Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Ela é a que dirigiu as suas obras por mãos do Santo profeta.
2Eles fizeram o seu caminho por desertos, que não eram habitados: E em lugares ermos fixaram tendas.
3Fizeram cara a seus inimigos, e se vingaram de seus contrários.
4Tiveram sede, e te invocaram, e foi-lhes dada água duma penha mui alta, e refrigério de sede duma dura pedra.
5Pois, por meio daquela mesma coisa, com que os seus inimigos se viram castigados, que foi pela falta de água com que matar a sede, com essa os filhos de Israel até se alegraram, tendo-a em abundância:
6Por isso eles, quando esta lhes faltava, foram bem tratados.
7Porque na verdade em lugar da fonte dum rio perene, deste aos injustos sangue humano.
8Como estes fossem perecendo em castigo de terem feito morrer aos infantes, deste aqueles água abundante sem a esperarem,
9mostrando por esta sede, que então houve, de que modo exaltavas tu aos teus, e fazias perecer aos teus adversários.
10Porque quando foram provados, e recebendo ainda assim um castigo com misericórdia, reconheceram eles de que maneira padeciam tormentos os ímpios julgados com ira.
11Aqueles provaste na verdade como pai que admoesta: Porém a estes condenaste, fazendo-lhes interrogatório, como rei duro.
12Porque ausentes e presentes eram igualmente atormentados.
13Porquanto se havia deles apoderado uma dobrada mágoa, e desfeito pranto com a memória das coisas passadas.
14Pois quando ouviam dizer que fora bem para os outros o que para eles havia sido tormento, logo se lembraram do Senhor, admirando o fim do sucesso.
15Porque ao mesmo, de quem escarneceram abandonado na cruel exposição dos meninos, vieram no fim do sucesso a admirar: Padecendo sede não como os justos.
16Mas pelos pensamentos loucos da sua iniquidade, porquanto alguns errando nesta parte adoravam serpentes mudas, e animais inúteis, enviaste contra eles multidão de animais mudos em vingança:
17Para que soubessem, que pelas coisas em que alguém peca, por essas é também atormentado.
18Porque não estava impossibilitada a tua onipotente mão, que criou o globo da terra de uma nunca vista matéria, para mandar sobre eles uma multidão de ursos, ou ferozes leões,
19ou animais duma nova espécie não conhecidos, cheios de furor, ou que respirassem rescaldo de incêndios, ou que exalassem cheiro de fumo, ou que despedissem dos olhos horrendas faíscas:
20Dos quais a malignidade não somente os pudesse exterminar, mas até a vista matá-los de pavor.
21Mas ainda sem estas coisas podiam com um só assopro ser mortos, depois de terem padecido a perseguição pelas suas mesmas ações, e se acharem espalhados pelo espírito da tua virtude: Mas todas as coisas dispuseste com medida, e conta, e peso.
22Porque tu só tens sempre à mão o supremo poder: E quem poderá resistir à força do teu braço?
23Pois todo o mundo diante de ti é como um pequeno grão de balança, e como uma gota de orvalho da madrugada, que cai sobre a terra.
24Tu tens compaixão de todos, porque tudo podes, e dissimulas os pecados dos homens para que façam penitência.
25Porque tu amas todas as coisas que existem, e não aborreces nada de quanto fizeste: Pois nenhuma estabeleceste ou fizeste aborrecendo-a.
26E como poderia subsistir coisa alguma, se tu não quisesses? Ou de que modo se conservaria o que por ti não fosse chamado?
27Porém tu perdoas a todas as criaturas: Porque tuas são, Senhor, que amas as almas.
