Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Entretanto Macabeu, e os que ele tinha consigo, protegendo-os o Senhor, com efeito recobraram o templo, e a cidade:
2E demoliu os altares, que os infiéis tinham levantado nas praças públicas, e também os templos dos ídolos:
3E depois de terem purificado o templo, erigiram nele outro altar: E tendo feito sair algumas faíscas de pedras de fogo, ofereceram sacrifícios dois anos depois, e puseram o incenso, e as lâmpadas, e os pães da proposição.
4Feitas estas coisas, prostrados por terra, rogavam ao Senhor que não permitisse que eles tornassem a cair em tão grandes males: Mas que no caso que ainda pecassem, os castigasse com mais brandura, e não fossem entregues a homens bárbaros, e blasfemos.
5E aconteceu que naquele dia em que o templo tinha sido profanado pelos estrangeiros, nesse mesmo dia foi purificado, no dia vinte e cinco do mês de Casleu.
6E celebraram esta festa com alegria por oito dias, como a dos tabernáculos, lembrando-se que pouco tempo antes tinham passado a solenidade dos tabernáculos nos montes, e nas cavernas, onde viviam como feras.
7Pelo que levavam nas mãos varas cobertas de folhagem, e ramos verdes, e palmas à honra daquele que tinha facilitado o modo de se purificar o seu templo.
8E por um preceito, e decreto em que eles convieram, mandaram a toda a nação judia que celebraria esta festa todos os anos os mesmos dias.
9E tal foi por certo, quanto a Antioco, que foi chamado o Ilustre, o fim que teve a sua vida.
10Agora porém falando de Eupator, filho deste ímpio Antíoco, relataremos as ações que obrou, resumindo os males que sucederam durante as suas guerras.
11Este pois tanto que entrou a reinar, nomeou por seu primeiro ministro de estado dos negócios do reino a um certo Lísias, o general do exército da Fenícia, e da Síria.
12Porque Ptolomeu, que tinha por alcunha o Magro, determinou guardar religiosamente justiça aos judeus e principalmente por causa do injusto tratamento que se tinha praticado com eles, e portar-se pacificamente a respeito dos mesmos.
13Mas ele, acusado disto na presença de Eupator pelos seus favorecidos, como ouvisse que o tratavam muitas vezes de traidor, por ter deixado Chipre, que o rei Filometor lhe tinha confiado, e porque tendo passado para o partido de Antioco o Ilustre se tinha também alienado deste príncipe, se tirou a si a vida com veneno.
14Quanto a Gorgias, que tinha o mando daqueles lugares, tomando consigo tropas estrangeiras, dava de quando em quando suas refregas aos judeus.
15Por outra parte os judeus, que estavam senhores das praças fortes, recolhiam os que tinham sido sacudidos de Jerusalém, e buscavam ocasiões de guerrear.
16Entretanto os que andavam com Macabeu, tendo conjurado pelas suas orações ao Senhor, que viesse em seu socorro, atacaram com grande vigor as fortalezas dos idumeus:
17E porfiando em as combater com muita atividade, se apoderaram daqueles lugares, mataram os que se lhes puseram diante, e entre todos passaram à espada não menos que vinte mil homens.
18E tendo-se alguns retirado para duas torres em extremo fortes, onde tinham todos os petrechos que haviam mister para bem se defenderem,
19Macabeu deixando para a sua expugnação a Simão, e a José, e também a Zaqueu: E aos que estavam com eles em bastante número, marchou em pessoa para onde as necessidades mais urgentes da guerra o chamavam.
20Mas os que estavam com Simão, levados da cobiça, foram ganhados com dinheiro por alguns dos que estavam nas torres: E tendo recebido setenta mil didracmas, deixaram escapar alguns deles.
21E tendo chegado à notícia de Macabeu o que tinha passado, ajuntando os primeiros do povo acusou aqueles homens de terem vendido a seus irmãos por dinheiro, deixando escapar seus inimigos.
22Fez pois matar a estes tais convencidos de traidores, e tomou logo imediatamente as duas torres.
23E cedendo tudo prosperamente ao valor de suas armas, matou dentro destas duas praças passante de vinte mil homens.
24Porém Timóteo, que antes tinha sido vencido pelos judeus, levantado um exército de tropas estrangeiras, e ajuntada a cavalaria da Ásia, veio à Judeia, parecendo-lhe que se faria senhor dela pelas armas.
25Ao mesmo tempo que ele vinha chegando, Macabeu, e os que estavam com ele, faziam oração ao Senhor, lançando terra sobre suas cabeças, e tendo cingidos os seus rins de cilícios.
26Prostrados ao pé da porta do altar, para que lhes fosse a eles favorável, e se declarasse inimigo de seus inimigos, e adversário de seus adversários, como diz a lei.
27E assim tomadas as armas depois da oração, tendo-se avançado a bastante distância da cidade, fizeram logo alto estando já próximos aos inimigos.
28E tanto que saiu o sol travaram batalha os dois exércitos: Tendo uns por certo, além do seu esforço, ao Senhor por fiador da vitória e bom sucesso das suas armas: E os outros só tinham por guia o seu ânimo.
29Mas a tempo que a peleja era de parte a parte mais obstinada, apareceram do céu aos inimigos cinco homens a cavalo, com o adorno de freios de ouro, servindo de guia aos judeus:
30Dois deles tendo no meio de si a Macabeu, cobrindo-o com suas armas, o guardavam para que andasse sem risco de sua pessoa: E contra os inimigos lançavam dardos, e raios, com que vinham a cair mortos assim confundidos pela cegueira, como cheios de turbação:
31Foram pois mortos vinte mil e quinhentos homens, e seiscentos cavalos.
32E Timóteo fugiu para Gazara, praça fortificada, de que era governador Queéreas.
33Macabeu porém, e os que com ele estavam, cheios de alegria tiveram cercada a praça por quatro dias.
34Mas os que estavam dentro, confiados no fortificado da praça, os insultavam sobremaneira com injúrias, e proferiam palavras abomináveis.
35Porém amanhecendo o dia quinto, vinte mancebos dos que estavam com Macabeu, irritados no seu interior por causa destas blasfêmias, se chegaram valorosamente aos muros, e subiram acima deles com um ânimo embravecido:
36E subindo também outros em seu seguimento, começaram a pôr fogo às torres, e às portas, e a queimar vivos aqueles blasfemadores.
37E depois de gastarem dois dias inteiros em destruir a praça, tendo achado a Timóteo num lugar, onde ele se escondera, o mataram: Também tiraram a vida a seu irmão Quéreas, e a Apolofanes.
38Concluídas que foram estas empresas, cantando hinos e cânticos, bendiziam ao Senhor, que tinha feito estas grandes coisas em Israel, e lhes havia dado a vitória.
