Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Entraram pois em casa de Raguel, e Raguel os recebeu com alegria.
2E pondo Raguel os olhos em Tobias, disse para Ana sua mulher: Como este moço é parecido com meu primo!
3E proferindo isto, disse: De onde sois vós, nossos irmãos mancebos? E eles responderam: Somos da tribo de Neftali, dos cativos de Nínive.
4E disse-lhes Raguel: Vós conheceis a meu irmão Tobias? Responderam eles: Conhecemos.
5E como dissesse muitos bens dele, o anjo disse a Raguel: Tobias, por quem perguntas, é o pai deste moço.
6E Raguel se lançou a ele, e o beijou com lágrimas, e chorando sobre o seu pescoço,
7disse: Abençoado sejas, meu filho, porque és filho dum homem de bem e virtuosíssimo.
8E Ana sua mulher, e Sara sua filha derramavam lágrimas.
9E depois que falaram, mandou Raguel matar um carneiro e preparar um banquete. E quando ele os rogava que se pusessem à mesa,
10disse Tobias: Eu não comerei nem beberei aqui hoje, menos que tu me não despaches a minha petição, e prometas dar-me Sara tua filha.
11Ouvido isto, Raguel se assustou, sabendo o que tinha acontecido aos sete maridos, que se tinham chegado a ela: E começou a temer não sucedesse também o mesmo a este: E como vacilasse, e não desse resposta alguma à petição que lhe fazia,
12o anjo lhe disse: Não temas dar tua filha a este moço, porque a este, que é temente a Deus, lhe é devida tua filha para esposa: E por isso nenhum outro a pode ter.
13Então Raguel respondeu: Não duvido que Deus aceitasse em sua presença as minhas orações e as minhas lágrimas.
14E creio que por isso ele permitiu que vós viésseis a mim, para que esta filha se desposasse com um da sua parentela segundo a lei de Moisés: Assim não duvides que eu ta não haja de dar.
15E pegando na mão direita de sua filha, a pôs na mão direita de Tobias, dizendo: O Deus de Abraão, e o Deus de Isaac, e o Deus de Jacó seja convosco, e ele mesmo vos ajunte, e cumpra a sua bênção em vós.
16E tomando papel, fizeram a escritura de casamento.
17E depois fizeram um banquete, bendizendo a Deus.
18E Raguel chamou a Ana sua mulher, e ordenou-lhe que preparasse outro aposento.
19E introduziu Ana no tal aposento a Sara, sua filha, e se pôs a chorar.
20E ela lhe disse: Tem bom ânimo, minha filha: o Senhor do Céu te encha de alegria pelos dissabores que tens padecido.
