Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Mas pouco tempo depois Lísias, aio do rei, e seu parente, e que tinha a seu cargo os negócios do reino, muito sentido do que havia acontecido,
2ajuntando oitenta mil homens de pé, e toda a cavalaria, marchava contra os judeus, imaginando que sem dúvida tomaria a cidade, com tenção de a dar aos gentios para a povoarem.
3E de tirar do templo grandes somas de dinheiro, como dos outros templos dos pagãos, e vender todos os anos o sumo sacerdócio:
4Não fazendo reflexão alguma no poder de Deus, mas tendo largado as rédeas à sua soberba, punha Lísias toda a confiança na multidão da sua infantaria, e nos seus milhares de cavalos, e em oitenta elefantes.
5Entrando pois na Judeia, e chegando a Betsura, que estava situada num lugar estreito, cinco estádios distante de Jerusalém, atacava esta praça.
6Tanto porém que Macabeu e os que estavam com ele souberam que as fortalezas eram combatidas, com gemidos, e lágrimas, rogavam ao Senhor, e juntamente todo o povo, que enviasse algum bom anjo para salvação de Israel.
7E Macabeu foi o primeiro que depois de tomar ele mesmo as armas exortou os outros a se exporem juntamente com ele ao perigo, e a darem socorro a seus irmãos.
8E quando eles marchavam todos juntos com ânimo resoluto, apareceu ao sair de Jerusalém um homem a cavalo, que ia adiante deles vestido de hábitos brancos com armas de ouro, brandindo uma lança.
9Então bendisseram todos eles ao mesmo tempo ao Senhor misericordioso, e se encheram de ânimo: Prontos a pelejar, não só com os homens mas também com as alimárias mais ferozes, e atravessar por muros de ferro.
10Marchavam eles pois com grande coragem, tendo por si o Senhor, que do alto do céu se declarava seu protetor, e fazia resplandecer sobre eles a sua misericórdia.
11Ao mesmo tempo lançando-se eles com grande ímpeto sobre seus inimigos, à maneira de leões, mataram onze mil homens da sua infantaria, e mil e seiscentos de cavalaria:
12E fizeram fugir todo o mais resto, e a maior parte deles não se puderam salvar, senão ficando feridos e sem armas. E até mesmo Lísias por meio de uma vergonhosa fugida escapou.
13E como ele não era insensato, considerando consigo mesmo a perda que tinha tido, e reconhecendo que os hebreus eram invencíveis quando se escoravam no socorro de Deus todo-poderoso, mandou-lhes embaixadores:
14E prometeu-lhes que consentiria em todas as condições de paz, que fossem justas, e que persuadiria ao rei que fizesse amizade com eles.
15Anuiu pois Macabeu aos rogos de Lísias, atendendo em todas as coisas ao interesse do público: E o rei esteve por tudo o que Macabeu pediu aos judeus na carta que escreveu a Lísias.
16Porque Lísias tinha escrito uma carta aos judeus concebida assim nestes termos: LÍSIAS ao povo dos judeus, saúde.
17João e Absalon, que por vós tinham sido enviados, entregando-me as vossas cartas, me pediram que cumprisse eu as coisas que por intervenção deles me eram significadas.
18Portanto expus ao rei tudo o que se lhe podia representar: E ele conveio naquilo que os seus negócios lhe permitiam.
19Se vós pois fordes fiéis ao rei nos vossos tratados, eu também daqui em diante me empenharei por vos fazer todo o bem que puder.
20E pelo que toca aos outros pontos, eu, tanto aos que vos me enviastes, como aos que eu vos envio, os encarreguei de conferirem pessoalmente mais em particular convosco sobre eles,
21Tende boa saúde. Ano cento e quarenta e oito, a vinte e quatro dias do mês de Dioscoro.
22E a carta do rei continha o seguinte: O REI Antioco a Lísias, seu irmão, saúde.
23Tendo sido o rei nosso pai trasladado para entre os deuses, desejando nós que os que estão no nosso reino vivam em paz e que ponham diligência em tratar dos seus negócios,
24ouvimos que os judeus não condescenderam com meu pai no tocante a se passarem para o ritos dos gregos, mas que querem conservar os seus costumes, e que por esta razão eles nos pedem que lhes seja permitido viverem segundo as suas leis.
25Querendo pois que também este povo viva em quietação, determinamos, e ordenamos que lhes seja restituído o seu templo, para eles viverem conforme os costumes de seus antepassados.
26Tu pois farás bem de mandares lá, e de fazeres aliança com eles: Para que tendo conhecido a nossa vontade, fiquem já com o ânimo desassombrado, e atendam a seus próprios interesses.
27E a carta do rei aos judeus era do teor seguinte: O REI Antioco ao senado dos judeus, e aos outros judeus, saúde.
28Se vós passais com saúde, estais no estado em que nós desejamos: E nós também passamos bem,
29Veio buscar-nos Menelau, dizendo que vos desejáveis vir ter com os vossos, que estão no nosso reino.
30Nós pois damos passaportes aos que quiserem vir até ao dia trinta do mês de Xantico,
31permitindo que os judeus usem das suas comidas, e vivam segundo as suas leis, como dantes: E que nenhum deles de modo algum padeça detrimento pelas faltas que foram cometidas por ignorância.
32Nós pois vos mandamos também Menelau para conferir convosco.
33Tende saúde. Ano cento e quarenta e oito, aos quinze dias do mês de Xantico.
34E também os romanos mandaram sua carta concebida nestes termos: QUINTO Memio, e Tito Maniho, legados dos romanos, ao povo dos judeus, saúde.
35Nós vos concedemos igualmente as mesmas coisas que Lísias, parente do rei, vos concedeu.
36E pelo que toca às que ele julgou que deviam ser representadas ao rei, mandai quanto mais depressa alguém, depois de terdes entre vós deliberado bem na matéria, para nós determinarmos o que vos for mais conveniente: Porque nós vamos a Antióquia.
37Por isso mandai-nos depressa a resposta, para nós sabermos também qual é a vossa vontade.
38Tende boa saúde. Ano cento e quarenta e oito, aos quinze dias do mês de Xantico.
