Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Aconteceu pois que tendo ouvido estas palavras Judite viúva, a qual era filha de Merari, filho de Idox, filho de José, filho de Ozias, filho de Elai, filho de Janor, filho de Gedeão, filho de Rafaim, filho de Aquitob, filho de Melquia, filho de Enan, filho de Natania, filho de Salatiel, filho de Simeão, filho de Rúben:
2E seu marido chamava-se Manassés, que morreu ao tempo da ceifa das cevadas:
3Porque ao tempo que ele apressava os que atavam os feixes no campo, deu-lhe o ardor da calma na cabeça, e morreu em Betúlia, sua cidade, e foi ali sepultado com seus pais.
4Havia já três anos e meio que Judite tinha ficado viúva dele.
5E no andar superior de sua casa fez ela para si um quarto retirado, no qual se conservava clausurada com as suas criadas,
6e tendo um cilício sobre os seus rins, jejuava todos os dias de sua vida, exceto os sábados, e as neomênias, e as festas da casa de Israel.
7E era de mui formosa presença, e seu marido lhe tinha deixado muitas riquezas, e uma grande família e fazendas, cheias de manadas de bois, e de rebanhos de ovelhas.
8E era ela estimadíssima de todos, porque tinha muito temor de Deus, e não havia ninguém que dissesse dela uma palavra de desdouro.
9Tendo pois ela sabido que Ozias tinha prometido entregar a cidade passados cinco dias, mandou chamar aos anciãos Cabri, e Carmi,
10e eles vieram ter com ela, e lhes disse: Que palavra é esta, em que conveio Ozias, de entregar a cidade aos assírios, se dentro de cinco dias vos não viesse socorro?
11E quem sois vós, que tentais ao Senhor?
12Não são estas as palavras, que conciliem a sua misericórdia, mas antes são palavras de excitar ira, e de acender furor.
13Vós prescrevestes o termo à misericórdia do Senhor, e ao vosso arbítrio lhe assinastes o dia.
14Mas porque o Senhor é paciente, arrependamo-nos disto mesmo, derramando lágrimas imploremos a sua misericórdia:
15Porque Deus não ameaça como os homens, nem ele se inflama em ira como os filhos dos homens.
16E por isso humilhemos a ele as nossas almas, e postos num espírito de abatimento, como servos seus,
17digamos ao Senhor com lágrimas, que segundo a sua vontade assim use conosco da sua misericórdia: Para que como se perturbou o nosso coração por causa da soberba daqueles, assim também nos gloriemos pela nossa humildade:
18Porque nós não seguimos os pecados de nossos pais, que deixaram o seu Deus, e adoraram os deuses estranhos,
19por cujo crime foram entregues à espada, e ao roubo, e à confusão de seus inimigos: Mas nós não conhecemos outro Deus senão o nosso.
20Esperemos com humildade as suas consolações, e ele vingará o nosso sangue das aflições que nos fazem nossos inimigos, e humilhará todas as nações quantas se levantam contra nós e as cobrirá de ignomínia o Senhor nosso Deus.
21E agora, irmãos, como vós sois os anciãos do povo de Deus, e de vós depende a sua vida, com as vossas palavras alentai os seus corações, para que se lembrem, que nossos pais foram tentados para serem experimentados, se eles verdadeiramente serviam ao seu Deus.
22Devem recordar-se como nosso pai Abraão foi tentado, e provado por muitas tribulações veio a ser o amigo de Deus.
23Assim Isaac, assim Jacó, assim Moisés, e todos os que agradaram a Deus, passaram fiéis por muitas tribulações.
24Aqueles, porém, que não receberam as provas com o temor do Senhor, e que mostraram a sua impaciência e impropério das suas murmurações contra o Senhor,
25foram exterminados pelo exterminador, e pereceram pelas serpentes.
26E nós pois não nos impacientemos por isto que padecemos,
27mas considerando que estes mesmos castigos são menores do que os nossos pecados, creiamos que estes flagelos do Senhor, com que como seus servos somos castigados, nos vieram para a nossa emenda, e não para nossa perdição.
28E Ozias, e os anciãos lhe responderam: Tudo isto, que nos tens dito, é verdade, e nada há repreensível nas tuas palavras.
29Agora pois ora por nós, porque tu és uma mulher santa e temente a Deus.
30E Judite lhes disse: Assim como reconheceis que o que eu vos disse é de Deus,
31assim também provai se o que eu resolvi a fazer vem de Deus, e rogai para que Deus faça eficaz o meu intento.
32Vós pôr-vos-eis esta noite à porta, e eu sairei com a minha criada: E fazei oração, para que assim, como vós dissestes, o Senhor dentro destes cinco dias olhe para o seu povo de Israel.
33Mas não quero que vós espreiteis o que eu determino fazer, e enquanto eu mesma não vos avisar, não se faça outra coisa senão rogar por mim ao Senhor nosso Deus.
34E Ozias, príncipe de Judá, lhe disse: Vai em paz, e o Senhor seja contigo, para se vingar de nossos inimigos. E voltando se retiraram.
