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2 Macabeus 12

Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.

1Feitos estes tratados, voltou Lísias para o rei, e os judeus se ocupavam em cultivar as terras.

2Mas outros, que tinham ficado no país, a saber, Timóteo e Apolônio, filho de Jeneu, como também Jerônimo e Demofonte, além destes, também Nicanor, governador de Chipre, não os deixava viver em paz nem em sossego.

3Entretanto os de Jope cometeram uma aleivosia tal, como esta: Rogaram aos judeus, com quem habitavam, que com suas mulheres e filhos se metessem numas barcas que tinham preparado, como se não houvesse entre eles inimizade alguma.

4Enfim segundo um decreto acordado unanimemente pela cidade, depois de consentirem até nisto os mesmos judeus, não tendo outrossim a menor suspeita por causa da paz que havia entre eles: Tanto que chegaram ao mar alto, os de Jope afogaram nele alguns duzentos judeus.

5Judas assim que soube desta crueldade cometida contra a gente da sua nação, mandou aos que estavam com ele que tomassem as armas: E depois de ter invocado a Deus, justo juiz,

6marchou contra estes homicidas de seus irmãos, e logo lhes queimou de noite o porto, queimou as barcas, e fez passar ao fio da espada os que tinham escapado das chamas.

7E depois de ter assim executado isto, retirou-se com tenção de lá tornar, e de acabar de uma vez com todos os de Jope.

8Mas como tivesse entendido que também os de Jamnia queriam fazer do mesmo modo aos judeus que viviam entre eles,

9deu também de noite sobre os tais jamnitas, e lhes queimou o porto com as suas embarcações: De sorte que o clarão do fogo se via em Jerusalém ficando ela na distância de duzentos e quarenta estádios.

10Tendo-se apartado já dali nove estádios, e indo marchando contra Timóteo, investiram com ele os árabes, que eram cinco mil infantes e quinhentos cavalos.

11E como se travasse um rijo combate, e tivesse havido bom sucesso com ajuda de Deus, os árabes que tinham ficado, vendo-se vencidos, pediam a Judas que se compusesse com eles, prometendo que lhe dariam pastos, e lhe assistiriam em tudo o mais.

12E Judas crendo que eles efetivamente lhe poderiam ser úteis em muitas coisas, prometeu-lhes paz: E feita a composição, eles se retiraram às suas tendas.

13E atacou ainda uma cidade forte, que tinha por nome Casfin, cercada de pontes e de muros, a qual estava mui povoada de uma mistura de diversas nações.

14Os que porém estavam dentro, confiados na firmeza dos seus muros, e no provimento que tinham de víveres, defendiam-se negligentemente, insultando a Judas com dictérios, e com blasfêmias, e proferindo palavras detestáveis.

15Macabeu porém, invocado o grande príncipe do mundo, que sem aríetes, nem máquinas bélicas, em tempo de Josué instantaneamente derribou a Jericó, subiu furiosamente aos muros:

16E tendo tomado a cidade pela vontade do Senhor executou nela incríveis estragos, de sorte que um tanque que estava ao pé, de dois estádios de largo, se viu tinto do sangue dos mortos.

17Partidos dali caminharam setecentos e cinquenta estádios, e chegaram a Caraca aos judeus, que se chamam tubianeus:

18E não puderam por certo haver às mãos a Timóteo naqueles lugares, porque como não tinha podido fazer ali nada, voltou para trás, deixada em certo sítio uma fortíssima guarnição.

19Mas Dositeu e Sosípatro, que eram comandantes das tropas com Macabeu, mataram dez mil homens, que Timóteo havia deixado para guarda desta praça.

20Entretanto Macabeu, ordenados e repartidos em coortes seis mil homens que o acompanhavam, marchou contra Timóteo, que tinha consigo cento e vinte mil infantes, e dois mil e quinhentos cavalos.

21E Timóteo sabida a chegada de Judas, mandou adiante as mulheres, e os filhos, e o resto da bagagem para uma praça chamada Carnion: Porque era inconquistável e difícil de ser entrada por causa da estreiteza das suas avenidas.

22Mas tanto que apareceu a primeira coorte de Judas ficaram os inimigos passados de medo, pela presença de Deus, que vê todas as coisas, e tomaram a fugida uns atrás dos outros, de sorte que eram com maior desbarato derribados pelos seus, e se feriam com golpes das suas mesmas espadas.

23E Judas carregava sobre eles com grande vigor castigando a estes profanos, e deles fez cair mortos no campo trinta mil homens.

24E o mesmo Timóteo veio a cair nas mãos de Dositeu, e de Sosípatro: E lhes pediu com agonizadas instâncias que o deixassem ir com vida, porque tinha feito prisioneiros muitos pais, e muitos irmãos de judeus, os quais pela sua morte perderiam a esperança de cobrar a liberdade.

25E tendo-lhes dado palavra que restituiria estes prisioneiros segundo o tratado, eles o deixaram ir sem lhe fazerem mal algum, com os olhos em salvar a seus irmãos.

26Depois tornou Judas a ir a Carnion, onde matou vinte e cinco mil homens.

27Depois da fugida, e matança destes inimigos, fez ele marchar seu exército para Efrom, cidade forte, em que habitava uma grande multidão de diversos povos: E os seus muros estavam bordados de valentes mancebos, que os defendiam vigorosamente: E dentro havia muitas máquinas de guerra, e prevenção de armas de arremesso.

28Mas tendo os judeus invocado o Todo-Poderoso, que destrói com o seu poder as forças dos inimigos, tomaram a cidade: E mataram dos que estavam dentro vinte e cinco mil.

29Dali passaram à cidade dos citas, que distava de Jerusalém seiscentos estádios.

30E como os mesmos judeus, que viviam com os citopolitas, tivessem atestado que eram bem tratados por eles, que ainda nos tempos da sua desgraça tinham usado com eles de moderação:

31Dando-lhes por isso as graças, tendo-os exortado a que se mostrassem ainda para o diante benignos com os da sua nação, voltaram para Jerusalém por estar próxima a solenidade das semanas.

32E passado que foi o Pentecostes, marcharam eles contra Gorgias, governador da Idumeia.

33E Judas o foi atacar com três mil infantes, e quatrocentos cavalos.

34Tendo vindo às mãos os dois exércitos, foram poucos os judeus que ficaram mortos.

35Um certo cavaleiro porém dos de Bacenoris, por nome Dositeu, homem valente, tinha aferrado de Gorgias: E quando ele o queria tomar vivo, outro cavaleiro dos de Trácia arremeteu a ele, e lhe cortou um ombro, e assim escapando Gorgias fugiu para Maresa.

36Mas achando-se fatigados os que estavam com Esdrim, por terem pelejado havia muito tempo, invocou Judas ao Senhor, para que se fizesse ele mesmo o protetor, e o capitão neste combate:

37Começando a falar na língua pátria, e a levantar clamores em hinos, pôs em fugida os soldados de Gorgias.

38Depois ajuntando Judas o seu exército, partiu para a cidade de Odolam: E chegando o dia sétimo, purificados segundo o costume, celebraram o sábado no mesmo lugar.

39E no dia seguinte foi Judas com os seus ao campo, para levar os corpos dos que tinham sido mortos, e para os sepultar com os seus parentes nos sepulcros de seus pais.

40Ora eles acharam debaixo das túnicas dos mortos na batalha algumas das oferendas consagradas aos ídolos, que havia em Jamnia, que a lei proíbe aos judeus: Todos pois reconheceram que esta fora a causa da sua morte.

41Todos por isso bendisseram o justo juízo do Senhor, que tinha descoberto o que estava escondido.

42E assim, tendo-se posto em oração, conjuraram o Senhor que se esquecesse do pecado, que fora cometido. Mas na verdade o fortíssimo Judas exortava o povo a que se conservasse sem pecado, vendo diante de seus olhos o que tinha acontecido por causa dos pecados daqueles que tinham sido mortos.

43E tendo ajuntado uma coleta, mandou doze mil dracmas de prata a Jerusalém para serem oferecidas em sacrifício pelos pecados dos mortos, sentindo bem e religiosamente da ressurreição:

44(Porque se ele não esperasse que os que tinham sido mortos, haviam um dia de ressuscitar, teria por uma coisa supérflua e vã orar pelos defuntos).

45E porque ele considerava que os que haviam falecido na piedade tinham uma grandíssima misericórdia reservada.

46É logo um santo, e saudável pensamento orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados.