Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Todo o amigo dirá: Eu também tenho contraído amizade. Mas há um amigo que só é amigo no nome. Acaso não é esta uma tristeza que dura até à morte?
2Ora um companheiro e amigo se converterá em inimigo.
3Ó perversíssima invenção! De onde tomaste tu a tua origem para vires cobrir a terra de tal malícia, e da tua perfídia?
4O companheiro alegra-se com o amigo nas ocasiões de prazer, e no tempo da tribulação será seu adversário.
5Um companheiro se condói do seu amigo por causa do ventre, e contra o inimigo embraçará o escudo.
6Não apagues dentro do teu coração a memória do teu amigo, e não te faças esquecido dele no meio das tuas riquezas.
7Não queiras tomar conselho com aquele que te arma traições, e esconde o teu desígnio dos que te têm inveja.
8Todo homem consultado dá o seu conselho, mas há conselheiro que só atende a si mesmo.
9Guarda a tua alma do conselheiro: Informa-te primeiro sobre qual seja a sua necessidade: Porque até ele mesmo dentro no seu coração estenderá o pensamento à própria conveniência:
10Para que não suceda, talvez, que finque na terra uma estaca, e te diga:
11O teu caminho é bom: E ao mesmo tempo se ponha da outra parte para ver o que te acontece.
12Vai tratar de santidade com um homem sem religião, e com um injusto sobre a justiça, e com uma mulher sobre outra de quem ela tem ciúme: Com o covarde a respeito da guerra: Com o negociante acerca do tráfico das mercadorias: com o comprador sobre a venda, com o homem invejoso sobre o mostrar-se agradecido,
13com o ímpio sobre a piedade, com o desonesto sobre a honestidade, com o operário do campo sobre qualquer trabalho,
14com o jornaleiro por ano sobre a obra que se há-de concluir no tal ano, com o servo preguiçoso a respeito da muita lida: Não atendas a estes em nenhum dos mencionados conselhos.
15Mas acha-te de contínuo com o varão santo, qualquer que tu conheceres que observa o temor de Deus,
16cuja alma é segundo a tua alma: E que se condoerá de ti, quando andares titubeando em trevas.
17Forma dentro de ti um coração de bom conselho: Pois não tens outra coisa de maior preço do que ele.
18A alma dum homem santo descobre algumas vezes melhor a verdade, do que sete sentinelas assentadas no alto para atalaiar o que se passa.
19Mas em todas estas coisas, pede ao Altíssimo que dirija o teu caminho em verdade.
20Antes de todas as tuas obras vá adiante de ti a palavra verídica, e antes de toda a ação um conselho estável.
21Uma palavra má transtornará o coração: Dele nascem quatro coisas, o bem e o mal, a vida e a morte, e sobre elas quem domina de contínuo é a língua. Há homem sagaz que ensina a muitos, e para a sua alma é inútil.
22Um homem perito instruiu a muitos, e para a sua alma é suave.
23Aquele que usa duma linguagem sofística, é digno de que o aborreçam: Este tal em toda a coisa ficará defraudado.
24Não lhe foi dada pelo Senhor a graça: Pois se acha destituído de toda a sabedoria.
25É sábio o que sabe para a sua alma: E o fruto da sua sabedoria é louvável.
26O homem sábio instrui o seu povo e os frutos da sua sabedoria são fiéis.
27O homem sábio cheio será de bênçãos, e louvá-lo-ão os que o virem.
28A vida do homem se encerra num certo número de dias: Porém os dias de Israel são inumeráveis,
29O sábio adquirirá para si honra entre o povo, e o seu nome viverá eternamente.
30Filho, prova a tua alma na tua vida: E se ela for má, não lhe dês liberdade:
31Porque nem todas as coisas convêm a todos, nem a toda a alma agrada o exercício das mesmas coisas.
32Não queiras ser glutão em banquete algum, e não te lances a todos os pratos:
33Porque nas muitas viandas estará a doença, e a glutoneria chegará até à cólera.
34Por causa da intemperança morreram muitos: Porém o que é abstinente acrescentará a vida.
