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Judite 10

Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.

1Sucedeu pois que tendo Judite cessado de clamar ao Senhor, se levantou do lugar, onde se tinha prostrado em terra diante do Senhor.

2E chamou a sua escrava, e descendo à sua casa, tirou de si o cilício, e despiu-se dos hábitos de sua viuvez,

3e lavou o seu corpo, e ungiu-se de preciosos cheiros, e entrançou os cabelos de sua cabeça, e pôs uma coifa magnífica sobre a sua cabeça, e vestiu-se com os vestidos da sua gala, e calçou os seus pés de sandálias, e pôs braceletes, e joias do feitio de açucenas, e arrecadas, e anéis, e ornou-se com todos os seus enfeites.

4O Senhor lhe acrescentou a gentileza: Porque todo este adorno procedia não de algum mau desejo, mas de virtude: E por isso o Senhor lhe aumentou tal formosura, que aparecesse aos olhos de todos de incomparável beleza.

5Deu pois para levar à sua escrava uma garrafinha de vinho, e uma almotolia de azeite, e farinha, e figos passados, e pão, e queijo, e partiu.

6E tendo ela chegado à porta da cidade acharam a Ozias, e aos anciãos da cidade, que a estavam esperando.

7Eles vendo-a de pasmados se admiraram sobremaneira da sua beleza.

8Não lhe perguntando contudo coisa alguma, deixaram-na passar, dizendo: O Deus de nossos pais te dê graça, e corrobore com a sua fortaleza todas as resoluções do teu coração, para que Jerusalém se glorie em ti, e o teu nome seja no número dos Santos e Justos.

9E os que estavam ali presentes disseram todos a uma voz: Assim seja, assim seja.

10Mas Judite, orando ao Senhor, passou as portas, ela e a sua escrava.

11E sucedeu que quando ela descia do monte, ao amanhecer do dia, lhe saíram ao encontro as guardas avançadas dos assírios, e a prenderam, dizendo: De onde vens tu? Ou para onde vais?

12Respondeu ela: Eu sou uma das filhas dos hebreus, e eu por isso fugi da presença deles, porque previ que eles vos hão de ser entregues a saque, porque desprezando-vos, não quiseram render-se-vos voluntariamente para encontrarem misericórdia em vossa presença.

13E por esta causa pensei comigo, dizendo: Irei à presença do príncipe Holofernes, para lhe descobrir os seus segredos, e para lhe mostrar por que entrada os possa tomar, sem que pereça um só homem do seu exército.

14E tendo aqueles homens ouvido as suas palavras, consideravam o seu rosto, e nos seus olhos estava o pasmo, porquanto sobremodo se maravilhavam de sua formosura.

15E disseram-lhe: Tu salvaste a tua vida porque tomaste tal resolução de vir ter com o nosso príncipe.

16E deves saber isto, que quando te apresentares diante dele, ele te há de tratar bem, e tu lhe hás de ganhar o coração. Levaram-na pois à tenda de Holofernes, noticiando-lhe quem ela era.

17E tendo entrado à sua presença, logo Holofernes ficou cativo de seus olhos.

18E os seus oficiais lhe disseram: Quem poderá desprezar o povo dos hebreus, que tem mulheres tão belas, que devamos com razão pelejar contra eles para as possuirmos?

19E Judite vendo a Holofernes assentado debaixo de um mosquiteiro, que era de púrpura, e tecido de ouro, e de esmeraldas, e de pedras preciosas:

20E depois de ter olhado para o seu rosto, o adorou, prostrando-se em terra. E os oficiais de Holofernes a levantaram, por mandado do seu senhor.