Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Aquele que ama a seu filho, castiga-o com frequência, para que ele se alegre com isso nos últimos tempos da sua vida, e não vá mendigar às portas dos outros.
2Aquele que ensina a seu filho, nele será louvado, e nele mesmo se gloriará no meio dos seus domésticos.
3Aquele que ensina a seu filho, excita à emulação a seu inimigo, e entre os seus amigos se gloriará nele.
4Morreu o pai dele, e foi como se não morrera: Porque deixou depois de si um seu semelhante.
5Em sua vida o viu, e nele se alegrou: Em sua morte não se entristeceu, nem se envergonhou diante dos seus inimigos.
6Porque deixou um defensor da sua casa contra os inimigos dela, e quem fosse agradecido aos amigos.
7Pelas almas dos filhos atará as suas feridas, e sobre toda a voz se turbarão as suas entranhas,
8Um cavalo indômito faz-se intratável, e um filho deixado à sua vontade sairá precipitado.
9Anima a teu filho, e te fará andar assustado: Brinca tu com ele, e ele te entristecerá.
10Não te ponhas a rir com ele, para que lhe não sintas as dores, e não te desbotem no fim os dentes.
11Não lhe dês largas na sua mocidade, e não desprezes as suas intenções.
12Encurva-lhe a cerviz na mocidade, e zurze-lhe as suas ilhargas enquanto é menino, para que não suceda talvez endurecer-se e não te obedeça, e venha a ser pelo tempo adiante a dor da tua alma.
13Ensina a teu filho, e trabalha pelo formar, para que não tropeces na sua afronta.
14Um pobre são, e alentado de forças, vale mais do que um rico fraco, e atormentado de doenças.
15A saúde da alma em santidade de justiça é melhor do que todo o ouro e prata: E o corpo robusto vale mais do que imensos bens.
16Não há riquezas maiores do que as da saúde do corpo: Nem contentamento que seja igual à alegria do coração.
17Melhor é a morte do que a vida amargurada: E o descanso eterno do que um achaque perseverante.
18Os bens escondidos na boca cerrada são como as cobertas de um banquete postas em torno de um sepulcro.
19De que servirá ao ídolo a oblação? Pois que ele nem a comerá, nem lhe tomará o cheiro:
20Assim acontece ao que é perseguido pelo Senhor, levando o pago da sua iniquidade:
21Vendo com seus olhos, e gemendo como um eunuco que abraça a donzela e suspira.
22Não dês tristeza à tua alma, e não te aflijas a ti mesmo no teu conselho.
23O júbilo do coração esse é a vida do homem, e um tesouro inexaurível de santidade: E o regozijo do homem é a longura da sua vida.
24Tem piedade com a tua alma fazendo-te agradável a Deus, e contém-te: Reúne o teu coração na santidade do mesmo Deus, e afugenta para longe de ti a tristeza.
25Porque a tristeza tem morto a muitos, e não há utilidade nela.
26A inveja e a ira abreviam os dias, e o cuidado fará chegar a velhice antes do tempo.
27Um coração desassombrado, e bom, está em banquetes: Porque as suas iguarias se lhe preparam com diligência.
