Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Por amor destas coisas e por outras assim semelhantes merecidamente padeceram tormentos e foram exterminados por uma multidão de sevandijas.
2Em lugar destas penas, trataste amigavelmente o teu povo, a quem deste a satisfação do apetite do seu gosto quanto a um novo sabor, aparelhando-lhe por iguaria crescidas codornizes:
3Para que estando aqueles por certo com vontade de comer, por causa das pragas, que se lhes mostraram e enviaram, ficassem com antojo até à comida necessária. Mas estes postos em necessidade por pouco tempo, gostaram um novo manjar.
4Porque importava que sobreviesse uma ruína inevitável aqueles que exercitavam a tirania: E mostrar só a estes de que modo eram exterminados os seus inimigos.
5Porque quando veio sobre eles a cruel ira dos animais, eram mortos pelas mordeduras de cobras astuciosas.
6Porém a tua ira não durou para sempre, mas eles só por pouco tempo estiveram nesta turbação, para ela lhes servir de advertência, tendo um sinal de salvação para os fazeres lembrar dos mandamentos da tua lei.
7Porque aquele que se voltava para o referido sinal, não era curado, porque o via, mas sim por ti que és o Salvador de todos os homens,
8e nesta ocasião fizeste tu ver aos teus inimigos, que tu és o que livras de todo o mal.
9Porquanto aqueles mataram as mordeduras dos gafanhotos, e das moscas, e não se achou saúde para a sua alma: Porque eram dignos de serem assim exterminados.
10Mas nem aos teus filhos venceram os dentes de dragões venenosos: Porque sobrevindo a tua misericórdia: os sarava.
11Pois eram provados na memória dos teus preceitos, e logo ficavam salvos, para que não sucedesse que caindo eles num profundo esquecimento, não pudessem utilizar-se de teu ajutório.
12Porquanto nem foi erva a que os sarou, nem algum lenitivo, mas sim a tua palavra, Senhor, que sara todas as coisas.
13Porque tu, Senhor, és o que tens o poder da vida e da morte, e o que nos levas às portas da morte, e o que daí nos tiras:
14E verdadeiramente pode um homem por malícia matar a outro, mas quando tiver saído o espírito não voltará, nem fará tornar a alma que já foi recebida:
15Porém o escapar da tua mão é coisa impossível.
16Por isso dizendo os ímpios que te não conheciam, pela fortaleza do teu braço foram açoitados: Tendo padecido perseguição por águas novas, e saraivas, e chuvas tempestuosas, e consumidos pelo fogo.
17E o que nisto havia de admirável era que o fogo se ateava ainda mais na mesma água, que tudo extingue: Porque o universo é vingador dos justos.
18Pois em um tempo se amansava o fogo, para se não queimarem os animais, que tinham sido enviados contra os ímpios: E isto para que vendo eles uma tal maravilha, reconhecessem que por um juízo de Deus é que padeciam esta perseguição.
19E noutro tempo ardia o fogo na água de todas as partes, chegando a exceder o seu natural, para acabar de todo com as produções duma terra iníqua.
20Em contraposição de tudo isto alimentaste o teu povo com o mantimento dos anjos, e lhe deste pão vindo do céu, preparado sem trabalho, que tinha em si toda a delícia, e a suavidade de todo o sabor.
21Porque este alimento mostrava a doçura que tens para com teus filhos: Porque, acomodando-se à vontade de cada um, ela se transmutava no que cada um queria.
22E a neve, e o gelo aturavam a violência do fogo e não se derretiam: Para que soubessem que destruía os frutos dos inimigos um fogo, que ardia no meio da saraiva e que cintilava por entre a chuva.
23Mas este fogo, para que fossem sustentados os justos, como que abandonou a sua própria força.
24Porque a criatura, servindo-te a ti seu Criador, se inflama para atormentar os injustos: E se torna mais benigna para fazer bem a favor daqueles que em ti confiam.
25Por causa disto ela, transformada de todas as formas, servia à tua graça, que tudo sustenta, para satisfazer a vontade daqueles que de ti a desejavam:
26Para que soubessem os teus filhos, a quem amaste, Senhor, que não são os frutos, que a terra produz, os que sustentam aos homens: Mas que a tua palavra é a que conserva aqueles que em ti crerem.
27Porque o que pelo fogo não podia ser devorado, aquecido por um escasso raio do sol imediatamente se desfazia:
28Para que a todos fosse notório que importa prevenir o nascer do sol para te bendizer, e que deve cada um adorar-te logo ao raiar da manhã.
29Porque a esperança do ingrato se derreterá como o gelo do inverno, e se perderá como uma água inútil.
