Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Julgando pois Tobias que seria ouvida a oração que ele tinha feito de poder morrer, chamou a si seu filho,
2e disse-lhe: Ouve, filho meu, as palavras da minha boca, e imprime-as no teu coração, como fundamento.
3Depois que Deus tiver recebido a minha alma, sepulta o meu corpo: E honra a tua mãe por todos os dias da sua vida:
4Porque te deves lembrar quantos e quão grandes perigos padeceu por amor de ti trazendo-te no seu ventre.
5E quando ela também tiver acabado o tempo da sua vida, a sepultarás ao pé de mim.
6Tem a Deus em teu espírito todos os dias da tua vida: E guarda-te de consentir jamais em o pecado e de violar os preceitos do Senhor nosso Deus.
7Faze esmola dos teus bens, e não voltes a tua cara a nenhum pobre: porque desta sorte sucederá que também não se aparte de ti a face do Senhor.
8Da maneira que puderes, sê caritativo.
9Se tiveres muito, dá muito: Se tiveres pouco, procura dar de boamente também esse pouco.
10Porque assim entesouras uma grande recompensa para o dia da necessidade:
11Porque a esmola livra de todo o pecado e da morte, e não deixará cair a alma nas trevas.
12A esmola servirá a uma grande confiança diante do Sumo Deus para todos os que a fazem.
13Preserva-te, meu filho, de toda a impureza, e fora de tua mulher nunca consintas em conhecer o crime.
14Nunca permitas que a soberba domine nos teus pensamentos, ou nas tuas palavras, porque nela teve princípio toda a perdição.
15A todo o homem que te tiver feito algum trabalho, paga-lhe logo o salário, e nunca fique em teu poder a paga do mercenário.
16Acautela-te, não faças nunca a outro o que tu levarias a mal que outro te fizesse.
17Come o teu pão com os pobres e com os que têm fome, e veste dos teus vestidos os que estão nus.
18Põe o teu pão e o teu vinho sobre a sepultura do justo, e não comas nem bebas com os pecadores:
19Pede sempre conselho ao sábio.
20Bendize a Deus em todo o tempo: E pede-lhe que dirija os teus caminhos, e que todos os teus intentos se firmem nele.
21Também te advirto, filho meu, que, quando tu ainda eras criança, dei eu dez talentos de prata a Gabelo, estando em Ragés, cidade dos medos, e que eu tenho em meu poder o seu escrito:
22E por isso busca o modo de o achar, e cobrar dele a sobredita quantia de prata, e de lhe entregares o seu escrito.
23Não temas, meu filho. Em verdade nós vivemos pobres, mas nós teremos muitos bens, se temermos a Deus, e nos desviarmos de todo o pecado, e obrarmos bem.
