Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1São porém vãos todos os homens, nos quais se não acha a ciência de Deus: E que pelas coisas boas que se veem, não puderam conhecer aquele que é, nem considerando as suas obras reconheceram quem era o Artífice:
2Mas reputaram por deuses governadores do Universo, ou ao fogo, ou ao espírito, ou ao ar comovido, ou ao giro das estrelas, ou à imensidade das águas, ou ao sol e à lua.
3De cuja formosura se eles encantados os julgaram deuses: Reconheçam quanto é mais formoso do que eles o que é seu Senhor: Porque o Autor da formosura criou todas estas coisas.
4Ou se eles se maravilharam da sua virtude e influências, entendam por elas, que o que as fez é mais forte do que elas:
5Porque pela grandeza da formosura e da criatura se poderá visivelmente chegar ao conhecimento do criador delas:
6Mas ainda com tudo isso não há contra estes tanta razão de queixa. Porque se eles talvez erram é buscando a Deus e desejando-o achar.
7Porquanto eles o buscam, vivendo no meio das suas obras: E se capacitam de que são boas as coisas que se veem.
8Mas por outra parte nem estes merecem perdão.
9Porque se eles puderam ter luz bastante, para poderem conhecer a ordem do mundo: Como não descobriram eles mais facilmente ao Senhor dele?
10Porém são desgraçados, e entre os mortos está a esperança daqueles outros, que chamaram deuses às obras das mãos dos homens, ao ouro, e à prata, à invenção da arte, e às semelhanças de animais, ou a uma pedra inútil, obra de mão antiga.
11Como se algum artífice hábil cortasse do mato algum tronco direito, e destramente lhe tirasse toda a casca, e, valendo-se da sua arte, fizesse com esmero alguma peça útil para uso da vida
12e das relíquias daquela obra se servisse para cozinhar a comida:
13E quanto ao resto de tudo isto, que para nenhum uso é útil, por ser um madeiro torto, e cheio de nós, ele cuidadosamente muito de seu vagar o desbastasse, e pela perícia da sua arte lhe desse figura, e o afeiçoasse em forma de homem,
14ou o proporcionasse a algum dos animais, dando-lhe vermelhão, e pintando-o de uma cor encarnada contrafeita, e encobrindo-lhe toda a mancha, que nele há:
15E lhe fizesse um correspondente nicho, e pondo-o na parede, e segurando-o com algum ferro,
16usando com ele desta precaução, para que talvez não caísse, reconhecendo que se não pode ajudar a si mesmo: Porque é uma imagem, e tem necessidade de socorro.
17E fazendo-lhe votos, o consultasse a respeito da sua fazenda, e de seus filhos, e de suas bodas. Não se envergonha de falar com aquele madeiro, que está sem alma:
18E pela saúde roga por certo a um inválido, e pela vida pede a um morto, e invoca em seu socorro a um inútil:
19E para o bom sucesso da jornada se vale do patrocínio daquele que não pode andar: E para o que há de adquirir, e tem de traficar, e para o bom êxito de todas as suas coisas, implora a quem para tudo é inútil.
