Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Uma inquieta ocupação foi destinada logo no princípio a todos os homens, e um pesado jugo carrega sobre os filhos de Adão, desde o dia em que eles saem do ventre de sua mãe, até o dia da sua sepultura, em que eles entram na mãe comum de todos.
2Os seus cuidados, e os temores do coração, a apreensão do que esperam, e o dia em que tudo acaba:
3Desde o que está sentado sobre um trono de glória, até o que se acha abatido na terra e na cinza.
4Desde aquele que está vestido de púrpura, e traz coroa, até ao que se cobre de linho cru: O furor, os zelos, o tumulto, a perplexidade, e temor da morte, a ira reconcentrada, e as contendas,
5até no tempo em que repousa na cama o sono da noite lhe faz perturbar o pensamento.
6O espaço que toma no seu repouso, é como se nada fora, e depois disto ainda no seu mesmo sono está feito uma como sentinela de dia.
7Ele se acha desassossegado com o fantasma do seu coração, como quem escapou no dia da batalha. Levantou-se quando já estava em salvo, e à vista de seu aparente susto se admira:
8Toda a carne é sujeita a estes acidentes, desde os homens até aos animais, e os pecadores ainda mais em dobro sete vezes do que os outros.
9Além disto, a morte, o sangue, a contenda, e o montante, as opressões, a fome, e a ruína dos países, e os outros flagelos:
10Todas estas coisas foram criadas para virem sobre os maus, e por causa deles aconteceu o dilúvio.
11Tudo o que é da terra, tornar-se-á em terra, e todas as águas irão parar outra vez no mar.
12Toda a dádiva para corromper, e toda a iniquidade perecerá, mas a fé persistirá eternamente.
13As riquezas dos injustos secar-se-ão, como uma torrente, e farão muito estrondo, como um grande trovão quando chove.
14O injusto alegrar-se-á, quando abrir as suas mãos: Porém assim é que os prevaricadores enfim se definharão.
15Os netos dos ímpios não multiplicarão os ramos, e as raízes viciadas soam no alto dum rochedo.
16A verdura que cresce sobre as águas, e à borda dum rio, primeiro que toda a outra erva será arrancada.
17A beneficência é como um paraíso abundante em bênçãos, e a misericórdia permanece para sempre.
18A vida do operário que se contenta com o que lhe basta, será cheia de doçura, e tu acharás nela um tesouro.
19Os filhos, e a fundação duma cidade, farão o nome dum homem célebre, e mais do que isto, será estimada a mulher irrepreensível.
20O vinho e a música alegram o coração: Mas o amor da sabedoria excede ambas estas coisas.
21O som da flauta, e do saltério fazem uma suave melodia, mas a língua suave sobrepuja ambas as coisas.
22A graça do corpo, e a beleza do rosto desejará o teu olho, mas a verdura dos campos semeados leva muita vantagem a ambas as coisas.
23O amigo e o companheiro se auxiliam mutuamente na ocasião, mas com preferência a ambos a mulher com seu marido.
24Os irmãos servem de ajutório no tempo da tribulação, porém a misericórdia livrará ainda mais do que eles.
25O ouro e a prata são a firmeza dos pés: Mas um conselho bem aprovado excede ambas as coisas.
26Os bens e as forças do corpo elevam o coração, mas o temor do Senhor se avantaja sobre estas coisas.
27Nada falta ao que tem o temor do Senhor, e com ele não há necessidade de buscar outro socorro.
28O temor do Senhor é como um paraíso de bênção, e ele se acha revestido de uma glória sobre toda a glória.
29Filho, em tempo nenhum da tua vida te ponhas a mendicante: Porque melhor é morrer do que mendigar.
30O homem que se atém à mesa alheia não emprega a sua vida em cuidar do sustento: Porque alimenta a sua vida com os manjares que outrem lhe dá.
31Mas o varão bem educado, e instruído se guardará.
32Na boca do insensato será doce a pobreza, mas em seu ventre arderá o fogo.
