Brasão da Paróquia São SebastiãoParóquia São SebastiãoMococa-SP

Eclesiástico 38

Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.

1Honra ao médico por causa da necessidade: Porque o Altíssimo é quem o criou.

2Porque toda a medicina vem de Deus, e ela receberá do rei donativos.

3A ciência do médico exaltará a sua cabeça, e será louvado na presença dos magnates.

4O Altíssimo é o que produziu da terra todos os medicamentos, e o homem prudente não lhes terá oposição.

5Porventura não foi por meio dum lenho que se tornou doce a água amargosa?

6Ao conhecimento dos homens pertence a virtude daqueles, e o Altíssimo deu aos mencionados homens ciência, para ser por eles honrado nas suas maravilhas.

7Curando com estes mitigará a dor, e o boticário fará perfumes suaves e comporá unguentos saudáveis, e não terão fim as suas obras.

8Porque a paz de Deus se estende sobre a face da terra.

9Filho, não te desprezes a ti mesmo na tua enfermidade, mas faze oração ao Senhor e ele te curará.

10Aparta-te do pecado, e endireita as tuas mãos, e purifica o teu coração de todo o delito.

11Oferece um cheiro suave e a flor da farinha em memória, e faze pingue a tua oblação, e dá lugar ao Médico:

12Porque o Senhor é quem o criou: E não se aparte de ti, porque te é necessária a sua assistência.

13Porque lá vem tempo em que te chegue a ocasião de cair nas mãos deles:

14E eles mesmos rogarão ao Senhor que lhes disponha o seu alívio, e saúde, para a convivência deles mesmos.

15Aquele que peca na presença de quem o criou, virá a cair nas mãos do médico.

16Filho, derrama lágrimas sobre o morto, e começa a chorar como quem recebeu um grande golpe, e enterra o seu corpo segundo o juízo, e não desprezes a sua sepultura.

17Toma por ele um dia nojo apertado na amargura da tua alma, para evitar a maledicência, e admite consolação, atendendo aos efeitos da tristeza,

18e toma este nojo segundo o merecimento da pessoa, um dia, ou dois para não dares lugar à detração.

19Porque da tristeza se vem apressando a morte, e ela sufoca o vigor, e a melancolia do coração faz dobrar a cerviz.

20Enquanto o levam permanece a tristeza: E a vida do pobre é segundo o seu coração.

21Não entregues o teu coração à tristeza, mas lança-a fora de ti: E lembra-te dos novíssimos,

22não te esqueças deles: Porque não há regresso algum, e nada aproveitarás a ele, e a ti mesmo farás um grave dano.

23Lembra-te do estreito juízo por onde já passei: Porque assim o será também o teu: Ontem por mim, e hoje por ti.

24No repouso do morto faze tu repousar a sua memória, e consola-te a respeito dele pelo trânsito do seu espírito.

25A sabedoria dum doutor adquire-se no tempo do ócio: E o que menos se distrai com outra qualquer ocupação, alcançará a sabedoria: De que sabedoria será cheio

26o que pega no arado, e que faz timbre da aguilhada, com o ferrão dela pica os bois, e se ocupa em seus trabalhos, e cuja conversação é sobre novilhos da raça de touros.

27Ele aplicará o seu coração a revolver os regos, e o seu desvelo se empregará em engordar as vacas.

28Assim todo o oficial e mestre, que passa trabalhando a noite como o dia, o que grava as figuras dos sinetes, e que todo se cansa em as variar: Aplicará o seu coração a imitar a pintura, e à força do seu desvelo completará a obra.

29Assim o ferreiro assentado ao pé da bigorna, e considerando a sua obra de ferro: O vapor do fogo queimará as suas carnes e ali está lutando com o calor da frágua:

30De contínuo fere os seus ouvidos o estrondo do martelo, e os seus olhos ao modelo da obra se põem atentos:

31E aplicará o seu coração a completar as suas obras, e com o seu desvelo as aformoseará dando-lhes a última perfeição.

32Assim o oleiro, que assentado junto da sua obra, dá voltas à roda com seus pés, o qual está num contínuo cuidado pela sua obra, e tudo quanto faz é com muita conta.

33Com seu braço dará forma ao barro, e ante seus pés domará a sua força.

34Ele aplicará o seu coração a vidrar a obra perfeitamente, e com o seu desvelo madrugará para limpar o forno.

35Todos estes puseram a esperança na indústria das suas mãos, e cada um é sábio na sua arte.

36Sem todos estes não se edifica uma cidade.

37Mas eles não habitarão, nem passearão, e não entrarão no Ajuntamento.

38Eles não se assentarão em cadeira de Juiz, e não entenderão as leis de justiça, nem farão patentes as regras da Moral, nem do direito, e não se acharão ocupados na inteligência das parábolas:

39Mas só manterão as coisas que enfim passam com o tempo, e a sua rogativa será sobre a obra da própria arte, empregando todavia a sua alma, e fazendo estudo na lei do Altíssimo.