Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Esta guardou aquele, que foi por Deus formado primeiro pai da redondeza da terra, tendo sido criado só,
2e o tirou do seu pecado e lhe deu virtude de governar todas as coisas.
3Tanto que desta se apartou, o injusto na sua ira pereceu pelo furor do homicídio fraterno.
4Por causa do qual, ao tempo que o dilúvio inundava a terra, a saneou de novo a sabedoria, governando ao justo por meio dum lenho desprezível.
5Também esta, depois de se terem mancomunado as nações em conspiração da maldade, conheceu ao justo, e o conservou para Deus sem culpa, e o manteve forte na compaixão do filho.
6Esta livrou ao justo, que fugia dos ímpios que pereciam, quando descia o fogo sobre as cinco cidades:
7Em testemunho da maldade dos quais permanece a terra, que ainda fumega, deserta, e as árvores que dão frutos em estação incerta, e a estátua de sal ainda em pé, levantada em memória duma alma incrédula.
8Porque passando eles de largo pela sabedoria, não só caíram em ignorarem os bens, mas deixaram ainda aos homens uma lembrança da sua estultícia, de tal sorte que nem se puderam ocultar no meio das ações, em que delinquiram.
9Mas a sabedoria tem livrado de dores aos que a reverenciam,
10Esta é a que guiou por caminhos direitos ao justo, quando fugia da ira de seu irmão e lhe mostrou o reino de Deus, e lhe deu a ciência dos Santos: A que o enriqueceu nos trabalhos, e recompensou as suas fadigas.
11No dolo dos que o violentavam, lhe assistiu, e o fez rico.
12Guardou-o dos inimigos, e o assegurou dos enganadores, e o meteu num duro combate, para que vencesse, e soubesse que de todas as coisas a mais poderosa é a sabedoria.
13Esta não desamparou ao justo vendido, mas sim o livrou dos pecadores: E desceu com ele ao fosso,
14e o não largou nas cadeias, até lhe depositar nas mãos o ceptro do reino, e o poder contra aqueles que o deprimiam: E convenceu de mentirosos aos que o deslustraram, e lhe deu uma nomeada eterna.
15Esta livrou ao povo justo, e a linhagem irrepreensível das nações, que o abatiam.
16Entrou na alma do servo de Deus, e se manteve com prodígios e sinais contra os reis formidáveis.
17E deu aos justos o galardão dos seus trabalhos, e os conduziu por um caminho admirável: E serviu-lhes de coberta de dia, e de luz das estrelas de noite:
18Conduziu-os pelo mar Vermelho, e transportou-os pela imensidade das águas.
19Mas sepultou no mar os seus inimigos, e tirou-os do profundo dos abismos. Por isso os justos levaram os despojos dos ímpios,
20e com os seus cânticos engrandeceram, Senhor, o teu Santo Nome, e todos uniformemente louvaram a tua Mão vitoriosa:
21Porque a sabedoria abriu a boca dos mudos, e fez eloquentes as línguas dos infantes.
