Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Deus criou o homem de terra, e o formou segundo a sua imagem.
2E ele o fez de novo converter depois na mesma terra, e o revestiu de força segundo a sua natureza.
3Ele lhe constituiu o tempo, e o número dos seus dias, e lhe deu poder sobre tudo o que há na terra.
4Ele o fez ser temido de toda a carne, e lhe deu o império sobre os animais e sobre as aves.
5Ele criou da sua mesma substância uma ajuda semelhante a ele: Deu-lhes discernimento, e língua, e olhos, e ouvidos, e espírito para cogitar: E encheu-os da luz da inteligência.
6Criou neles a ciência do espírito, encheu de senso os seus corações, e mostrou-lhes os males e os bens.
7Pôs o seu olho sobre os seus corações: Para lhes fazer ver as maravilhas das suas obras.
8E isto a fim de que eles com os seus louvores engrandecessem a santidade do seu nome: E de que o glorificassem por causa das suas maravilhas, de que publicassem a magnificência das suas obras.
9Acrescentou-lhes a disciplina, e deu-lhes em herança a lei da vida.
10Fez com eles um pacto eterno, e lhes mostrou a sua justiça e os seus juízos.
11E com os seus próprios olhos viram eles as grandezas da sua glória, e seus ouvidos ouviram a majestade da sua voz, e ele lhes disse: Guardai-vos de toda a iniquidade.
12E lhes ordenou que cada um deles tivesse cuidado no seu próximo.
13Os caminhos deles perante ele estão sempre, não foram nunca escondidos a seus olhos.
14Ele estabeleceu a cada nação seu príncipe, que a governasse:
15Mas Israel foi visivelmente a porção que Deus tomou para si.
16E todas as suas obras apareceram tão claramente diante de Deus como o sol: E os seus olhos se aplicam sem intermissão a considerar os seus caminhos.
17A sua aliança não ficou escurecida pela maldade deles, e à vista de Deus foram patentes as suas iniquidades.
18A esmola do homem é diante do mesmo Deus como um selo, e ele conservará o bem-fazer do homem como a menina do olho:
19E levantar-se-á depois, e lhes dará a sua retribuição, conforme o próprio merecimento de cada um, e precipitá-los-á até às partes interiores da terra.
20Aos penitentes porém concedeu ele o caminho da justiça, e confortou os pusilânimes para vencerem a tentação, e lhes destinou a sorte da verdade.
21Converte-te ao Senhor, e deixa os teus pecados:
22Faze as tuas deprecações ante a face do Senhor, e diminui os tropeços.
23Torna para o Senhor, e aparta-te da tua injustiça, e aborrece no extremo a execração:
24E conhece as justiças e os juízos de Deus e persevera na sorte que te foi proposta, na invocação do Deus Altíssimo,
25Vai incorporar-te na porção do século santo, com os vivos, e com os que dão louvor a Deus.
26Não te demores no erro dos ímpios, e louva a Deus antes da morte. O louvor, depois do homem estar morto, fenece, tornando-se como num puro nada.
27Confessá-lo-ás vivendo, vivo e são confessarás e louvarás a Deus, e te gloriarás nas suas misericórdias.
28Quão grande é a misericórdia do Senhor, e a sua piedade para com todos os que a ele se convertem!
29Porque nos homens não se pode achar tudo, visto que os filhos dos homens não são imortais, e que eles põem a sua complacência na vaidade da malícia.
30Que coisa há mais luminosa do que o sol? e contudo ele padecerá seus delíquios. Ou que coisa pior do que tudo quanto excogitou a carne e o sangue? e ainda assim esta malignidade será punida.
31O mesmo sol contempla o poder da elevação do Céu: Mas os homens todos não são mais do que terra e cinza.
