Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (domínio público). Texto digitalizado — em revisão pela paróquia.
1Então chamou Tobias a seu filho, e lhe disse: Que poderemos nós dar a este santo homem, que veio contigo?
2Tobias respondendo, disse a seu pai: Meu pai, que galardão lhe daremos nós? ou que coisa poderá haver proporcionada aos seus benefícios?
3Ele me levou e me trouxe salvo, ele recebeu de Gabelo o dinheiro, ele me fez ter mulher, e ele expeliu dela o demônio, ele encheu de alegria a seus pais, ele me livrou a mim mesmo de ser tragado do peixe, e a ti fez-te ver a luz do céu, e por ele nós fomos cheios de todos os bens. Que lhe poderemos nós dar que iguale tais benefícios?
4Mas rogo-te, meu pai, que lhe peças, se digne ao menos aceitar para si metade de tudo o que nós trouxemos.
5E chamando-o, a saber o pai, e o filho, o trouxeram à parte: e começaram a rogar-lhe que quisesse de boamente receber metade de tudo o que tinham trazido.
6Então lhes falou o anjo assim em segredo: Bendizei ao Deus do céu, e dai-lhe glória diante de todos os viventes, por ter usado convosco da sua misericórdia,
7Porque é bom conservar escondido o segredo do rei: Mas é coisa de honra manifestar e publicar as obras de Deus.
8É boa a oração acompanhada de jejum, e da esmola mais do que ajuntar tesouros de ouro:
9Porque a esmola livra da morte, e ela é a que apaga os pecados, e faz achar a misericórdia e a vida eterna.
10Mas os que cometem pecado, e iniquidade, são inimigos das suas almas.
11Eu pois vos descubro a verdade, e não vos ocultarei o que está em segredo.
12Quando tu oravas com lágrimas, e enterravas os mortos, e deixavas o teu jantar, e ocultavas os mortos em tua casa de dia, e os enterravas de noite, presentei eu as tuas orações ao Senhor.
13E porque tu eras aceito a Deus, por isso foi necessário que a tentação te provasse.
14E agora me enviou o Senhor a curar-te, e a livrar do demônio a Sara, mulher de teu filho.
15Porque eu sou o Anjo Rafael, um dos sete que assistimos diante do Senhor.
16E ao ouvir estas palavras, se turbaram, e espavoridos caíram com o rosto em terra.
17E o anjo lhes disse: A paz seja convosco, não temais.
18Porque quando eu estava convosco, eu o estava por vontade de Deus: Bendizei-o, e cantai-lhe louvores.
19A vós parecia-vos que eu comia, e bebia convosco: mas eu sustento-me de um manjar invisível, e duma bebida, que não pode ser vista dos homens.
20É pois tempo que eu volte para aquele que me enviou: Vós porém bendizei a Deus, e contai todas as suas maravilhas.
21E tendo dito estas palavras, desapareceu de diante deles, e eles o não puderam ver mais.
22Então tendo-se prostrado sobre o rosto por três horas, bendisseram a Deus: e erguendo-se contaram todas as suas maravilhas.
