Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Então se levantarão os justos com grande afouteza contra aqueles que os atribularam, e que lhes roubaram o fruto dos seus trabalhos,
2Vendo-os assim, perturbar-se-ão com temor horrível, e ficarão assombrados pela novidade repentina da sua salvação, que eles não esperavam,
3dizendo dentro de si, tocados do arrependimento, e com angústia do espírito gemendo: Estes são aqueles, de quem nós noutro tempo fazíamos zombaria, e a quem tínhamos por objeto de opróbrio.
4Nós insensatos reputávamos a sua vida por uma loucura, e o seu fim sem honra:
5Ei-los aí como têm sido contados entre os filhos de Deus, e entre os santos está a sua sorte.
6Logo nós nos extraviamos do caminho da verdade, e a luz da justiça não raiou para nós, e o sol da inteligência não nasceu sobre nós.
7Nós nos cansamos no caminho da iniquidade, e da perdição, e andamos por uns caminhos ásperos, e ignoramos o caminho do Senhor.
8De que nos aproveitou a soberba? ou de que nos serviu a jactância das riquezas?
9Todas aquelas coisas passaram como sombra, como um correio que vai depressa.
10E como uma nau, que vai cortando as agitadas ondas, da qual se não pode achar rasto depois que passou, nem a esteira da sua quilha nas ondas:
11Ou como ave que voa, atravessando pelo ar, de cujo caminho se não acha indício algum, senão só o ruído das asas, que cortam o leve vento, e fendendo o ar com a força do seu voo, passou batendo as asas, e depois disto se não encontra sinal algum do seu caminho:
12Ou como seta despedida ao lugar destinado: O ar dividido logo se cerra em si mesmo, de maneira que se fica ignorando a passagem dela:
13Assim também nós, logo que nascemos deixamos de ser: E na verdade nenhum sinal de virtude podemos mostrar, mas fomos consumidos em nossa malícia.
14Tais são as coisas, que disseram no inferno estes, que pecaram:
15Porque a esperança do ímpio é como a lanugem, que pelo vento é levada: E como a espuma tênue, que pela tempestade é espalhada: E como o fumo, que pelo vento é dissipado: E como a lembrança do hóspede de um dia, que passa.
16Mas os justos viverão para sempre, e a sua recompensa está no Senhor, e o pensamento deles no Altíssimo.
17Portanto receberão da mão do Senhor um reino de honra, e um diadema de formosura: Porque os protegerá com a sua destra, e com o seu santo braço os defenderá.
18O seu zelo se vestirá de todas as suas armas: E ele armará as suas criaturas para se vingar de seus inimigos.
19Tomará por couraça a justiça, e por capacete a inteireza do seu juízo:
20Embraçará a equidade como escudo inexpugnável:
21Afiará a sua ira inflexível, como uma lança, e todo o Universo pelejará da parte dele contra os insensatos.
22Irão com direita pontaria os tiros missivos dos raios e como dum arco bem encurvado das nuvens serão despedidos, e descarregarão sobre lugar certo.
23A ira de Deus, semelhante a uma máquina de lançar pedras, fará chover uma grossa saraiva: Embravecer-se-á contra eles a água do mar, e os rios correrão juntos com furiosa enchente.
24O espírito de virtude se levantará contra eles, e como redemoinho de vento os espalhará: E a sua iniquidade reduzirá a uma solidão toda a terra, e a malícia deitará abaixo os assentos dos poderosos.
