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Catequese

Antes da catequese, a fé começa em casa

Uma oração antes de dormir, o sinal da cruz feito juntos e o exemplo cotidiano: descubra como pais, avós e responsáveis podem participar da formação cristã das crianças desde os primeiros anos de vida

Maíra Siqueira Machado16 de outubro de 20265 min de leitura
família na igreja

A cena se repete em nossa catequese: crianças chegam sem conhecer as primeiras orações e, muitas vezes, sem saber fazer o sinal da cruz. São acolhidas com carinho, como devem ser. Mas essa realidade convida os adultos a uma reflexão: que espaço a fé tem ocupado na vida de nossas famílias?

Antes de aprender uma oração com o catequista, a criança pode - e deve - conhecer a experiência de rezar ao lado de quem cuida dela. Antes de compreender uma explicação sobre o amor de Deus, pode encontrar sinais desse amor na maneira como é acolhida, orientada e respeitada dentro de casa.

A formação cristã dos filhos começa muito antes da matrícula na catequese. Ela acontece nas palavras que a família escolhe, nas prioridades que estabelece e nos gestos que repete todos os dias.

Assim como a escola participa da educação sem substituir a responsabilidade familiar, a catequese precisa caminhar junto com a família. A Igreja acolhe, anuncia o Evangelho, ensina e acompanha, inclusive quando a criança ainda não teve contato com a fé. Essa missão, porém, não dispensa a presença dos pais e responsáveis.

O Catecismo da Igreja Católica ensina que os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos filhos e que a formação na fé deve começar desde a infância. A catequese familiar prepara, acompanha e enriquece o aprendizado na comunidade. É uma responsabilidade vivida em comunhão. Catecismo da Igreja Católica, §§ 2223–2226.

Em Provérbios 22,6, encontramos uma orientação que pode ser assim expressa, em paráfrase: ensinar a criança no caminho em que deve andar deixa marcas que permanecem até a velhice. Essa sabedoria convida à perseverança na educação, respeitando a liberdade e o percurso de cada filho. Educar na fé é cultivar uma relação que precisará ser alimentada ao longo da vida.

Instrui ao menino em seu caminho, e até quando envelhecer, não se desviará dele.

(Pv 22,6)

Os primeiros anos merecem atenção especial. Neles se desenvolvem bases importantes das capacidades afetivas, intelectuais e sociais. Relações de cuidado, convivência e atenção ajudam a construir essas bases. Embora se fale frequentemente na importância dos primeiros sete anos, essa idade não representa um limite definitivo: a aprendizagem e o desenvolvimento continuam depois dela. (Centro de Desenvolvimento Infantil da Universidade Harvard.)

Na vida religiosa, isso nos convida a oferecer experiências de fé desde cedo, de maneira simples e adequada à compreensão da criança. Ela pode aprender a agradecer, a fazer uma pequena oração, a reconhecer o valor do perdão e a participar da vida da comunidade. Não é necessário esperar que saiba ler ou que tenha idade para iniciar a catequese. E, se essa vivência ainda não começou, é possível começar agora.

Há famílias que receberam pouca formação religiosa. Outras enfrentam jornadas exaustivas, dificuldades ou longos períodos de afastamento da Igreja. Reconhecer essas realidades ajuda a construir um caminho de aproximação. A responsabilidade permanece, mas pode ser assumida com apoio, aprendizado e pequenos passos.

Um desses passos é compreender a força do exemplo. A criança aprende com aquilo que ouve, mas também observa atentamente o que os adultos fazem. Quando palavras e atitudes caminham juntas, o ensinamento ganha credibilidade.

Se pedimos que ela reze, precisamos reservar tempo para rezar com ela. Se ensinamos o respeito, precisamos demonstrá-lo também nas discordâncias. Se falamos sobre o perdão, precisamos reconhecer nossos erros e pedir desculpas. Se afirmamos que a Missa é importante, precisamos procurar viver essa participação em família.

O exemplo dá às palavras um lugar concreto na vida.

Isso não exige pais perfeitos. Uma mãe que reconhece ter sido injusta, um pai que pede perdão depois de perder a paciência ou um avô que se dispõe a aprender uma oração também ensinam. Mostram que a fé envolve humildade, esforço e disposição para mudar.

A autoridade dos pais e responsáveis faz parte dessa missão. Exercê-la significa orientar, estabelecer limites coerentes, acompanhar e assumir decisões que favoreçam o bem da criança. Essa autoridade se fortalece com presença, respeito e constância. Humilhação e medo prejudicam a relação de confiança necessária para educar.

Na formação cristã, é importante que a criança encontre espaço para perguntar, expressar dúvidas e aprender no próprio ritmo. A oração pode ser apresentada como encontro com Deus, com palavras que ela consiga compreender e relacionar à sua vida.

Para começar, algumas atitudes simples podem fazer parte da rotina:

  • Ensinem o sinal da cruz com calma. Façam juntos, explicando que esse gesto expressa nossa fé em Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. Repitam com paciência, sem constranger a criança quando ela se confundir.

  • Reservem um breve momento diário para rezar. Antes de dormir ou de uma refeição, agradeçam pelo dia e apresentem a Deus as necessidades da família. A constância importa mais do que a duração.

  • Ensinem as orações aos poucos. Rezem o Pai-Nosso e a Ave-Maria, ajudando a criança a compreender seu sentido. Acolham também suas próprias palavras de gratidão e de pedido.

  • Participem da Missa em família. Expliquem os gestos e os momentos da celebração, considerando a idade e o tempo de atenção da criança.

  • Aproximem o Evangelho da vida cotidiana. Uma passagem breve pode abrir uma conversa sobre partilha, verdade, cuidado e reconciliação.

  • Acompanhem a catequese. Perguntem o que a criança aprendeu, conversem com os catequistas e retomem em casa aquilo que foi trabalhado nos encontros.

  • Busquem formação para vocês também. Quem não sabe uma oração ou não compreende um ensinamento pode aprender. A comunidade paroquial é lugar de acolhimento e crescimento para todas as idades.

Avós, tutores e outros responsáveis têm uma participação preciosa nesse caminho. Muitas crianças conhecem suas primeiras orações no colo dos avós ou pela dedicação de alguém que assumiu seus cuidados. Essa presença merece reconhecimento e apoio. Sempre que possível, os adultos devem procurar agir em conjunto, oferecendo referências coerentes e afetuosas.

A criança que chega à catequese sem saber rezar precisa encontrar acolhimento e oportunidade de aprender. Sua família também precisa ser convidada a participar. O desafio que se repete a cada ano pode se tornar o início de uma aproximação entre a casa e a comunidade.

Hoje, antes de dormir, reúna sua família por alguns minutos. Faça o sinal da cruz com a criança, agradeça por uma graça recebida e apresente a Deus uma preocupação. Se não souber como começar, diga com simplicidade: “Vamos aprender a rezar juntos”.

A fé que desejamos transmitir aos nossos filhos precisa encontrar espaço na vida que compartilhamos com eles. E esse espaço pode começar a ser aberto hoje.

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Comentários

1 comentário

  • Karina

    16 de outubro de 2026

    Texto muito importante para as famílias! Catequese na igreja só acontece quando caminha junto com a família.

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