Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Depois que eles se retiraram, entrou Judite no seu oratório: E vestindo-se de cilício, pôs cinza sobre a sua cabeça, e prostrando-se diante do Senhor, clamava ao Senhor, dizendo:
2Senhor Deus de meu pai Simeão, que lhe deste a espada para se vingar dos estrangeiros, que por uma paixão impura foram violadores, e ultrajaram com afronta o poder de uma virgem:
3E que deste suas mulheres à presa, e suas filhas em cativeiro: Todos os seus despojos em partilha aos teus servos, que se abrasaram em teu zelo: Socorre, te rogo, Senhor meu Deus, a esta viúva.
4Porque tu fizeste as coisas primeiras, e determinaste que umas sucedessem a outras, e aquilo se fez que tu quiseste.
5Porque todos os teus caminhos estão preparados, e tu estabeleceste todos os teus juízos na tua providência.
6Lança agora os olhos sobre o campo dos assírios, bem como noutro tempo te dignaste lançá-los sobre o campo dos egípcios, quando armados corriam atrás dos teus servos, fiando-se nas suas carroças, e na sua cavalaria, e na multidão dos soldados.
7Tu porém lançaste os olhos sobre o seu campo, e as trevas os cansaram.
8O abismo reteve os seus pés, e as águas os cobriram.
9Assim pereçam também, Senhor, estes que confiam na sua multidão, e se gloriam nas suas carroças, e nos dardos, e nos escudos e nas suas flechas, e lanças,
10e que não sabem que tu mesmo és o nosso Deus, que desfazes as guerras desde o princípio, e que o teu nome é o Senhor.
11Levanta o teu braço como desde o princípio, e com a tua força quebra a sua fortaleza, pela tua ira caia a força destes que se prometem violar o teu Santuário, e profanar o tabernáculo do teu nome, e derrubar com a espada a majestade de teu altar.
12Faze, Senhor, que a sua soberba seja cortada pela própria espada:
13Fique preso em mim com laço de seus olhos, e fere-o com as palavras de meu carinho,
14Dá-me constância no coração, para eu o desprezar: E fortaleza, para o perder.
15Este será pois um monumento do teu nome, quando a mão duma mulher o derrubar.
16Porque o teu poder, Senhor, não está na multidão, nem tu te comprazes na força dos cavalos, nem desde o princípio te agradaram os soberbos: Mas sempre te agradou a súplica dos humildes e dos mansos.
17Deus dos Céus, Criador das águas, e Senhor de todo o criado, ouve a esta miserável que te suplica, e que presume da tua misericórdia.
18Lembra-te, Senhor, do teu pacto, e põe as palavras na minha boca, e fortifica a resolução do meu coração, para que a tua casa permaneça em te santificar:
19E todas as nações conheçam que tu és Deus, e que não há outro senão tu.
