Brasão da Paróquia São SebastiãoParóquia São SebastiãoMococa-SP

Sabedoria 8

Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.

1A sabedoria pois toca desde uma extremidade até à outra com fortaleza, e dispõe todas as coisas com suavidade.

2A esta eu amei, e requestei desde a minha mocidade, e procurei tomá-la para mim por esposa, e me fiz amador da sua formosura.

3Ela realça a glória da sua nobreza, tendo com Deus estreita união: E sobre isto a amou o Senhor de todas as coisas.

4Porque ela é a que ensina a ciência de Deus, a que dirige as suas obras.

5E se as riquezas se apetecem na vida, que coisa há mais rica do que a sabedoria, que obra todas as coisas?

6E se é a indústria a que obra: Quem é melhor artífice do que ela destas coisas, que existem?

7E se alguém ama a justiça: Os trabalhos desta tem grandes virtudes: Porque ensina a temperança, e a prudência, e a justiça, e a fortaleza, que é o mais útil que há na vida para os homens.

8E se alguém deseja a profundidade da ciência, ela é que sabe o passado, e que julga do futuro: Conhece as subtilezas dos discursos, e as soluções dos argumentos: Sabe os sinais, e os prodígios, antes que eles apareçam, e o que tem de acontecer no decurso dos tempos e dos séculos.

9Eu, pois, me resolvi a tomá-la comigo por companheira da minha vida, sabendo que ela repartirá comigo dos seus bens, e que será a minha consolação nos meus cuidados e dissabores.

10Por meio desta entre os povos terei glória, e, posto que moço, honra entre os velhos:

11E serei achado agudo no juízo, e admirável na presença dos poderosos, e os semblantes dos príncipes me admirarão:

12Quando eu estiver calado, esperarão que eu fale, e quando falar, olharão para mim com atenção, e quando me alargar nos discursos, porão a mão na sua boca.

13Terei demais a mais por amor desta, a imortalidade: E deixarei eterna memória aos que hão de vir depois de mim.

14Governarei os povos: E as nações me serão sujeitas.

15Os reis formidáveis temerão, quando ouvirem falar de mim: Do povo parecerei bom, e na guerra forte.

16Entrando em minha casa, acharei o meu descanso com ela: Porque a sua conversação não tem nada de desagradável, nem a sua companhia nada de fastidioso, mas o que nela se acha, é satisfação e prazer.

17Considerando nestas coisas comigo mesmo, e meditando sobre elas dentro no meu coração: Refletindo que a imortalidade se acha na união com a sabedoria,

18e na sua amizade um santo prazer, e nas obras das suas mãos riquezas inexauríveis, e no exercício da sua conversação inteligência, e um grande lustre na comunicação dos seus discursos: Dava voltas buscando-a, para a tomar por minha companheira.

19Eu porém era um menino engenhoso, e coube-me por sorte uma boa alma.

20Ou para melhor dizer, como eu era bom, vim a um corpo incontaminado.

21E como eu sabia que de outra maneira não podia ter continência, se Deus ma não desse, e isto era já um efeito da sabedoria, saber eu de quem havia de receber este dom: Encaminhei-me ao Senhor, e fiz-lhe a minha súplica, e disse-lhe de todo o meu coração.