiam na multidão de deuses,

9adoraram a um só Deus do Céu, o qual lhes mandou que saíssem dali, e que fossem assistir em Caran. Mas como sobreviesse em todo o país uma grande fome, desceram ao Egito, e ali pelo espaço de quatrocentos anos se multiplicaram, de sorte que o seu exército era inumerável.

10E como o rei do Egito os tratasse duramente, e os sujeitasse a trabalhar em barro e ladrilho, para se edificarem as suas cidades, clamaram ao seu Senhor, e este feriu toda a terra do Egito com várias pragas.

11E como os egípcios os lançassem de si, e a praga os deixasse, e quisessem outra vez sujeitá-los, e reduzi-los à sua escravidão,

12o Deus do Céu lhes abriu o mar quando fugiam, de modo que duma e doutra parte as águas se fizeram sólidas como um muro, e eles passaram a pé enxuto atravessando o fundo do mar.

13A tempo que o inumerável exército dos egípcios ia em alcance deles neste lugar, de tal sorte ficou este coberto das águas, que não escapou nem sequer um que contasse à sua posteridade o sucesso.

14Depois de saírem do mar Vermelho, acamparam-se nos desertos do monte Sina, onde nunca homem algum pode habitar, e onde ninguém assistiu.

15Ali as fontes amargosas se tornaram doces para eles beberem, e por espaço de quarenta anos alcançaram do Céu o sustento.

16Em toda a parte onde entravam sem arco e sem flecha, e sem escudo e sem espada, o seu Deus pelejou a favor deles, e venceu.

17E não achou nunca quem insultasse a este povo, senão quando se apartou do culto do Senhor seu Deus.

18Porque todas as vezes que eles adoraram outro Deus que não fosse o seu, foram entregues ao roubo, à espada, e ao opróbrio.

19E todas as vezes que se arrependeram de ter deixado o culto do seu Deus, o Deus do Céu lhes deu forças para resistirem.

20Por último assolaram o rei dos cananeus, e dos jebuseus, e dos fereseus, e dos heteus, e dos heveus, e dos amorreus, e todos os poderosos de Hesebon, e se apossaram das suas terras, e das suas cidades:

21E enquanto não pecaram contra o seu Deus, eram felizes: Porque o seu Deus aborrece a iniquidade.

22E ainda há poucos anos, havendo-se desviado do caminho, que Deus lhes tinha mostrado, para andarem nele, foram eles dispersos em batalhas por diversas nações, e muitos deles foram levados cativos a uma terra estranha.

23Mas agora de pouco tendo-se voltado para o Senhor seu Deus, eles se tornaram a ajuntar dos lugares por onde tinham sido dispersos, e subiram a todos estes montes, e estão outra vez de posse de Jerusalém, onde tem o seu santuário.

24Agora pois, meu Senhor, informa-te tu se este povo tem cometido algum pecado na presença do seu Deus: E vamos a eles, porque o seu Deus sem dúvida os entregará às tuas mãos, e ficarão sujeitos debaixo do teu poder.

25Mas se este povo não tem ofendido ao seu Deus, nós não lhe poderemos resistir: Porque o seu Deus os defenderá: E nós seremos o opróbrio de toda a terra.

26E sucedeu, que tendo Aquior cessado de falar assim, todos os magnates de Holofernes se encolerizaram, e cuidavam em o matar, dizendo um para o outro:

27Quem é este que diz que os filhos de Israel podem resistir ao rei Nabucodonosor, e aos seus exércitos, sendo eles uns homens sem armas, e sem forças, e sem ciência na arte de pelejar?

28Para que logo Aquior conheça que nos engana, vamos aos montes: e depois que forem tomados os valentes dentre eles, então o passaremos com eles ao fio da espada:

29Para que saiba toda a gente que Nabucodonosor é o deus da terra, e que fora ele não há outro.