Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1A vigília que se tem para ajuntar bens definhará as carnes e a aplicação a isto tirará o sono.
2O pensamento inquieto sobre o que há de suceder traz alienado o sentido, e a enfermidade grave faz a alma sóbria.
3Trabalhou o rico por ajuntar fazenda, e no descanso do próprio tráfego será cheio dos seus bens.
4Trabalhou o pobre defraudando-se do sustento, e no fim acha-se necessitado.
5Aquele que ama o ouro, não será justificado: E aquele que vai no alcance da corrupção, será cheio dela.
6Muitos deram quedas por causa do ouro, e na vista refulgente deste consistiu a perdição daqueles.
7Lenho de tropeço é o ouro dos que lhe fazem sacrifícios: Ai daqueles que vão após dele, e todo o imprudente perecerá por ele.
8Bem-aventurado o rico, que foi achado sem mancha e que se não deixou ir após o ouro, nem esperou no dinheiro, nem nos tesouros.
9Quem é este, e nós o louvaremos? Porque fez coisas maravilhosas em sua vida.
10Ao que foi provado no ouro, e se achou ser perfeito, isto lhe servirá de glória eterna: O que pode transgredir a lei de Deus, e não a transgrediu: O que pôde fazer mal e não o fez:
11Por isso os seus bens foram assegurados no Senhor, e toda a igreja dos Santos celebrará as suas esmolas.
12Sentaste-te a uma grande mesa? Não sejas o primeiro que sobre ela abras a tua garganta.
13Não digas assim: Muitas são as iguarias que há sobre ela:
14Lembra-te que é má coisa um olho maligno:
15Que coisa há entre as criaturas pior do que o olho? Por isso ele banhará de lágrimas todo o seu rosto: Quando olhar,
16não sejas o primeiro que estendas a tua mão, e notado pela inveja te venhas a cobrir de rubor.
17Não te portes com desatenta sofreguidão no banquete.
18Por ti mesmo entende o que convém a teu próximo:
19Usa como um homem temperado, do que se te puser diante: Não suceda que por comeres muito te faças odioso,
20Cessa de comer primeiro que todos em sinal da tua boa criação: E não te desmandes, para que não suceda vires a cair em falta.
21E se te assentaste entre muitas pessoas não estendas a tua mão antes delas, nem sejas o primeiro que peças de beber.
22Assaz bastante é para qualquer homem regrado uma pequena porção de vinho, e quando dormires não terás o sono inquieto, por seu respeito, nem sentirás dor.
23Vigília, cólera, e ânsias terá o homem intemperante:
24No homem parco se achará um sono de saúde, dormirá até pela manhã e a sua alma se deleitará com ele.
25E se fores obrigado a comer muito levanta-te do meio, vai despejar o teu estômago: E esta descarga te aliviará, e não meterás no teu corpo uma doença.
26Ouve-me, filho, e não me desprezes: E no fim reconhecerás a verdade das minhas palavras.
27Sê pronto em todas as tuas ações e não te virá nenhuma enfermidade.
28Os lábios de muitos bendirão aquele que dá de comer liberalmente, e o testemunho da sua verdade é fiel.
29Contra o malvadíssimo em dar pão murmurará a cidade, e o testemunho da sua malignidade é verdadeiro.
30Não provoques a beber aqueles que são amigos do vinho: Porque o vinho perdeu a muitos.
31O fogo prova o duro ferro: Assim o vinho bebido até embriagar dará a conhecer os corações dos soberbos.
32O vinho bebido com sobriedade é uma segunda vida para os homens: Se tu o beberes moderadamente, serás sóbrio.
33Que vida é a daquele que se deixa vencer do vinho?
34Que coisa é a que nos priva da vida? A morte.
35O vinho desde o princípio foi criado para regozijo, e não para embriaguez.
36O vinho bebido moderadamente é o júbilo da alma e do coração.
37A bebida sóbria é a saúde da alma e do corpo.
38O vinho bebido com excesso traz consigo irritação e ira, e muitas ruínas.
39O vinho bebido em demasia é a amargura da alma.
40A animosidade da embriaguez é o tropeço do imprudente, diminui a força, e ocasiona feridas.
41Em um convite de vinho não arguas ao próximo: E não o desprezes na força da sua alegria:
42Não lhe digas palavras de impropério: E não o apertes desafiando-o com os teus brindes.
